
G7 exige cessar-fogo imediato no Líbano e endossa acordo nuclear com o Irã
Reunidos em França, líderes das sete maiores economias condicionam a paz regional ao desarmamento do Hezbollah e celebram o pacto que pode reabrir o Estreito de Ormuz.
O Grupo dos Sete (G7) emitiu uma declaração conjunta nesta quarta-feira, 17 de junho, ao término da cúpula em Évian-les-Bains, na França, exigindo um cessar-fogo imediato e robusto no Líbano. O comunicado vincula a trégua entre Israel e a milícia xiita Hezbollah ao esforço mais amplo de estabilização do Oriente Médio, saudando simultaneamente o acordo provisório firmado entre os Estados Unidos e o Irã. Os líderes das sete maiores economias do mundo — incluindo a anfitriã França, os EUA, o Reino Unido, a Alemanha, o Japão, a Itália e o Canadá — manifestaram apoio inequívoco ao pacto que visa conter o programa nuclear iraniano e pôr fim a um conflito que já vitimou mais de 7 mil pessoas, sobretudo em território iraniano e libanês.
O texto da declaração, divulgado no encerramento do encontro, sublinha a necessidade de 'proteger a integridade territorial e a soberania do Líbano com as garantias de segurança internacional adequadas', ao mesmo tempo que respalda os esforços da liderança libanesa para desarmar o Hezbollah e eliminar o monopólio de armas no país. A iniciativa ocorre num momento em que os combates entre Israel e o grupo xiita ameaçam inviabilizar o acordo mais amplo mediado por Washington e Teerã, cujos detalhes finais ainda estão a ser negociados e devem ser formalmente anunciados na sexta-feira, possivelmente na vizinha Suíça. O pacto prevê a reabertura do estratégico Estreito de Ormuz — por onde escoa cerca de um quinto do petróleo mundial — e o lançamento de conversações para um entendimento definitivo.
Na perspetiva de Brasília, o alívio das tensões no Golfo Pérsico é observado com atenção, dado o impacto direto sobre os preços internacionais do petróleo e a estabilidade dos mercados emergentes. O Brasil, como grande produtor de crude, beneficia de um ambiente de preços elevados, mas a volatilidade geopolítica prejudica o planeamento de longo prazo da Petrobras e de outras exportadoras lusófonas, como Angola. Observadores em Lisboa notam que o endosso do G7 ao acordo — ainda que sob a liderança controversa de Donald Trump — reforça a coesão transatlântica em torno da não proliferação nuclear, uma prioridade partilhada pela diplomacia portuguesa no âmbito da União Europeia.
Os líderes do G7 comprometeram-se ainda a diversificar as rotas de abastecimento energético para reduzir a dependência do Estreito de Ormuz, uma medida que ecoa as preocupações de segurança energética manifestadas por países lusófonos como Moçambique, que procura posicionar-se como fornecedor alternativo de gás natural liquefeito. A declaração reconhece o acordo com o Irã como uma 'oportunidade histórica', mas evita detalhar os mecanismos concretos de verificação do desarmamento do Hezbollah ou do programa nuclear iraniano, lacunas que geram ceticismo em setores do Congresso norte-americano e entre analistas internacionais.
Apesar do tom otimista, o comunicado do G7 reflete a complexidade de uma região onde as alianças se sobrepõem. O sucesso do cessar-fogo libanês dependerá da capacidade de Teerã — tradicional patrono do Hezbollah — de conter a milícia, ao mesmo tempo que negocia o alívio das sanções económicas que asfixiam a sua economia. Para as nações lusófonas com interesses no Golfo, como Portugal, que mantém relações diplomáticas estáveis com o Irã, o acordo representa uma janela para a estabilização dos fluxos comerciais. Contudo, a desconfiança mútua e a fragilidade dos compromissos assumidos até agora sugerem que o caminho até uma paz duradoura ainda exigirá uma diplomacia minuciosa e garantias internacionais robustas.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O G7 pressiona Israel para aceitar um cessar-fogo imediato no Líbano, ao mesmo tempo que acolhe com satisfação o acordo entre EUA e Irã. A ênfase está no desarmamento do Hezbollah e na proteção da soberania libanesa, mas ressalta-se que a maioria dos líderes nunca endossou a guerra.
Os líderes do G7 exigem um cessar-fogo imediato no Líbano e acolhem o acordo provisório entre EUA e Irã. A declaração conjunta destaca a necessidade de diversificar as rotas de abastecimento energético para reduzir a dependência do Estreito de Ormuz, em meio a combates renovados que ameaçam o entendimento.
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