
Irão ameaça com resposta 'rápida e decisiva' no Estreito de Ormuz e anuncia futura cobrança de taxas
Comando militar iraniano exige que navios sigam rotas aprovadas por Teerão e alerta que presença dos EUA põe em causa a segurança regional, enquanto sindicatos mantêm classificação de zona de guerra.
O comando militar central do Irão advertiu na quinta-feira que qualquer interferência dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz será enfrentada com uma resposta “rápida e decisiva” e que todos os petroleiros e navios comerciais devem utilizar exclusivamente as rotas de navegação designadas por Teerão. A declaração, divulgada pela televisão estatal iraniana e pela agência Fars, surge dias depois de um ataque norte-americano a 27 de junho que, segundo o Irão, violou o memorando de entendimento alcançado a 18 de junho, e na véspera do funeral do líder supremo Ali Khamenei, morto nos primeiros momentos do conflito que opôs os Estados Unidos e Israel ao Irão a partir de 28 de fevereiro.
Na perspetiva de Teerão, o estreito constitui “domínio soberano indiscutível” da República Islâmica e a sua segurança é uma linha vermelha. O representante permanente do Irão junto das Nações Unidas, Amir Saeid Iravani, afirmou perante o Conselho de Segurança que a liberdade de navegação será mantida sem custos durante um período de carência de 60 dias, após o qual serão introduzidas taxas de trânsito. Iravani sublinhou ainda que a gestão da via marítima cabe exclusivamente ao Irão e a Omã, rejeitando o que classificou como alegações infundadas sobre o papel iraniano, e acusou Washington de minar a diplomacia, garantindo que o Irão responderá a qualquer nova violação do acordo.
Do lado norte-americano, o Comando Central dos EUA divulgou um comunicado sobre uma reunião com representantes de países do Médio Oriente no Barém, na qual os líderes “sublinharam o seu compromisso partilhado com o livre fluxo comercial através do Estreito de Ormuz” – formulação que Teerão interpretou como uma provocação. Entretanto, a Federação Internacional dos Trabalhadores dos Transportes e o Joint Negotiating Group, que representa armadores, decidiram prolongar a classificação do estreito como “zona de guerra” pelo menos até 9 de julho, com reavaliações semanais. A medida, que obriga ao pagamento de salários em dobro e outros subsídios, reflete a avaliação de que os riscos para a vida dos marinheiros continuam “significativos e em rápida mutação”, depois de pelo menos 14 mortos e mais de 40 navios atacados desde o início das hostilidades.
A dimensão logística e económica do impasse é agravada pela presença de centenas de minas navais sofisticadas no estreito. O comando operacional conjunto italiano estimou na quarta-feira que serão necessários cerca de dois meses para a limpeza total, um esforço que exige capacidades técnicas que “nem todos os países possuem”. As negociações técnicas para um acordo definitivo, que incluirá o estatuto do programa nuclear iraniano, prosseguem sob mediação conjunta do Qatar e do Paquistão, mas a troca de advertências e a manutenção do estatuto de zona de guerra pelos sindicatos indicam que a estabilização da via marítima por onde transita uma parte substancial do petróleo mundial permanece distante.
| Imprensa iraniana e afins | +0.60 | aligned |
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| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.70 | critical |
| Imprensa do Golfo árabe | −0.30 | critical |
Iran defends its territorial integrity and national security by imposing tolls and repelling route violations.
The threat is justified as a proportional response to the war and US aggressions, rooted in national defence doctrine.
Omits references to international maritime law and potential Western military countermeasures.
The United States denounces Iran's move as a violation of international law and economic blackmail.
Alarm is built by citing potential damage to the world economy and the need to protect sea lanes, mobilizing international consensus against Tehran.
Omits Iran's perception of existential threat after the war and the legal justification based on territorial waters.
Gulf capitals monitor the situation with apprehension, fearing repercussions on energy trade.
Analysis focuses on economic indicators and potential supply chain disruptions, avoiding clear political alignment.
Omits the political and military dimensions of the confrontation, limiting itself to economic impact.
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