
Enquanto EUA eliminam elétrico acessível, SUVs de luxo e marcas chinesas redefinem o mercado global
A descontinuação do Chevrolet Bolt, o EV mais barato dos Estados Unidos, contrasta com a expansão acelerada de SUVs híbridos e elétricos de fabricantes chineses e alemães em todos os continentes.
O anúncio da General Motors de que o Chevrolet Bolt — o veículo elétrico mais acessível do mercado norte-americano, com preço inicial inferior a 28 mil dólares — terá produção limitada e será novamente descontinuado altera o equilíbrio da oferta de entrada nos EUA. A decisão, justificada pela transição da fábrica de Kansas City para SUVs compactos como o Buick e o Equinox, ocorre num momento em que as vendas de elétricos acessíveis perdem espaço para modelos de maior margem. O Bolt, com 262 milhas de autonomia e dimensões compactas, era apontado por analistas como uma solução prática para a mobilidade urbana, mas sucumbe à preferência do consumidor norte-americano por pick-ups e SUVs.
Na América Latina, o movimento é inverso: a chegada de SUVs híbridos plug-in de marcas chinesas redefine a competição. O Chery Tiggo 9, com até 1.400 km de autonomia combinada e três filas de assentos, desembarcou na Colômbia equipado com sistemas de assistência à condução e interior de alta densidade tecnológica. A DFSK, do grupo SERES, apresentou em Hong Kong a versão com volante à direita do E5 PLUS, modelo híbrido com alcance de 1.200 km, otimizado para os mercados da Indonésia, Tailândia e Malásia, com interface em múltiplos idiomas e integração com CarPlay. A Jetour celebrou 500 mil unidades do T2 em 33 meses, tornando-o o SUV de estilo boxy mais rápido a atingir a marca, e prepara o lançamento da variante híbrida plug-in i-DM no segundo semestre, com 600 Nm de torque e mais de 140 km em modo elétrico.
Na Europa, a eletrificação avança em múltiplas frentes. A BMW conclui os testes da quinta geração do X5, que pela primeira vez oferecerá cinco tipos de motorização: elétrica pura (iX5 com bateria de até 144 kWh), hidrogénio (iX5 Hydrogen prevista para 2028), mild-hybrid a gasolina e diesel, e híbrida plug-in. O modelo incorpora o sistema de controlo dinâmico “Heart of Joy” e assistentes de condução de nível 2. A Hyundai atualizou o Santa Fe 2026 com motorização híbrida mais potente e chave digital NFC, mantendo o design angular que divide opiniões mas reforça a identidade do SUV de sete lugares. A Kia confirmou a versão de sete assentos do PV5 Passenger, um veículo elétrico de plataforma plana com porta deslizante e autonomia superior a 242 milhas, voltado para famílias e serviços de transporte.
O Japão mantém a aposta nos kei cars, mas também ensaia incursões elétricas de personalidade. A Honda revelou o pequeno Super-N para o Reino Unido, derivado do N-ONE elétrico, com 128 milhas de autonomia e preço abaixo de 19 mil libras, mas suspensão excessivamente firme. No mercado doméstico, o N-BOX, líder de vendas há 11 anos, recebeu uma atualização ligeira com novos acabamentos e conectividade Honda CONNECT, preservando os motores de 0,66 litros. Fora do setor automóvel, a Steelcase inaugurou um showroom emblemático em Chennai, na Índia, em parceria com a Reflections, expandindo a sua rede de soluções para espaços de trabalho num país que observa crescimento de start-ups e organizações globais.
Os próximos marcos incluem a entrada em produção do BMW iX5 em Spartanburg, o início das vendas do DFSK E5 PLUS com volante à direita na Indonésia e em Hong Kong, e a decisão da Honda sobre a produção do Super-N com volante à esquerda para a Europa continental, que dependerá da reação do mercado britânico.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A indústria automóvel está a eliminar os pequenos elétricos acessíveis como o Bolt, apesar de serem práticos e apreciados. Os consumidores são empurrados para SUVs mais caros e de margens elevadas, criando um paradoxo entre a retórica verde e as escolhas de mercado. Fica uma sensação de perda para quem só quer um carro elétrico simples e económico.
O mercado celebra a chegada de SUVs e pick-ups cada vez mais luxuosos, potentes e tecnologicamente avançados, com motorizações híbridas plug-in que prometem autonomias recorde. Estes veículos representam o auge da aspiração e do progresso, não um paradoxo. A tendência é para mais conforto, mais eletrónica e mais presença na estrada.
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