
Homem morre após autoimolação em frente à sede da ONU em Nova York; ativistas tibetanos apontam protesto contra lei chinesa
A polícia investiga o caso; grupos no exílio afirmam que o ato foi um apelo pela independência do Tibete, dias após a entrada em vigor de uma nova lei de unidade étnica na China.
Um homem morreu na noite de quinta-feira (2) após atear fogo ao próprio corpo nas imediações da sede das Nações Unidas, em Manhattan, Nova York. De acordo com o Departamento de Polícia de Nova York, agentes foram acionados por volta das 18h30 (hora local) para a esquina da First Avenue com a 42nd Street, onde encontraram a vítima com queimaduras graves. O homem foi transportado para o Hospital Bellevue, onde o óbito foi confirmado. As autoridades não divulgaram oficialmente a identidade nem o motivo do gesto, limitando-se a informar que a investigação prossegue.
Ativistas e veículos de comunicação da diáspora tibetana identificaram o homem como Lobga Rangzen, um motorista de aplicativo de 52 anos que vivia nos Estados Unidos há cerca de duas décadas. Testemunhas e imagens de vigilância mostram que, momentos antes de se imolar, Rangzen fincou uma bandeira do Tibete na calçada, exibiu um cartaz com os dizeres “China fora do Tibete” e transmitiu ao vivo um apelo pela independência e unidade do território. A polícia não corroborou essas informações, mas o porta-voz do secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou que a organização está “consternada com este incidente trágico e horrível” e apresentou condolências à família.
O episódio ocorreu na mesma semana em que Pequim colocou em vigor uma nova Lei de Promoção da Unidade e do Progresso Étnico, que, segundo o governo chinês, visa forjar uma identidade nacional “compartilhada” entre os 55 grupos étnicos minoritários do país. A legislação gerou preocupação nos Estados Unidos e na União Europeia, que alertaram para o risco de restrição adicional aos direitos culturais, linguísticos e religiosos de minorias como tibetanos e uigures. Organizações de direitos humanos, incluindo a Campanha Internacional pelo Tibete, associam a medida a uma política de assimilação forçada e lembram que, desde 2009, mais de 150 tibetanos recorreram à autoimolação em protesto contra o domínio chinês.
A investigação policial ainda não estabeleceu uma motivação oficial, e as autoridades chinesas não se pronunciaram sobre o caso. Em Brasília, o Itamaraty não emitiu declaração até o momento; observadores recordam que o Brasil tradicionalmente reconhece a soberania chinesa sobre o Tibete, ao mesmo tempo que defende o diálogo multilateral em fóruns de direitos humanos. Em Lisboa, analistas sublinham o silêncio das capitais europeias diante de um gesto que reaviva o debate sobre a situação no planalto tibetano. A ONU confirmou que o incidente não afetou as atividades da organização.
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