
Negociações comerciais EUA-Índia entram na reta final com exigência de vantagem tarifária
Enquanto o representante comercial americano chega a Nova Deli, a Índia procura um acordo que lhe dê vantagem sobre rivais asiáticos, num contexto de reconfiguração das cadeias globais de abastecimento.
A chegada a Nova Deli do representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, para dois dias de conversações marca a entrada na fase decisiva das negociações de um acordo comercial interino entre as duas maiores democracias do mundo. O objetivo é concluir a primeira etapa do Acordo Comercial Bilateral (BTA, na sigla em inglês) antes de 24 de julho, quando expira a tarifa temporária de 10% imposta por Washington a todos os parceiros comerciais. O ministro do Comércio indiano, Piyush Goyal, afirmou que o país procura garantir uma "vantagem comparativa" em relação a economias asiáticas concorrentes, como o Vietname e o Bangladeche, e obter garantias de que os EUA não imporão novas tarifas após a assinatura do pacto.
Na perspetiva de Washington, as conversações visam um comércio "justo, equilibrado e recíproco", segundo o gabinete de Greer. Contudo, as negociações são complicadas por uma investigação ao abrigo da Secção 301 da lei comercial norte-americana, que alega excesso de capacidade industrial e trabalho forçado em vários países, incluindo a Índia. Analistas em Nova Deli consideram que esta investigação está a ser usada para pressionar a abertura do mercado indiano a produtos agrícolas e a compras de energia e equipamento de defesa. Em fevereiro, as partes tinham acordado um quadro que previa tarifas de 18% sobre as exportações indianas, abaixo das aplicadas a concorrentes como o Bangladeche e o Vietname, mas o progresso estagnou depois de o Supremo Tribunal dos EUA ter invalidado as tarifas globais abrangentes decretadas pelo Presidente Donald Trump.
O setor têxtil indiano ilustra os riscos. A proposta de tarifas adicionais de até 12,5% sobre importações de países com preocupações de trabalho forçado, incluindo a Índia, a China e o Vietname, ameaça as exportações indianas de vestuário, avaliadas em 15,8 mil milhões de dólares. De acordo com executivos do setor citados pela imprensa indiana, a medida não confere vantagem competitiva face à China e pode corroer margens já reduzidas, com custos de conformidade a aumentar entre 3% e 5%. Enquanto isso, outros países em desenvolvimento aceleram a diversificação comercial. Em Brasília, o governo Lula procura reequilibrar a balança comercial reduzindo a dependência dos EUA e da China, tendo concluído um acordo com a Associação Europeia de Comércio Livre (EFTA) e iniciado negociações com o Canadá e o Japão. O Mercosul anunciou progressos num entendimento com o Canadá, e as vendas brasileiras para aquele país cresceram 23,4% entre janeiro e maio.
A reconfiguração das cadeias de abastecimento também se reflete na Ásia e em África. A Câmara de Comércio da Indonésia deslocou-se a Pequim para impulsionar o comércio bilateral, atualmente abaixo do da Malásia e do Vietname, enquanto Marrocos corteja investidores chineses com a sua nova Carta de Investimento e os projetos ligados ao Mundial de 2030. O prazo de 24 de julho confere urgência às conversações em Nova Deli, mas a sobreposição de investigações comerciais e a exigência indiana de um tratamento preferencial tornam o desfecho incerto. As conversações desta semana deverão definir se o acordo interino será finalizado ou se as negociações se prolongarão para além do fim do regime tarifário temporário.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A Índia está a pressionar para finalizar um acordo comercial com os Estados Unidos que lhe dê uma vantagem tarifária sobre concorrentes asiáticos como o Vietname e o Bangladesh. Nova Deli procura também garantias de que Washington não imporá novas tarifas após o acordo, enquanto os exportadores de vestuário receiam que as propostas de tarifas laborais corroam as suas margens já reduzidas.
A visita do representante comercial dos EUA a Nova Deli constitui um último esforço para concluir um acordo comercial provisório, com a Índia a procurar condições tarifárias melhores do que as concedidas a outras economias asiáticas. Ambos os lados trabalham para reparar relações tensas, num pano de fundo de recentes encontros de alto nível e incidentes de segurança regionais.
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