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Geopolítica & Políticaquarta-feira, 17 de junho de 2026

Guterres pede perdão no Haiti enquanto Sudão atinge fome recorde

Secretário-geral da ONU visita Porto Príncipe e reconhece abandono internacional, ao mesmo tempo que novo relatório revela 21 milhões de sudaneses em insegurança alimentar aguda.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, visitou na terça-feira um Haiti devastado pela violência das gangues e pediu desculpas às vítimas pelo que classificou como «abandono» da comunidade internacional. Numa antiga escola de Porto Príncipe convertida em abrigo para mais de 1.250 deslocados, Guterres ouviu de uma mãe de quatro filhos o relato de dezenas de pessoas amontoadas num único quarto, sem qualquer privacidade. «Lamento profundamente que o mundo não tenha conseguido mobilizar-se para aliviar o vosso sofrimento», afirmou, enquanto novos dados da ONU revelavam que 1,5 milhões de haitianos estão desalojados — mais de um décimo da população — e que 2.300 foram mortos este ano, além de uma centena de raptos, entre os quais o diretor de gabinete do Ministério da Defesa, James Boyard.

A visita de um dia coincidiu com os preparativos finais da força multinacional aprovada pelo Conselho de Segurança para combater as gangues que asfixiam a capital. Guterres inspecionou o destacamento liderado pelo Quénia, que deverá iniciar operações nas próximas semanas, mas a lentidão e o subfinanciamento da resposta internacional continuam a agravar uma crise que já deixou comunidades inteiras à mercê de grupos armados. A perspetiva de Brasília, com a experiência brasileira no comando da Minustah entre 2004 e 2017, sublinha que o sucesso de qualquer intervenção dependerá menos do poder de fogo e mais da reconstrução das instituições de segurança haitianas.

Enquanto os holofotes se concentravam em Porto Príncipe, o Sudão enfrenta uma catástrofe silenciosa de escala ainda maior. A responsável do Conselho Norueguês para Refugiados, Matilde Fou, alertou que 33,7 milhões de pessoas necessitarão de ajuda humanitária no país este ano — o valor mais alto do mundo — e que 14 milhões já foram forçadas a deslocar-se. Mais de 21 milhões de sudaneses, quase metade da população, vivem em insegurança alimentar aguda, com condições de fome confirmadas em zonas de Darfur e Cordofão. A escassez de financiamento internacional, sublinhou Fou, está a impor «escolhas quase impossíveis» às organizações no terreno, num contexto em que o conflito armado, a deslocação massiva e as restrições de acesso humanitário se sobrepõem.

Observadores em Lisboa notam que a justaposição das duas crises expõe a dificuldade das Nações Unidas em manter uma atenção equilibrada sobre emergências concorrentes. Enquanto o Haiti mobiliza uma força internacional específica, o Sudão — com uma população muito superior e níveis de fome catastróficos — continua a receber recursos insuficientes. A comunidade lusófona, com laços históricos e linguísticos em África, acompanha com particular preocupação o agravamento da situação sudanesa, temendo um colapso regional que ecoe as crises do Sahel. Para Guterres, o desafio é duplo: garantir que a nova missão haitiana não se torne mais uma promessa vazia e, simultaneamente, reacender a solidariedade global para com o Sudão, onde o silêncio diplomático ameaça transformar uma guerra esquecida numa tragédia geracional.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Enquanto a atenção global está em outro lugar, o Sudão afunda em uma catástrofe humanitária silenciosa: 21 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar aguda, 33,7 milhões precisam de ajuda e 14 milhões foram deslocados. A comunidade internacional permanece em grande parte inerte diante de uma crise que se agrava a cada dia.

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Ao visitar o Haiti, o Secretário-Geral da ONU pediu perdão às mulheres deslocadas pela violência dos grupos armados, reconhecendo o abandono da comunidade internacional. A ONU alerta que o Haiti vive a crise mais severa do hemisfério ocidental, com 6,4 milhões de pessoas precisando de ajuda e 1,5 milhão de deslocados.

