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Geopolítica & Políticadomingo, 21 de junho de 2026

Irã anuncia novo fechamento do Estreito de Ormuz e acusa EUA de violar cessar-fogo

Decisão de Teerã é resposta a bombardeios israelenses no Líbano que deixaram ao menos 27 mortos; Washington minimiza bloqueio e Trump ameaça impor pedágios se não houver acordo final em 60 dias.

As Forças Armadas iranianas anunciaram neste sábado (20) o fechamento do Estreito de Ormuz ao tráfego marítimo internacional, em retaliação aos ataques israelenses no sul do Líbano que, segundo Teerã, configuram violação do memorando de entendimento firmado com os Estados Unidos em 17 de junho. O bloqueio da via por onde escoa cerca de um quinto do petróleo mundial foi comunicado pelo Quartel-General Central Khatam al-Anbiya como "primeiro passo" e poderá ser seguido de novas medidas caso a "agressão" persista, incluindo ações para "forçar o inimigo a cumprir suas obrigações".

A justificativa iraniana assenta na acusação de que Washington não teria garantido o fim das hostilidades em todas as frentes, cláusula central do acordo provisório que previa 60 dias de trégua. Em comunicado, o alto comando militar denunciou a "despiadada matança" de civis e a não retirada das tropas israelenses do sul libanês. Do lado americano, o Comando Central (Centcom) sustentou que o trânsito marítimo não foi interrompido: 55 navios mercantes transportaram mais de 17 milhões de barris de petróleo durante a jornada. O presidente Donald Trump, por sua vez, afirmou na rede Truth Social que "não haverá pedágios" no estreito durante os 60 dias, a menos que os próprios EUA os imponham como compensação pelos "serviços prestados como anjo da guarda dos países do Oriente Médio", caso não se alcance um acordo definitivo. Israel atribuiu os bombardeios no Líbano a uma resposta aos mais de 50 projéteis lançados pelo Hezbollah, grupo que, por sua vez, alegou ter emboscado uma "tentativa de infiltração" israelense sob a cobertura do cessar-fogo. Fontes libanesas reportaram ao menos 27 mortos.

A crise diplomática não impediu que delegações dos dois países viajassem à Suíça para uma nova ronda de conversações técnicas, cujo início está previsto para este domingo (21), com mediação do Paquistão e do Qatar. O vice-presidente JD Vance confirmou que os negociadores Jared Kushner e Steve Witkoff já estão no complexo de Bürgenstock; o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, lidera a equipa de Teerã, que inclui o presidente do Parlamento e funcionários do banco central e do setor petrolífero. As conversas, originalmente marcadas para sexta-feira, haviam sido suspensas devido à escalada no Líbano, e Teerã condiciona agora qualquer avanço ao cumprimento do memorando, em especial ao descongelamento de ativos financeiros mantidos no exterior.

O novo fechamento do Estreito de Ormuz surge menos de uma semana após o entendimento entre Washington e Teerã ter permitido a reabertura gradual da rota, bloqueada desde o início do conflito em 28 de fevereiro. A suspensão das hostilidades também levantara o cerco naval americano a portos iranianos. Analistas em Lisboa e Brasília alertam que a instabilidade na região pode voltar a pressionar as cotações do barril de petróleo e encarecer a energia em economias dependentes de importações, como a portuguesa e a brasileira. As negociações de domingo devem abordar ainda o programa nuclear iraniano, mas a fragilidade do cessar-fogo no Líbano mantém o dossiê em aberto e o risco de novas rupturas elevado.

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domingo, 21 de junho de 2026

Irã anuncia novo fechamento do Estreito de Ormuz e acusa EUA de violar cessar-fogo

Decisão de Teerã é resposta a bombardeios israelenses no Líbano que deixaram ao menos 27 mortos; Washington minimiza bloqueio e Trump ameaça impor pedágios se não houver acordo final em 60 dias.

As Forças Armadas iranianas anunciaram neste sábado (20) o fechamento do Estreito de Ormuz ao tráfego marítimo internacional, em retaliação aos ataques israelenses no sul do Líbano que, segundo Teerã, configuram violação do memorando de entendimento firmado com os Estados Unidos em 17 de junho. O bloqueio da via por onde escoa cerca de um quinto do petróleo mundial foi comunicado pelo Quartel-General Central Khatam al-Anbiya como "primeiro passo" e poderá ser seguido de novas medidas caso a "agressão" persista, incluindo ações para "forçar o inimigo a cumprir suas obrigações".

A justificativa iraniana assenta na acusação de que Washington não teria garantido o fim das hostilidades em todas as frentes, cláusula central do acordo provisório que previa 60 dias de trégua. Em comunicado, o alto comando militar denunciou a "despiadada matança" de civis e a não retirada das tropas israelenses do sul libanês. Do lado americano, o Comando Central (Centcom) sustentou que o trânsito marítimo não foi interrompido: 55 navios mercantes transportaram mais de 17 milhões de barris de petróleo durante a jornada. O presidente Donald Trump, por sua vez, afirmou na rede Truth Social que "não haverá pedágios" no estreito durante os 60 dias, a menos que os próprios EUA os imponham como compensação pelos "serviços prestados como anjo da guarda dos países do Oriente Médio", caso não se alcance um acordo definitivo. Israel atribuiu os bombardeios no Líbano a uma resposta aos mais de 50 projéteis lançados pelo Hezbollah, grupo que, por sua vez, alegou ter emboscado uma "tentativa de infiltração" israelense sob a cobertura do cessar-fogo. Fontes libanesas reportaram ao menos 27 mortos.

A crise diplomática não impediu que delegações dos dois países viajassem à Suíça para uma nova ronda de conversações técnicas, cujo início está previsto para este domingo (21), com mediação do Paquistão e do Qatar. O vice-presidente JD Vance confirmou que os negociadores Jared Kushner e Steve Witkoff já estão no complexo de Bürgenstock; o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, lidera a equipa de Teerã, que inclui o presidente do Parlamento e funcionários do banco central e do setor petrolífero. As conversas, originalmente marcadas para sexta-feira, haviam sido suspensas devido à escalada no Líbano, e Teerã condiciona agora qualquer avanço ao cumprimento do memorando, em especial ao descongelamento de ativos financeiros mantidos no exterior.

O novo fechamento do Estreito de Ormuz surge menos de uma semana após o entendimento entre Washington e Teerã ter permitido a reabertura gradual da rota, bloqueada desde o início do conflito em 28 de fevereiro. A suspensão das hostilidades também levantara o cerco naval americano a portos iranianos. Analistas em Lisboa e Brasília alertam que a instabilidade na região pode voltar a pressionar as cotações do barril de petróleo e encarecer a energia em economias dependentes de importações, como a portuguesa e a brasileira. As negociações de domingo devem abordar ainda o programa nuclear iraniano, mas a fragilidade do cessar-fogo no Líbano mantém o dossiê em aberto e o risco de novas rupturas elevado.

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