Entrar
Edição das 20:00 CETsábado, 4 de julho de 2026
311 veículos · 17 idiomas37 briefing hoje
Ciência e Saúdequarta-feira, 1 de julho de 2026

Célula sintética completa ciclo de vida, mas está longe de ser considerada viva

Protótipo batizado de SpudCell alimenta-se, cresce e replica-se por várias gerações, aproximando a biologia sintética de organismos artificiais, enquanto outros grupos modificam parasitas para administrar fármacos.

Investigadores da Universidade de Minnesota construíram, a partir de componentes químicos não vivos, uma célula sintética capaz de se alimentar, crescer, copiar o seu genoma e dividir-se ao longo de múltiplas gerações. O protótipo, denominado SpudCell, representa o primeiro sistema celular criado de raiz (abordagem bottom-up) a completar ciclos sucessivos de crescimento e divisão, segundo um manuscrito divulgado a 1 de julho, ainda não revisto por pares. A estrutura, com um genoma mínimo de 90 mil pares de bases distribuídos por sete plasmídeos, não é considerada viva, mas demonstra que funções básicas associadas à vida não dependem de um “impulso mágico”, nas palavras da líder do projeto, Kate Adamala.

A SpudCell é montada a partir de cerca de 150 a 200 moléculas, incluindo lípidos que formam membranas, proteínas e genes de um vírus e da bactéria E. coli. Ao contrário das células naturais, não possui citoesqueleto: a divisão ocorre por acumulação de proteínas na superfície da membrana até que a tensão mecânica a rompa. A grande limitação atual é a dependência de ribossomas fornecidos externamente, o que restringe cada linhagem a cinco a dez gerações. Ainda assim, os investigadores introduziram uma modificação genética que aumentou a produção de uma proteína de fusão, resultando em células que cresceram mais depressa e geraram mais descendentes — um comportamento análogo à seleção natural.

Este avanço insere-se num momento de aceleração da biologia sintética. Na mesma semana, um estudo publicado na Nature Communications por cientistas da Universidade de Washington em St. Louis mostrou que é possível modificar geneticamente ancilostomídeos (hookworms) com CRISPR para produzirem anticorpos terapêuticos no interior de hamsters, uma prova de conceito para “fábricas vivas” de medicamentos. Em paralelo, start-ups biotecnológicas exploram a edição epigenética para silenciar ou reativar genes sem cortar o ADN, com programas experimentais dirigidos a doenças como colesterol elevado e distrofia muscular. Observadores europeus, como Yuval Elani, do Imperial College de Londres, consideram a SpudCell “um verdadeiro marco”, mas sublinham que ainda não se trata de vida.

Os próximos passos incluem dotar a SpudCell da capacidade de fabricar os seus próprios ribossomas e estabilizar o genoma, metas para as quais a equipa criou a plataforma colaborativa aberta Biotic. O manuscrito será submetido para publicação com revisão de pares, enquanto o grupo dos ancilostomídeos trabalha para aumentar a produção de proteínas terapêuticas. A comunidade científica lusófona, com grupos ativos em biologia sintética no Brasil e em Portugal, acompanha estes desenvolvimentos, que prometem novas ferramentas para compreender a origem da vida e para aplicações que vão da captura de carbono à produção de fármacos.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

2 grupos editoriais · 2 idiomas

39%
TomTemperaturaFocoPosicionamentoHorizonte
Imprensa atlântica / anglosferaImprensa europeia continental
Imprensa atlântica / anglosfera
TriunfoPragmatismo

The synthetic cell SpudCell represents a historic breakthrough in synthetic biology, demonstrating self-replication without traditional biological constraints. This achievement opens new frontiers for biotechnology and medicine, though some caution about ethical boundaries is noted.

Imprensa europeia continental
CeticismoIndignação

SpudCell raises profound ethical questions about playing God and the definition of life. European regulators must urgently consider the implications of creating synthetic organisms capable of autonomous reproduction.

Amplie o olhar

Ler mais
Últimas notícias
Salários reais sobem na Argentina; indústria brasileira encolhe e acende alerta sobre recuperação·Joey Chestnut engole 66 cachorros-quentes e conquista 18.º título em dia de calor extremo·Sonhos, medos e milhões: um sábado de sorteios pelo mundo·Mundial 2026: cartão vermelho por gesto e alerta de abusos marcam fase a eliminar·Putin surge de uniforme militar e Moscovo fala em endurecimento da guerra·A identidade em duas malas: o cansaço de performar a própria vida·Argentina sobrevive a susto de Cabo Verde e avança com gol tardio no Mundial 2026·Com dois de Ounahi, Marrocos elimina Canadá e vai às quartas pela segunda vez seguida·Salários reais sobem na Argentina; indústria brasileira encolhe e acende alerta sobre recuperação·Joey Chestnut engole 66 cachorros-quentes e conquista 18.º título em dia de calor extremo·Sonhos, medos e milhões: um sábado de sorteios pelo mundo·Mundial 2026: cartão vermelho por gesto e alerta de abusos marcam fase a eliminar·Putin surge de uniforme militar e Moscovo fala em endurecimento da guerra·A identidade em duas malas: o cansaço de performar a própria vida·Argentina sobrevive a susto de Cabo Verde e avança com gol tardio no Mundial 2026·Com dois de Ounahi, Marrocos elimina Canadá e vai às quartas pela segunda vez seguida·
Atualizado 01:582 idiomas · 3 veículos
AnteriorCiência e SaúdePróximo
3 veículos|2 idiomas|3 min de leitura
quarta-feira, 1 de julho de 2026

