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Economia e Mercadosquarta-feira, 15 de julho de 2026

Inflação argentina cai a 1,9% em junho, mas cesta básica sobe 2,2% e pressiona famílias

Índice mensal rompe o piso de 2% pela primeira vez em dez meses, enquanto o custo para não ser pobre supera 1,5 milhão de pesos, segundo o Indec.

A inflação mensal na Argentina recuou para 1,9% em junho, abaixo dos 2,1% de maio e o menor patamar desde agosto de 2025, informou o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). Com o resultado, o acumulado do primeiro semestre de 2026 atingiu 16,8% e a variação interanual ficou em 33,5%. A desaceleração foi impulsionada pela moderação nos preços dos alimentos, que subiram apenas 1,3% — a menor alta para o grupo em um ano —, com estabilidade na carne e quedas em frutas compensando aumentos pontuais em verduras como o tomate (22,5%).

A dinâmica dos preços refletiu um arrefecimento da inflação núcleo, que passou de 1,9% para 1,6%, influenciada por reajustes em panificados, medicamentos e aluguéis. Os preços sazonais lideraram as altas (3,4%), puxados pelo turismo de inverno e pelas hortaliças, enquanto os regulados subiram 2,3% com aumentos nas tarifas de eletricidade e transporte público. A divisão de Recreação e cultura registrou a maior variação (4,2%), seguida por Habitação, água, eletricidade e gás (3,3%). Na análise regional, a Região Pampeana teve a inflação mais elevada (2,0%), enquanto Cuyo e a Patagônia anotaram 1,6%.

Apesar do alívio no índice geral, o custo de vida seguiu pressionando as famílias. A Cesta Básica Total (CBT) subiu 2,2% em junho, acima da inflação, exigindo que uma família de quatro integrantes reunisse 1.531.473 pesos para não ser considerada pobre. A Cesta Básica Alimentar (CBA) avançou 1,3%, fixando a linha de indigência em 689.853 pesos para o mesmo grupo. As variações interanuais das cestas — 35,7% e 36,3%, respectivamente — superaram a inflação geral, indicando que os itens essenciais continuam a corroer o poder de compra, sobretudo em lares com mais membros.

O governo de Javier Milei celebrou o dado como prova da solidez do processo de desinflação. O ministro da Economia, Luis Caputo, destacou que a média móvel de três meses caiu 0,5 ponto percentual e que a inflação núcleo foi a menor desde julho de 2025. Observadores em Buenos Aires, contudo, ponderam que a desaceleração ocorre em um contexto de forte austeridade fiscal e de desgaste político do presidente, agravado pelo escândalo de corrupção envolvendo o ex-chefe de gabinete Manuel Adorni. Consultorias privadas projetavam um índice ao redor de 1,9%, e o mercado agora monitora se a tendência se sustentará em julho, mês em que sazonalmente o turismo e as tarifas podem reacelerar os preços.

O próximo marco factual será a divulgação do Relevamento de Expectativas de Mercado (REM) do Banco Central, que trará as projeções atualizadas para a inflação de julho e para o fechamento de 2026. A manutenção de um patamar abaixo de 2% dependerá da evolução dos preços regulados e do comportamento da demanda interna, ainda contida pelos cortes de gastos públicos e pela perda de poder aquisitivo de salários e aposentadorias.

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quarta-feira, 15 de julho de 2026

Inflação argentina cai a 1,9% em junho, mas cesta básica sobe 2,2% e pressiona famílias

Índice mensal rompe o piso de 2% pela primeira vez em dez meses, enquanto o custo para não ser pobre supera 1,5 milhão de pesos, segundo o Indec.

A inflação mensal na Argentina recuou para 1,9% em junho, abaixo dos 2,1% de maio e o menor patamar desde agosto de 2025, informou o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). Com o resultado, o acumulado do primeiro semestre de 2026 atingiu 16,8% e a variação interanual ficou em 33,5%. A desaceleração foi impulsionada pela moderação nos preços dos alimentos, que subiram apenas 1,3% — a menor alta para o grupo em um ano —, com estabilidade na carne e quedas em frutas compensando aumentos pontuais em verduras como o tomate (22,5%).

A dinâmica dos preços refletiu um arrefecimento da inflação núcleo, que passou de 1,9% para 1,6%, influenciada por reajustes em panificados, medicamentos e aluguéis. Os preços sazonais lideraram as altas (3,4%), puxados pelo turismo de inverno e pelas hortaliças, enquanto os regulados subiram 2,3% com aumentos nas tarifas de eletricidade e transporte público. A divisão de Recreação e cultura registrou a maior variação (4,2%), seguida por Habitação, água, eletricidade e gás (3,3%). Na análise regional, a Região Pampeana teve a inflação mais elevada (2,0%), enquanto Cuyo e a Patagônia anotaram 1,6%.

Apesar do alívio no índice geral, o custo de vida seguiu pressionando as famílias. A Cesta Básica Total (CBT) subiu 2,2% em junho, acima da inflação, exigindo que uma família de quatro integrantes reunisse 1.531.473 pesos para não ser considerada pobre. A Cesta Básica Alimentar (CBA) avançou 1,3%, fixando a linha de indigência em 689.853 pesos para o mesmo grupo. As variações interanuais das cestas — 35,7% e 36,3%, respectivamente — superaram a inflação geral, indicando que os itens essenciais continuam a corroer o poder de compra, sobretudo em lares com mais membros.

O governo de Javier Milei celebrou o dado como prova da solidez do processo de desinflação. O ministro da Economia, Luis Caputo, destacou que a média móvel de três meses caiu 0,5 ponto percentual e que a inflação núcleo foi a menor desde julho de 2025. Observadores em Buenos Aires, contudo, ponderam que a desaceleração ocorre em um contexto de forte austeridade fiscal e de desgaste político do presidente, agravado pelo escândalo de corrupção envolvendo o ex-chefe de gabinete Manuel Adorni. Consultorias privadas projetavam um índice ao redor de 1,9%, e o mercado agora monitora se a tendência se sustentará em julho, mês em que sazonalmente o turismo e as tarifas podem reacelerar os preços.

O próximo marco factual será a divulgação do Relevamento de Expectativas de Mercado (REM) do Banco Central, que trará as projeções atualizadas para a inflação de julho e para o fechamento de 2026. A manutenção de um patamar abaixo de 2% dependerá da evolução dos preços regulados e do comportamento da demanda interna, ainda contida pelos cortes de gastos públicos e pela perda de poder aquisitivo de salários e aposentadorias.

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