
Excesso de trabalho e pouco sono aceleram envelhecimento, indica nova ciência do bem-estar
Estudos recentes mostram que dormir menos de seis horas ou mais de oito acelera o relógio biológico, enquanto o exercício físico se consolida como terapia para doenças crónicas.
A análise de dados de centenas de milhares de voluntários do UK Biobank, publicada na revista Nature Aging, revela uma curva em U: dormir entre 6,5 e 8 horas por noite está associado a um envelhecimento biológico mais lento de órgãos como cérebro, fígado e pâncreas. Tanto a privação de sono (menos de seis horas) como o excesso (mais de oito) aceleram os relógios biológicos, com um aumento do risco de mortalidade por todas as causas de cerca de 50% e 40%, respetivamente. A descoberta desafia a cultura que glorifica a exaustão e o sacrifício do descanso em nome da produtividade.
O sono insuficiente altera a regulação hormonal, reduz a sensibilidade à insulina e ativa o sistema de stress, enquanto o sono excessivo pode ser um marcador precoce de doença. Paralelamente, a investigação sobre produtividade mostra que jornadas excessivas são contraproducentes. Um estudo clássico do Instituto de Tecnologia de Illinois, nos EUA, já indicava que cientistas que trabalhavam 35 horas por semana eram menos produtivos do que os que trabalhavam 20 horas, e os que chegavam a 60 horas eram os menos produtivos de todos. Dados mais recentes da Asana revelam que 60% do tempo dos trabalhadores do conhecimento é gasto em coordenação e tarefas superficiais, restando apenas 9% para trabalho estratégico.
A Organização Mundial da Saúde estima que 1,28 mil milhões de adultos vivem com hipertensão, e quase metade não sabe. Em resposta, a American Heart Association e a Mayo Clinic recomendam a automedição com tensiómetros automáticos de braço, e um estudo da Universidade de Edimburgo com quase 450 mil pacientes mostrou que o autocontrolo digital melhorou os valores e reduziu eventos cardiovasculares. No campo do exercício, a Liga Europeia contra o Reumatismo (EULAR) reforçou em 2025 a atividade física como parte do tratamento padrão para artrite e artrose, com benefícios que vão além das articulações, reduzindo a fadiga e o risco cardiovascular. Para maiores de 60 anos, o exercício aquático ganha destaque: um programa de três meses melhorou agilidade, força e equilíbrio em mulheres idosas, segundo estudo dos National Institutes of Health dos EUA.
A convergência destas evidências está a redefinir as recomendações de saúde pública. Especialistas em cardiologia, como o professor Vagner Vinicius Ferreira, do Hospital Mantevida em Brasília, sublinham que a combinação de medicação e exercício é benéfica para hipertensos, mas alertam para a necessidade de respeitar os limites do corpo. Na perspetiva de Lisboa, observadores notam que as diretrizes europeias incorporam cada vez mais a personalização do sono e da atividade física. O próximo marco será a atualização das orientações da EULAR e a publicação de novos estudos sobre a relação entre densidade muscular e risco cardíaco, atualmente em fase preliminar no Reino Unido.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Um grande estudo na Nature Aging mostra que dormir muito pouco ou muito acelera o envelhecimento biológico. A prevenção integrada passa, assim, por um sono regular e moderado, sem excessos.
Um estudo de uma professora britânica revela que músculos fortes do peito e das costas reduzem o risco de ataque cardíaco, independentemente de outros fatores. A prevenção integrada inclui, portanto, o fortalecimento muscular direcionado.
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