
Negociador iraniano acusa EUA de incapacidade após ataque de Israel e ameaça suspender diálogo
Mohammad Baqer Qalibaf diz ser impossível seguir adiante se Washington não honrar compromissos, elevando tensão no Oriente Médio.
O principal negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, lançou um duro ultimato neste domingo, afirmando que o ataque israelense aos subúrbios de Beirute evidencia a incapacidade — ou a falta de vontade — dos Estados Unidos de cumprirem seus compromissos. Em publicação na rede social X, Qalibaf, que também preside o Parlamento iraniano, advertiu que “será impossível continuar no caminho atual” caso os acordos assumidos não sejam respeitados. A ofensiva, que segundo Israel tinha como alvo o Hezbollah, atingiu o bairro de Dahye, deixando ao menos dois mortos e quatro feridos, e ocorreu em meio a negociações delicadas entre Teerã e Washington para um acordo de paz que se anunciava iminente.
As declarações de Qalibaf surgiram horas antes que se especulasse sobre a assinatura de um memorando entre as partes, alimentada por sugestões do presidente Donald Trump de que algo poderia ser firmado em seu octogésimo aniversário. Contudo, nenhum documento foi oficializado, e o bombardeio israelense — interpretado por analistas como um sinal de que Israel não se sente constrangido pelas tratativas — aprofundou o ceticismo iraniano. A CNN Brasil e o El Cronista destacam que a ação militar reacendeu as dúvidas sobre a real influência americana sobre o aliado na região, minando a confiança necessária para qualquer avanço diplomático.
Na perspectiva de Brasília, o agravamento da crise reacende alertas sobre a volatilidade dos mercados de petróleo e os riscos para a estabilidade global, temas sensíveis para o governo brasileiro, que busca ampliar parcerias com o Irã no âmbito dos BRICS. Diplomatas em Lisboa observam que o impasse coloca em xeque o papel mediador da Europa, que teme um novo fluxo de refugiados e a desestabilização do Líbano, país com profundos laços históricos e culturais com a comunidade lusófona. Portugal, que exerceu a presidência rotativa do Conselho da União Europeia, vê com apreensão o possível colapso das conversações e o retorno a uma escalada militar de consequências imprevisíveis.
Para os países africanos de língua portuguesa, o risco de contágio regional é uma preocupação constante. A instabilidade no Oriente Médio tende a desviar investimentos e atenção internacional, enquanto o aumento dos preços da energia afeta desproporcionalmente economias frágeis como a de Moçambique e Angola, que ainda se recuperam de crises internas. Analistas em Maputo e Luanda avaliam que a falta de um acordo entre Irã e EUA pode prolongar um ciclo de tensões que encarece o crédito e a ajuda ao desenvolvimento, num momento em que a região já enfrenta desafios fiscais e climáticos.
Diante do ultimato iraniano, o futuro das negociações permanece incerto. Se Washington não oferecer garantias concretas de que conterá as ações de Israel, Teerã poderá suspender definitivamente o diálogo, fechando uma janela diplomática que era vista como promissora. A comunidade internacional, em particular os atores lusófonos com interesses estratégicos na estabilidade do Mediterrâneo e do Golfo, acompanha com atenção os próximos movimentos. A crise expõe, mais uma vez, a complexidade de um tabuleiro onde as alianças se sobrepõem e as promessas se mostram frágeis sob o fogo.
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