
Irão adverte que abandonará acordo com os EUA se violações persistirem
Embaixador iraniano na ONU condiciona cumprimento do Memorando de Islamabad à reciprocidade, após ataques e sanções americanas.
O Irão deixará de se considerar vinculado ao Memorando de Entendimento de Islamabad se os Estados Unidos mantiverem as violações dos seus compromissos, advertiu o embaixador iraniano na ONU, Amir Saeid Iravani, em declarações a jornalistas em Nova Iorque. A posição surge depois de ataques militares norte-americanos a ilhas e cidades do sul do Irão, a 7 e 8 de julho, e da imposição de novas sanções financeiras por Washington. Iravani afirmou que Teerão permanece empenhado na aplicação fiel do acordo, mas apenas “na condição de os Estados Unidos cumprirem plena e genuinamente as suas próprias obrigações”.
Segundo diplomatas iranianos, os bombardeamentos constituem uma “violação clara” da Carta das Nações Unidas e das cláusulas primeira e segunda do memorando, que exigem a cessação de todas as operações militares hostis. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, acusou ainda o Departamento do Tesouro norte-americano de infringir a cláusula 9 do texto, que prevê o alívio de sanções, ao impor novas medidas punitivas e revogar licenças de exportação de petróleo iraniano. O porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baqaei, sublinhou que a política de Teerão se rege pela doutrina de “compromisso por compromisso” e que o país já adotou e continuará a adotar “as medidas de resposta necessárias”.
Na perspetiva de Washington, o Comando Central dos EUA (CENTCOM) justificou as ações militares como resposta às restrições impostas pelo Irão ao tráfego no Estreito de Ormuz. O presidente Donald Trump declarou que o cessar-fogo estava terminado, mas confirmou que as negociações prosseguiriam. O memorando, assinado a 18 de junho com mediação paquistanesa, fora precedido por um cessar-fogo em abril e visava criar um quadro para uma resolução permanente do conflito. Fontes paquistanesas recordam que o entendimento de 14 pontos foi concebido para interromper as hostilidades iniciadas em fevereiro, mas a troca de fogo dos últimos dias ameaça inviabilizar o diálogo.
A escalada reacende o risco de interrupção da circulação de petroleiros no Estreito de Ormuz, via por onde transita cerca de um quinto do consumo mundial de petróleo. Analistas em Lisboa e São Paulo alertam para o potencial impacto nos preços dos combustíveis e nas cadeias de abastecimento globais, com reflexos diretos nas economias lusófonas dependentes de importações energéticas. A agência Axios noticiou que uma nova ronda de conversações entre Washington e Teerão está prevista para a próxima semana, possivelmente na Suíça, enquanto o Irão insiste que a continuidade do acordo depende exclusivamente da reciprocidade no cumprimento das obrigações assumidas.
| Imprensa iraniana e afins | −0.60 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa do Sudeste Asiático | 0.00 | neutral |
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | −0.50 | critical |
Iran defends its sovereignty and conditions cooperation on US compliance.
The Iranian press builds a hierarchy of threats: first listing US violations, then presenting Iran's response as proportionate and legitimate.
Iranian press omits any mention of Iranian military actions in the Strait of Hormuz that preceded US strikes, which would complicate the narrative of unprovoked US aggression.
Southeast Asian press reports the Iranian position as a matter of fact, without taking sides.
Uses journalistic detachment: cites official sources and contextualizes with Pakistani mediation, avoiding judgment.
The Southeast Asian press omits the Iranian foreign minister's direct accusation of US sanctions as a breach, and the emotional framing of US aggression, presenting a more sanitized version.
Iran accuses the United States of systematically violating the understanding and presents itself as the compliant party.
Arab press uses personification of the state: attributes intentions and actions to 'Iran' and 'the United States' as unitary actors, polarizing the conflict.
The Arab Levant-Maghreb press omits the conditional nature of Iran's commitment as stated by its UN ambassador, and the context of mutual exchanges of fire, presenting a more one-sided narrative of US aggression.
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