
Motsepe blinda Infantino e expõe fratura entre Europa e Sul Global na FIFA
Presidente da CAF defendeu o líder da FIFA e rejeitou ambições próprias, enquanto dirigentes europeus intensificam críticas à expansão do Mundial e às pausas para hidratação.
Em Joanesburgo, o presidente da Confederação Africana de Futebol (CAF), Patrice Motsepe, ofereceu uma defesa enfática de Gianni Infantino, classificando o presidente da FIFA como um “servo devoto” do futebol e amigo de África. A declaração, feita esta quarta-feira, surge num momento de crescente pressão sobre o dirigente suíço-italiano, contestado por decisões polémicas no Mundial de 2026 e pela proposta de expandir o torneio para 64 seleções.
A contestação ganhou corpo na Europa. Javier Tebas, presidente da LaLiga espanhola, afirmou que “o tempo de Infantino acabou” e acusou a FIFA de destruir a indústria do futebol com competições inchadas. As críticas centram-se no adiamento da suspensão do avançado norte-americano Folarin Balogun, nas pausas para hidratação introduzidas no torneio e no intervalo de 27 minutos na final — em que a Espanha derrotou a Argentina por 1-0 após prolongamento. Para Tebas, o sistema que permite uma década de liderança de Infantino está “podre pela raiz”.
Do outro lado do Atlântico, a narrativa é distinta. A CAF, com os seus 54 votos, e a CONMEBOL, que em abril foi a primeira confederação a apoiar publicamente a reeleição de Infantino, alinham-se com o dirigente. Motsepe sublinhou o aumento de vagas diretas para África — mais quatro lugares e uma vaga no playoff — que permitiu um recorde de dez seleções africanas no Mundial de 2026, coorganizado por EUA, México e Canadá. “Gianni teve um papel fundamental na expansão das oportunidades para as seleções africanas no palco global”, disse.
Motsepe, um dos homens mais ricos de África, aproveitou a ocasião para afastar especulações sobre um eventual regresso à política sul-africana ou uma candidatura à presidência da FIFA. “Não tenho desejo nem ambição de ser presidente da FIFA. Isso não me entusiasma”, afirmou, num momento em que o seu cunhado, Cyril Ramaphosa, enfrenta turbulência política na África do Sul. A sucessão na FIFA, contudo, aquece: Infantino deverá formalizar a candidatura a um quarto mandato em 2027, e a insatisfação europeia pode materializar-se num candidato alternativo.
Com o xadrez eleitoral a desenhar-se, o apoio explícito de Motsepe consolida a base de Infantino no Sul Global, mas expõe a fratura com as federações europeias. A eleição de março de 2027 promete ser o próximo grande confronto nos bastidores do futebol mundial, com o calendário e o tamanho do Mundial no centro do debate.
| Imprensa africana subsaariana | +0.70 | aligned |
|---|---|---|
| Imprensa latino-americana | −0.40 | critical |
Patrice Motsepe, uma voz de confiança no futebol africano, reafirma seu apoio a Infantino e rejeita quaisquer ambições políticas.
O bloco constrói credibilidade posicionando Motsepe como um insider autoritário que fala por experiência, desviando assim as críticas como desinformadas.
O bloco omite refutações detalhadas das críticas a Infantino, apresentando apenas a defesa de Motsepe sem abordar as queixas substanciais (ex. expansão da Copa do Mundo, pausas para hidratação).
Javier Tebas, uma voz do futebol comercial europeu, pede a renúncia de Infantino denunciando sua gestão, enquanto Motsepe tenta mediar.
O bloco cria um contraste entre duas vozes poderosas, usando a autoridade comercial de Tebas para questionar as decisões de Infantino, enquanto apresenta a defesa de Motsepe como uma perspectiva secundária e regional.
O bloco omite a negação de Motsepe a uma candidatura presidencial, elemento central na cobertura de outros blocos, concentrando-se na crítica a Infantino.
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