
A vela e o nome: a perda que une Cody Gakpo à sua fé em pleno Mundial
O avançado neerlandês Cody Gakpo e a companheira Noa van der Bij anunciaram a morte do filho durante a gravidez, enquanto o jogador disputa o Mundial de 2026; a família pede privacidade e encontra consolo num sinal na igreja.
Na penumbra de uma igreja, a chama trémula de uma vela iluminou o rosto de um casal em silêncio. Cody Gakpo e Noa van der Bij tinham acabado de acender aquela luz para o filho que não chegariam a conhecer. Depois, já no exterior, caminharam até ao parque infantil com o pequeno Samuel, de dois anos. Só havia outra criança. Chamava-se Elijah. “Não poderia ter havido um sinal mais bonito de Deus”, escreveu Noa, convencida de que o seu menino nunca estará longe. A cena, partilhada nas redes sociais no sábado, transformou um luto privado numa imagem de fé que correu o mundo.
A notícia devastadora chegara horas antes, num story de Instagram: “De coração partido, partilhamos que o nosso bebé faleceu durante a gravidez. Elijah Raphael Gakpo. Para sempre amado. Para sempre nosso filho.” O avançado do Liverpool, de 27 anos, está concentrado com a seleção dos Países Baixos para o Mundial de 2026 e foi uma das figuras da fase de grupos, com dois golos na goleada por 5-1 à Suécia. A federação neerlandesa (KNVB) confirmou que Gakpo decidiu, em acordo com a companheira, permanecer com o grupo para o jogo dos dezasseis-avos de final frente a Marrocos, na segunda-feira, em Monterrey, no México. “Os nossos pensamentos estão contigo, Cody e família”, publicaram em conjunto a seleção e o clube inglês.
A dor privada de um futebolista em pleno torneio reavivou memórias de outros episódios semelhantes. Em Portugal e no Brasil, a notícia foi recebida com uma onda de solidariedade que ecoou o luto vivido por Cristiano Ronaldo e Georgina Rodríguez em 2022, quando perderam um filho durante o parto. Na perspetiva de observadores brasileiros, a tragédia de Gakpo sublinha a vulnerabilidade de atletas que, mesmo sob os holofotes, enfrentam perdas íntimas. Em Lisboa, comentadores recordaram como a seleção portuguesa se uniu em torno de Ronaldo nesse momento, e anteciparam um movimento semelhante no balneário neerlandês. A comoção extravasou fronteiras: do Egipto à Indonésia, os adeptos encheram as redes de mensagens de apoio, num luto que se tornou global.
A família pediu “privacidade e espaço”, mas a partilha da ida à igreja revelou um refúgio na espiritualidade. O nome Elijah, que significa “o Senhor é meu Deus”, ecoou no parque vazio como uma assinatura do acaso ou da crença. Gakpo, que já tinha falado da fé cristã em entrevistas, encontrou naquele encontro fortuito um fio de sentido para a perda. A vela continuará a arder na memória de quem acompanha o Mundial, lembrando que, por detrás de cada camisola, há uma história que o relvado não conta.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O casal sofreu uma perda profunda com o aborto espontâneo do seu bebé. Na sua dor, encontraram consolo numa visita à igreja e num encontro casual com uma criança chamada Elijah no parque infantil, interpretando-o como um sinal divino de que o seu filho está sempre por perto. Pediram privacidade neste momento difícil.
O Mundial foi ensombrado por duas perdas pessoais: a morte da mãe do selecionador francês e o aborto espontâneo sofrido pela companheira do avançado neerlandês. O contraste entre festa e luto é captado na expressão 'um casamento e dois funerais'. Enquanto Deschamps regressou a casa para o funeral, Gakpo partilhou a tragédia familiar nas redes sociais.
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