Célula sintética completa ciclo de vida, mas está longe de ser considerada viva

Protótipo batizado de SpudCell alimenta-se, cresce e replica-se por várias gerações, aproximando a biologia sintética de organismos artificiais, enquanto outros grupos modificam parasitas para administrar fármacos.

Investigadores da Universidade de Minnesota construíram, a partir de componentes químicos não vivos, uma célula sintética capaz de se alimentar, crescer, copiar o seu genoma e dividir-se ao longo de múltiplas gerações. O protótipo, denominado SpudCell, representa o primeiro sistema celular criado de raiz (abordagem bottom-up) a completar ciclos sucessivos de crescimento e divisão, segundo um manuscrito divulgado a 1 de julho, ainda não revisto por pares. A estrutura, com um genoma mínimo de 90 mil pares de bases distribuídos por sete plasmídeos, não é considerada viva, mas demonstra que funções básicas associadas à vida não dependem de um “impulso mágico”, nas palavras da líder do projeto, Kate Adamala.

A SpudCell é montada a partir de cerca de 150 a 200 moléculas, incluindo lípidos que formam membranas, proteínas e genes de um vírus e da bactéria E. coli. Ao contrário das células naturais, não possui citoesqueleto: a divisão ocorre por acumulação de proteínas na superfície da membrana até que a tensão mecânica a rompa. A grande limitação atual é a dependência de ribossomas fornecidos externamente, o que restringe cada linhagem a cinco a dez gerações. Ainda assim, os investigadores introduziram uma modificação genética que aumentou a produção de uma proteína de fusão, resultando em células que cresceram mais depressa e geraram mais descendentes — um comportamento análogo à seleção natural.

Este avanço insere-se num momento de aceleração da biologia sintética. Na mesma semana, um estudo publicado na Nature Communications por cientistas da Universidade de Washington em St. Louis mostrou que é possível modificar geneticamente ancilostomídeos (hookworms) com CRISPR para produzirem anticorpos terapêuticos no interior de hamsters, uma prova de conceito para “fábricas vivas” de medicamentos. Em paralelo, start-ups biotecnológicas exploram a edição epigenética para silenciar ou reativar genes sem cortar o ADN, com programas experimentais dirigidos a doenças como colesterol elevado e distrofia muscular. Observadores europeus, como Yuval Elani, do Imperial College de Londres, consideram a SpudCell “um verdadeiro marco”, mas sublinham que ainda não se trata de vida.

Os próximos passos incluem dotar a SpudCell da capacidade de fabricar os seus próprios ribossomas e estabilizar o genoma, metas para as quais a equipa criou a plataforma colaborativa aberta Biotic. O manuscrito será submetido para publicação com revisão de pares, enquanto o grupo dos ancilostomídeos trabalha para aumentar a produção de proteínas terapêuticas. A comunidade científica lusófona, com grupos ativos em biologia sintética no Brasil e em Portugal, acompanha estes desenvolvimentos, que prometem novas ferramentas para compreender a origem da vida e para aplicações que vão da captura de carbono à produção de fármacos.

Divergência das fontes

Ciência e Saúde · 3 veículos · 2 idiomas

39%Média

Quanto as fontes relatam os mesmos fatos de maneira diferente.

Como se dividem

Favorável29%
Neutro28%
Crítico43%

Como a mesma história é contada em outros lugares.

2 grupos editoriais · 2 idiomas

TomTemperaturaFocoPosicionamentoHorizonte
Imprensa atlântica / anglosferaImprensa europeia continental
Imprensa atlântica / anglosfera
TriunfoPragmatismo

The synthetic cell SpudCell represents a historic breakthrough in synthetic biology, demonstrating self-replication without traditional biological constraints. This achievement opens new frontiers for biotechnology and medicine, though some caution about ethical boundaries is noted.

Imprensa europeia continental
CeticismoIndignação

SpudCell raises profound ethical questions about playing God and the definition of life. European regulators must urgently consider the implications of creating synthetic organisms capable of autonomous reproduction.

Esta notícia apareceu em

3 veículos · 2 idiomas

Amplie o olhar

De Geopolitics & Politics

Funeral de Khamenei atrai multidões e revela fraturas no Irão pós-guerra

11 idiomas · 44 veículos

De Economy & Markets

Brasil eleva projeção de vendas de veículos a 8,6%, enquanto Indonésia adia incentivos e Rússia avança com produção local

4 idiomas · 10 veículos

De Technology

Inteligência artificial força redefinição global do trabalho e da educação

8 idiomas · 12 veículos

Ler mais