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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Guterres pede perdão no Haiti enquanto Sudão atinge fome recorde

Secretário-geral da ONU visita Porto Príncipe e reconhece abandono internacional, ao mesmo tempo que novo relatório revela 21 milhões de sudaneses em insegurança alimentar aguda.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, visitou na terça-feira um Haiti devastado pela violência das gangues e pediu desculpas às vítimas pelo que classificou como «abandono» da comunidade internacional. Numa antiga escola de Porto Príncipe convertida em abrigo para mais de 1.250 deslocados, Guterres ouviu de uma mãe de quatro filhos o relato de dezenas de pessoas amontoadas num único quarto, sem qualquer privacidade. «Lamento profundamente que o mundo não tenha conseguido mobilizar-se para aliviar o vosso sofrimento», afirmou, enquanto novos dados da ONU revelavam que 1,5 milhões de haitianos estão desalojados — mais de um décimo da população — e que 2.300 foram mortos este ano, além de uma centena de raptos, entre os quais o diretor de gabinete do Ministério da Defesa, James Boyard.

A visita de um dia coincidiu com os preparativos finais da força multinacional aprovada pelo Conselho de Segurança para combater as gangues que asfixiam a capital. Guterres inspecionou o destacamento liderado pelo Quénia, que deverá iniciar operações nas próximas semanas, mas a lentidão e o subfinanciamento da resposta internacional continuam a agravar uma crise que já deixou comunidades inteiras à mercê de grupos armados. A perspetiva de Brasília, com a experiência brasileira no comando da Minustah entre 2004 e 2017, sublinha que o sucesso de qualquer intervenção dependerá menos do poder de fogo e mais da reconstrução das instituições de segurança haitianas.

Enquanto os holofotes se concentravam em Porto Príncipe, o Sudão enfrenta uma catástrofe silenciosa de escala ainda maior. A responsável do Conselho Norueguês para Refugiados, Matilde Fou, alertou que 33,7 milhões de pessoas necessitarão de ajuda humanitária no país este ano — o valor mais alto do mundo — e que 14 milhões já foram forçadas a deslocar-se. Mais de 21 milhões de sudaneses, quase metade da população, vivem em insegurança alimentar aguda, com condições de fome confirmadas em zonas de Darfur e Cordofão. A escassez de financiamento internacional, sublinhou Fou, está a impor «escolhas quase impossíveis» às organizações no terreno, num contexto em que o conflito armado, a deslocação massiva e as restrições de acesso humanitário se sobrepõem.

Observadores em Lisboa notam que a justaposição das duas crises expõe a dificuldade das Nações Unidas em manter uma atenção equilibrada sobre emergências concorrentes. Enquanto o Haiti mobiliza uma força internacional específica, o Sudão — com uma população muito superior e níveis de fome catastróficos — continua a receber recursos insuficientes. A comunidade lusófona, com laços históricos e linguísticos em África, acompanha com particular preocupação o agravamento da situação sudanesa, temendo um colapso regional que ecoe as crises do Sahel. Para Guterres, o desafio é duplo: garantir que a nova missão haitiana não se torne mais uma promessa vazia e, simultaneamente, reacender a solidariedade global para com o Sudão, onde o silêncio diplomático ameaça transformar uma guerra esquecida numa tragédia geracional.

Divergência das fontes

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Quanto as fontes relatam os mesmos fatos de maneira diferente.

Como se dividem

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Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Enquanto a atenção global está em outro lugar, o Sudão afunda em uma catástrofe humanitária silenciosa: 21 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar aguda, 33,7 milhões precisam de ajuda e 14 milhões foram deslocados. A comunidade internacional permanece em grande parte inerte diante de uma crise que se agrava a cada dia.

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Ao visitar o Haiti, o Secretário-Geral da ONU pediu perdão às mulheres deslocadas pela violência dos grupos armados, reconhecendo o abandono da comunidade internacional. A ONU alerta que o Haiti vive a crise mais severa do hemisfério ocidental, com 6,4 milhões de pessoas precisando de ajuda e 1,5 milhão de deslocados.

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