
Gigantes dos EUA vendem IA a chineses sancionados, e Coreia do Sul colhe boom dos chips
OpenAI e Google fornecem modelos de inteligência artificial a subsidiárias de Alibaba, Baidu e Tencent em Singapura, expondo lacunas nos controles de exportação, enquanto a procura por semicondutores de memória dispara as exportações sul-coreanas.
A revelação de que a OpenAI e a Google venderam modelos avançados de inteligência artificial a subsidiárias sediadas em Singapura dos grupos chineses Alibaba, Baidu e Tencent — todos acusados pelo Pentágono de colaborar com as forças armadas da China — expõe uma brecha significativa nos esforços de Washington para conter o desenvolvimento tecnológico de Pequim. As próprias empresas confirmaram o fornecimento, sublinhando que as restrições atuais incidem apenas sobre modelos específicos, como o GPT-5.6 da OpenAI e os sistemas da Anthropic, mas não impedem que entidades sancionadas utilizem outras ferramentas de IA a partir de territórios fora da China continental.
Na perspetiva de Washington, a situação revela os limites de um regime de controlo que tenta equilibrar a segurança nacional com os interesses comerciais das suas campeãs tecnológicas. A Anthropic, que proibiu globalmente o acesso de empresas chinesas aos seus modelos, reportou ao Congresso que a Alibaba terá recorrido a 25 mil contas falsas para extrair dados do seu assistente Claude. Já a OpenAI suspendeu, no mês passado, o acesso de utilizadores ligados à Alibaba à sua interface de programação, enquanto a Google mantém os serviços disponíveis em Hong Kong e Singapura, invocando a sua política de utilização. Em paralelo, o Departamento de Justiça e a Comissão Federal do Comércio conduzem investigações antitruste sobre o domínio de mercado destas mesmas empresas no setor da IA.
Do lado chinês, a resposta tem sido dupla. Por um lado, Pequim começa a mostrar alguma flexibilidade: fontes indicam que o governo autorizará, de forma limitada e mediante justificação, a compra de chips H200 da Nvidia por empresas como a ByteDance e a DeepSeek, num aparente reconhecimento da necessidade de capacidade computacional externa. Por outro, a indústria local acelera a autossuficiência. A Huawei desenvolveu técnicas de empilhamento de circuitos para melhorar o desempenho sem depender das ferramentas de fabrico ocidentais mais recentes, e a DeepSeek lançou um modelo de linguagem otimizado para o silício da empresa. Projeta-se que os designers domésticos capturem cerca de quatro quintos dos gastos chineses em chips de IA este ano, num mercado interno protegido que, segundo analistas em Hong Kong, fez mais pelo setor de semicondutores da China do que as políticas de Pequim.
Este ambiente de competição e estrangulamento tecnológico tem um beneficiário inesperado: a Coreia do Sul. A explosão da procura por chips de memória de alto débito, essenciais para treinar e executar modelos de IA, transformou a Samsung Electronics e a SK Hynix nos grandes vencedores do momento. As exportações sul-coreanas dispararam 75% em pouco mais de um ano, com os semicondutores a representarem cerca de 25% do total. A capitalização bolsista da SK Hynix saltou de 342 mil milhões para 1,36 biliões de dólares entre janeiro e junho de 2026, num movimento especulativo que ecoa o observado nas empresas de IA norte-americanas. O governo de Seul anunciou, em julho, investimentos de 880 mil milhões de dólares em novas fábricas de chips, apostando na continuidade de um ciclo cuja sustentabilidade permanece incerta.
O próximo marco a observar será a evolução da política de exportação de chips dos EUA e a reação de Pequim às investigações sobre a utilização indevida de modelos de IA. A capacidade da China para fechar a lacuna na fabricação de semicondutores — onde ainda depende de tecnologia ocidental — e o desfecho das investigações antitruste sobre as gigantes americanas definirão os contornos da próxima fase desta disputa.
| Imprensa russa e CEI | −0.40 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa iraniana e afins | −0.70 | critical |
| Imprensa latino-americana | 0.00 | neutral |
| Imprensa do Sudeste Asiático | +0.30 | aligned |
Russia denounces American hypocrisy in AI control, showing how restrictions are easily bypassed.
It highlights the contradiction between declared restrictions and actual commercial transactions, creating a double-standard effect.
It omits that Beijing is easing its own chip restrictions, which reduces the scale of the violation.
Tehran denounces America's inability to control its own companies and technological borders.
It uses the episode as evidence of an American double game, emphasizing OpenAI's delayed reaction as an admission of guilt.
It omits that Beijing is easing its own restrictions, which reduces the scope of the violation.
Latin America observes with detachment the contradictions of US technology policy and Chinese progress.
It presents facts in a balanced way, juxtaposing the circumvention news with Chinese progress, to offer a complete picture without taking sides.
It omits specific details about the blocked models and OpenAI's reaction to journalists' inquiries.
Southeast Asia pragmatically welcomes China's easing, seeing commercial and technological opportunities.
It shifts focus from the sanctions violation to Chinese flexibility, normalizing chip access as part of global trade.
It completely omits the role of Singapore subsidiaries and US restrictions, presenting the story only as a Chinese decision.
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