
General italiano Vannacci nega feminicídio e funda partido que sacode a direita no poder
Eurodeputado Roberto Vannacci lançou o Futuro Nacional com retórica radical, rejeitou a existência do feminicídio e desafiou a estabilidade do governo de Giorgia Meloni, colhendo apoios mas também forte condenação.
A direita italiana ganhou um novo protagonista com a assembleia constituinte do Futuro Nacional, partido fundado pelo general reformado e eurodeputado Roberto Vannacci. No auditório em Roma, a poucos passos do Vaticano, Vannacci reuniu cerca de 1500 delegados, abriu os trabalhos com uma prece de paraquedistas e reivindicou o papel de ‘escória’ e ‘filhos de ninguém’, naquela que é já uma das forças políticas mais controversas do espectro transalpino. A ausência de líderes das formações governativas do centro-direita foi notada: analistas italianos interpretam o gesto como um claro afastamento da coligação comandada por Giorgia Meloni, com potenciais danos eleitorais para a Liga e os Irmãos de Itália, de onde o movimento estará a drenar votos.
O ponto mais estridente da convenção foi a declaração de Vannacci sobre o feminicídio: ‘Não existe, é um homicídio como todos os outros’. Perante jornalistas e militantes, insistiu que homens e mulheres são iguais perante a lei e que o género da vítima não pode tornar um crime mais grave. A frase provocou uma vaga de condenações que extravasou as habituais clivagens partidárias — da esquerda democrática à ultradireita de governo — e tocou a sociedade civil. O pai de Ilaria Sula, jovem morta pelo ex-namorado, exigiu respeito e sublinhou a especificidade da violência letal contra as mulheres. Para comentadores em Roma, o episódio expõe não apenas a radicalização do general, mas também uma crescente tensão dentro do campo conservador.
Na perspetiva de Lisboa e de Brasília, o fenómeno Vannacci ecoa o fortalecimento de movimentos soberanistas e iliberais que têm sacudido as democracias ocidentais. O novo partido defende abertamente a ‘Itália aos italianos’, a limitação drástica de migrantes e a ‘remigração’, num programa que recupera linguagens do fascismo histórico sem delas se envergonhar. Sondagens citadas pela imprensa italiana atribuem ao Futuro Nacional cerca de 5% das intenções de voto, patamar que, na fragmentada política de Roma, é suficiente para perturbar o equilíbrio parlamentar. Observadores internacionais alertam que a erosão do bloco de direita tradicional pode acelerar eleições antecipadas e abrir caminho a novas alianças imprevisíveis.
A dois anos de uma legislatura que parecia sólida, Meloni vê agora o seu espaço político constrangido entre as exigências europeias e a concorrência de uma franja mais radical. O discurso de Vannacci, que rejeita alianças e se diz pronto a votos ‘já amanhã’, coloca o governo numa posição defensiva. Enquanto o presidente da Forza Italia e vozes dos Irmãos de Itália o acusam de fazer o jogo da esquerda, o eurodeputado reforça a imagem de outsider. Em Lisboa, analistas recordam que a fragmentação da direita costuma ser penosa para a governabilidade; no Brasil, onde a direita também se divide entre institucionais e radicais, o caso italiano observa-se com atenção como um laboratório de tensões futuras.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A assembleia do Futuro Nazionale de Vannacci gerou controvérsia. Suas declarações sobre feminicídio e remigração foram condenadas unanimemente, enquanto os líderes do centro-direita boicotaram o evento. A cobertura ressalta as rachaduras na direita governista.
A mídia estatal chinesa descreve de forma analítica e distanciada o lançamento do partido de Vannacci como um desafio à estabilidade do governo Meloni e da UE. A ênfase está no forasteiro que ataca o sistema, com possíveis repercussões para a aliança governante.
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