
Ginastas russas abandonam Taça do Mundo na Roménia após veto à bandeira e ao hino
A seleção russa de ginástica rítmica retirou-se do Challenge Cup em Cluj-Napoca depois de os organizadores terem comunicado verbalmente que os símbolos nacionais não seriam exibidos, num desafio direto à decisão da federação internacional.
A equipa russa de ginástica rítmica não competirá no Challenge Cup que decorre até 28 de junho em Cluj-Napoca, na Roménia. A decisão, anunciada pela Federação de Ginástica da Rússia, foi tomada depois de os organizadores terem informado verbalmente que a bandeira russa não seria hasteada na arena e que o hino nacional não seria tocado em caso de vitória. A comitiva russa considerou a restrição uma violação grave do regulamento e optou por não viajar para o torneio.
O impasse ganhou forma na quarta-feira, quando o presidente da câmara de Cluj-Napoca, Emil Boc, declarou nas redes sociais que os símbolos políticos de um “Estado agressor na Europa” não seriam utilizados num país da União Europeia. A posição do autarca foi comunicada à federação russa antes do início da prova, desencadeando a retirada. Na perspetiva de Moscovo, a proibição ignora a decisão do comité executivo da World Gymnastics, que em maio readmitiu atletas russos e bielorrussos com plenos direitos de representação nacional, após um período de neutralidade imposto em 2022, na sequência da invasão da Ucrânia.
A reintegração com bandeira e hino, aprovada a 18 de maio, abrange as cinco disciplinas sob a alçada da federação russa: ginástica artística, rítmica, trampolins, acrobática e aeróbica. A decisão foi posteriormente acompanhada pela European Gymnastics. A equipa russa, potência histórica da modalidade, vinha de uma exibição dominante na segunda etapa do Challenge Cup, na China, onde conquistou dez medalhas, quatro delas de ouro, com a campeã europeia Sofia Ilteriakova a subir cinco vezes ao pódio. O contraste entre a receção na China e o veto na Roménia acentuou a frustração do lado russo.
A reação oficial em Moscovo foi imediata e escalou para o plano institucional. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, classificou a situação de “ultrajante”, sublinhando que as ginastas têm o direito de competir com os seus símbolos. O ministro do Desporto e presidente do Comité Olímpico Russo, Mikhail Degtyarev, foi mais longe: prometeu que a Rússia fará tudo para que a Roménia perca o direito de organizar competições internacionais de ginástica e, “no máximo, todos os eventos internacionais”. A federação russa anunciou ainda que recorrerá a “todos os mecanismos jurídicos internacionais” para forçar o cumprimento das decisões da World Gymnastics.
O episódio expõe a tensão entre as decisões das federações internacionais, que têm vindo a levantar gradualmente as sanções desportivas, e a resistência de autarcas e governos europeus, que mantêm restrições simbólicas. Enquanto a World Gymnastics não se pronunciou oficialmente sobre a retirada russa, o caso transfere o conflito para o terreno jurídico e administrativo, com a Rússia a ameaçar contestar a atribuição de futuros eventos à Roménia. A próxima etapa do circuito, ainda sem data anunciada, poderá reacender o debate sobre a presença de símbolos nacionais em competições organizadas em solo europeu.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A equipe russa retirou-se da Copa do Mundo na Romênia depois que os organizadores proibiram a bandeira e o hino, violando diretamente a decisão de maio da Federação Internacional. O Kremlin classifica a situação como ultrajante e o ministro dos Esportes promete fazer todo o possível para privar a Romênia do direito de sediar eventos internacionais. O boicote é apresentado como uma defesa necessária da dignidade nacional e do regulamento esportivo.
As ginastas russas retiraram-se da Copa do Mundo na Romênia depois que os organizadores locais disseram que não exibiriam a bandeira nem tocariam o hino. A federação russa alegou violação do regulamento e lembrou a decisão de readmissão da entidade mundial. A competição prossegue sem a participação russa.
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