
Onda de pedágios digitais e privados avança na América Latina com tarifas em alta
Argentina, Colômbia, México e Brasil adotam modelos de cobrança eletrônica e concessões privadas, gerando reações de transportadores e novas formas de pagamento.
A tarifa do pedágio na ponte Rosario-Victoria, que conecta as províncias argentinas de Santa Fé e Entre Ríos, saltou até 773% para veículos de carga de oito eixos a partir de 21 de julho, enquanto o pagamento em dinheiro foi abolido. O aumento, que elevou o custo para automóveis de 1.043 para 5.061 pesos argentinos (cerca de 385%) para usuários do sistema eletrônico TelePASE, reflete a conclusão da primeira fase de obras pela concessionária privada Conexión Alto Delta, que investiu mais de 12 bilhões de pesos na reabilitação do corredor estratégico para o Mercosul.
A medida se insere no novo modelo da Rede Federal de Concessões do governo de Javier Milei, que transfere integralmente o risco de investimento e manutenção a operadores privados, eliminando subsídios estatais. Na prática, quem não aderir ao dispositivo de cobrança automática paga o dobro da tarifa, uma penalização que visa acelerar a digitalização das praças de pedágio. Observadores em Buenos Aires apontam que o modelo replica experiências de outros países da região, mas com impacto imediato nos custos logísticos de exportação, já que a rota é vital para o escoamento de grãos dos portos do Gran Rosario.
Na Colômbia, a digitalização e os reajustes também geram tensão. Transportadores do sudoeste antioquenho realizaram um protesto em 22 de julho no pedágio de Amagá, após a tarifa para veículos leves subir de 20.600 para 25.900 pesos colombianos (cerca de 20%). Os manifestantes argumentam que as obras de ampliação da via não justificam o aumento e que os constantes fechamentos da estrada prejudicam a mobilidade. Após o plantão, ficou acordada uma reunião para 24 de julho entre representantes do setor, a Agência Nacional de Infraestrutura e a concessionária Covipacífico, com o objetivo de revisar as condições do corredor.
Enquanto isso, o México avança na modernização sem atritos: a Secretaria de Infraestrutura, Comunicações e Transportes informou que todos os 1.050 carris das 129 praças de pedágio operadas pela CAPUFE já contam com o sistema eletrônico de telepeaje. A expectativa é reduzir gradualmente o uso de dinheiro e agilizar o cruzamento, com o pagamento automático a demorar cerca de 10 segundos, contra um minuto no modo tradicional. A ação é coordenada com a Agência de Transformação Digital e Telecomunicações, alinhada à estratégia do governo de Claudia Sheinbaum de modernizar a infraestrutura.
No Brasil, a inovação chega ao âmbito municipal: São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, sancionou lei que permite a contribuintes quitarem débitos tributários com criptomoedas, desde que convertidas em reais por intermediadoras credenciadas antes do repasse aos cofres públicos. A norma também cria o programa Bitcoin Cidadão, com ações educativas sobre finanças digitais. A medida, que não altera a forma de arrecadação municipal, insere a cidade no movimento de adoção de ativos digitais por governos locais, enquanto San Isidro, na Argentina, lançou um plano de regularização de dívidas municipais com descontos de até 50% para pagamentos online, reforçando a tendência de digitalização dos serviços públicos na região.
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