
Riqueza financeira das famílias bate recorde, mas endividamento acende alertas globais
Enquanto o patrimônio financeiro atinge máximos históricos na Espanha, a carga de dívidas sobe na Colômbia e a inadimplência dispara na Argentina, levando governos a lançar planos de alívio.
A riqueza financeira líquida das famílias espanholas atingiu 2,66 bilhões de euros no primeiro trimestre de 2026, um máximo histórico impulsionado pela valorização de ações e fundos, segundo o Banco de Espanha. O endividamento caiu para 42,5% do PIB, o nível mais baixo desde 1999. Contudo, este retrato contrasta com a pressão crescente noutras economias. Na Colômbia, a carga financeira dos lares subiu para 27,4% do rendimento, um reponte que o banco central associa à aceleração do crédito e à queda da poupança. Em Buenos Aires, a inadimplência em cartões e empréstimos pessoais bateu recordes, desencadeando planos de emergência.
A raiz do problema está no ciclo de crédito. A expansão durante a pandemia, com juros baixos, elevou o endividamento. A inflação e o aperto monetário posteriores encareceram o serviço da dívida e comprimiram o rendimento disponível. Em Israel, 63% dos ativos financeiros detidos diretamente pelas famílias estão em depósitos e contas à ordem com remuneração quase nula, o que, segundo analistas em Telavive, reflete uma aversão ao risco que corrói o poder de compra. Nos Estados Unidos, a complexidade jurídica das dívidas conjuntas em cartões agrava a situação em divórcios, pois os credores não estão vinculados aos acordos e podem cobrar qualquer titular.
As respostas variam. Na Argentina, a cidade de Buenos Aires aprovou um programa de desendividamento com taxa máxima de 35% ao ano e prazo mínimo de 24 meses. O Banco da Província de Buenos Aires oferece planos de até 72 prestações, e o Banco Nación alargou prazos para 120 meses, com taxas a partir de 12% para clientes com conta-salário. Em Santa Fé e Corrientes, governos provinciais lançaram iniciativas de proteção de rendimentos. Na Colômbia, o banco central advertiu que o risco de crédito volta a ser um foco, mas sem medidas de alívio generalizado. Em Moscovo, economistas recomendam começar por uma reserva de emergência em depósitos e, depois, considerar obrigações do Estado.
A trajetória dependerá da inflação e das decisões dos bancos centrais. O Banco de la República projeta crescimento de 2,4% em 2026, mas alerta que o consumo pode ser travado pelo endividamento excessivo. Em Espanha, a riqueza concentrada em ativos de risco está vulnerável a correções. O próximo marco será a divulgação dos relatórios de estabilidade financeira do segundo semestre, que indicarão se os programas de refinanciamento estão a conter a deterioração do crédito ou se a pressão sobre as famílias se intensifica.
| Imprensa latino-americana | −0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa europeia continental | −0.30 | critical |
| Imprensa russa e CEI | +0.10 | neutral |
| Imprensa israelense | −0.40 | critical |
O Banco Central da Colômbia alerta que as famílias destinam 27% da renda ao pagamento de dívidas, um sinal de fragilidade financeira.
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