
Exportações dos EUA a Cuba disparam por brecha legal, enquanto turismo desaba sob sanções
Vendas americanas à ilha triplicam em 2026, mas visitantes estrangeiros caem 58%; Havana estuda reformas ao estilo chinês para evitar colapso.
A relação entre Washington e Havana vive um momento de profundos contrastes. Dados comerciais inéditos revelam que as exportações dos Estados Unidos para Cuba quase triplicaram nos primeiros meses de 2026, impulsionadas por uma brecha legal que permite o envio de combustíveis, alimentos, eletrodomésticos e até veículos sem violar diretamente as sanções endurecidas por Donald Trump. Ao mesmo tempo, o setor turístico da ilha — vital para a sua economia — sofre uma contração histórica: a chegada de visitantes estrangeiros despencou 58% entre janeiro e maio face ao mesmo período do ano anterior, totalizando menos de 360 mil pessoas, segundo o instituto nacional de estatísticas cubano. A administração Trump direcionou a pressão especificamente contra o turismo, levando cadeias hoteleiras e companhias aéreas estrangeiras a suspender operações, num esforço para asfixiar financeiramente o regime comunista.
Perante o agravamento da crise, os dirigentes cubanos preparam uma viragem estratégica. O comité central do Partido Comunista reúne-se esta semana para avaliar propostas de transformação económica que incluem maior autonomia para municípios e empresas estatais, redução do peso do Estado e abertura a investidores estrangeiros. O presidente Miguel Díaz-Canel afirmou que o governo tem estudado os modelos da China e do Vietname, países que mantiveram sistemas políticos unipartidários enquanto abraçavam reformas de mercado. A pressão externa é o catalisador: a saída de operadores hoteleiros internacionais e a suspensão de voos, como os da Air Canada, agravaram a escassez de divisas e o isolamento da ilha.
Paralelamente, Washington recorre a novos instrumentos de coerção diplomática. O Departamento de Estado emitiu um alerta a uma empresa estrangeira não identificada por alegado “tráfico de propriedades confiscadas” em Cuba, ameaçando os seus dirigentes com restrições de vistos. A medida, anunciada pelo secretário de Estado Marco Rubio, insere-se numa estratégia mais ampla que visa dissuadir qualquer envolvimento comercial com bens expropriados após a revolução de 1959. Enquanto isso, o comércio dos EUA com o México atinge máximos históricos — as exportações superaram 35 mil milhões de dólares em abril —, evidenciando uma política externa seletiva que combina sanções punitivas a adversários ideológicos com integração económica pragmática com parceiros estratégicos.
Observadores em Brasília e Lisboa acompanham com atenção os desdobramentos. Para o Brasil, a eventual abertura da economia cubana pode gerar oportunidades de investimento em setores como energia e agricultura, mas também acirrar a competição com a China, que já é o principal parceiro comercial da ilha. Em Portugal, onde laços históricos e empresariais com Cuba permanecem, o colapso do turismo preocupa operadores hoteleiros e exportadores de bens alimentares. Nos países africanos de língua oficial portuguesa, a situação é seguida com interesse devido à longa cooperação médica e militar cubana, que poderá ser afetada se a crise se aprofundar. A dúvida central é se as reformas em discussão representam uma mudança estrutural ou apenas um ajuste tático para aliviar a pressão imediata, enquanto a ilha se equilibra entre o garrote americano e a sedução do modelo asiático.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Embora as sanções americanas tenham arrasado o turismo cubano, as exportações dos EUA para a ilha dispararam graças a uma brecha comercial, levando combustível, alimentos, eletrodomésticos e veículos. Ao mesmo tempo, os líderes cubanos estudam reformas econômicas inspiradas na China e no Vietnã para atrair investimento estrangeiro e reduzir o peso do Estado.
As sanções americanas paralisaram o turismo cubano: as chegadas estrangeiras despencaram 58% nos primeiros cinco meses de 2026, ficando abaixo de 360.000 visitantes. O aperto das restrições por Washington é apontado diretamente como a causa do colapso, com companhias aéreas e operadoras hoteleiras deixando a ilha.
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