
EUA preparam novas tarifas para 60 países enquanto taxa global de 10% expira
Washington substitui imposto temporário por taxas permanentes baseadas em investigações sobre trabalho forçado, com impacto em economias como Brasil, Canadá e União Europeia.
Os Estados Unidos preparam-se para anunciar, nos próximos dias, uma nova vaga de tarifas aduaneiras que poderá abranger cerca de 60 parceiros comerciais, substituindo o imposto global temporário de 10% que expira esta sexta-feira. A medida, antecipada pelo representante comercial Jamieson Greer, baseia-se em investigações sobre a alegada incapacidade desses países de combater o trabalho forçado nas suas cadeias de produção.
A ofensiva tarifária surge após um revés judicial: em fevereiro, o Supremo Tribunal dos EUA anulou grande parte das taxas impostas por Donald Trump em 2025, considerando inconstitucional a base legal utilizada. O presidente recorreu então à Secção 122 da Lei de Comércio, que permite uma sobretaxa de até 10% por um máximo de 150 dias — prazo que termina agora. Para dar carácter duradouro às novas tarifas, a administração invoca a Secção 301 da mesma lei, que autoriza medidas unilaterais contra práticas comerciais consideradas lesivas.
A proposta da Representação Comercial dos EUA (USTR) diferencia dois escalões: uma taxa de 12,5% para cerca de 45 economias que, segundo Washington, não dispõem de legislação que proíba a importação de bens produzidos com trabalho forçado — grupo que inclui China, Índia e Japão; e uma taxa reduzida de 10% para países que possuem leis mas cuja aplicação é considerada insuficiente, como Canadá, México, a União Europeia, Reino Unido, Equador, Indonésia e Paquistão. Na perspetiva de Bruxelas, as tarifas com esta justificação são “injustificadas”.
Em paralelo, Washington anunciou tarifas setoriais adicionais: 25% sobre uma série de produtos brasileiros, com entrada em vigor esta quarta-feira, em resposta a políticas que, alega, reduziram o acesso ao mercado brasileiro; e uma sobretaxa de 50% sobre muitas importações canadianas, a aplicar dentro de 30 dias, que Ottawa considera uma retaliação às suas próprias medidas de resposta. O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, afirmou avaliar “todas as opções” e acordou com Trump intensificar as negociações. No Brasil, a medida afeta mais de 11 mil milhões de dólares em exportações e surge a meses das eleições presidenciais, sendo vista como um ponto de tensão na campanha.
A concretização do novo pacote tarifário está prevista para os próximos dias, evitando um vazio entre o fim do regime temporário e a entrada em vigor das novas taxas. Greer indicou que as ações sobre trabalho forçado cobrirão a grande maioria do comércio norte-americano, mas não especificou uma data exata, condicionando o anúncio à notificação prévia do Congresso. As negociações no âmbito do acordo comercial norte-americano (USMCA) prosseguem, com o representante comercial a deslocar-se ao México esta semana, enquanto o diálogo com o Canadá avança a um ritmo mais lento.
| Imprensa latino-americana | −0.20 | neutral |
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| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.30 | critical |
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A Argentina e outros países latino-americanos sofrem as consequências das novas tarifas dos EUA, enquanto Washington tenta reavivar sua agenda comercial após reveses legais.
Ao destacar a inclusão da Argentina e os reveses legais, a narrativa cria um sentimento de vitimização e de alvo injusto, fazendo com que as tarifas pareçam uma imposição externa em vez de uma política legítima.
Não menciona o ceticismo sobre o motivo real das tarifas, apresentando-as como uma medida direta contra o trabalho forçado sem questionar a justificativa oficial.
Washington usa o pretexto do trabalho forçado para impor novas tarifas, enquanto analistas questionam a sinceridade da medida.
Ao usar a palavra 'ostensivamente' e citar analistas, a narrativa cria um quadro de suspeita e deslegitima a justificativa oficial, fazendo com que as tarifas pareçam uma manobra política em vez de uma ação de princípios.
Não menciona a inclusão de países específicos como Argentina, nem os reveses legais da Suprema Corte, concentrando-se no ceticismo.
O enviado comercial dos EUA anuncia novas tarifas por trabalho forçado, enquanto a tarifa global expira.
Ao apresentar as informações sem ceticismo ou ênfase, parece um relato jornalístico direto, ganhando credibilidade através da aparente objetividade.
Não inclui ceticismo sobre os motivos nem o impacto em países específicos, limitando-se a relatar o anúncio.
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