
Japão regista primeiros 'dias cruelmente quentes' com temperaturas acima de 40°C e múltiplas vítimas
Onda de calor extremo provoca hospitalizações em massa, mortes e leva Tóquio a flexibilizar código de vestuário, gerando debate sobre 'assédio por pelos nas pernas'.
O Japão viveu esta semana os primeiros dias oficialmente classificados como kokushobi — “dia cruelmente quente” —, depois de os termómetros em várias cidades do centro do país terem ultrapassado os 40°C. A Agência Meteorológica do Japão introduziu o termo em abril para designar jornadas com temperaturas iguais ou superiores a 40°C, com o objetivo de reforçar os alertas à população. Na terça-feira, as cidades de Tajimi, Gujo e Toyota atingiram esse patamar, e na quarta-feira os avisos de insolação foram alargados a 41 das 47 prefeituras do arquipélago, segundo as autoridades meteorológicas.
Os efeitos na saúde pública são já significativos. O corpo de bombeiros de Tóquio informou que 287 pessoas foram transportadas para hospitais na capital apenas na terça-feira, o número diário mais elevado do ano. A nível nacional, a Agência de Gestão de Incêndios e Catástrofes contabilizou 10.857 hospitalizações por insolação na semana anterior, um aumento de 2,4 vezes face à semana precedente, e confirmou 14 mortes. As vítimas são maioritariamente idosos: mais de 60% dos assistidos tinham 65 anos ou mais. As autoridades descreveram a situação como “um desastre” e insistiram na hidratação, no uso de ar condicionado e na redução das atividades ao ar livre.
A gravidade da vaga de calor levou o governo metropolitano de Tóquio a relançar a campanha “Cool Biz”, que desde 2005 incentiva o uso de roupa mais leve nos escritórios para poupar energia. Este ano, a recomendação passou a incluir calções, t-shirts e ténis, mas a medida gerou controvérsia. Uma sondagem da clínica Gorilla Clinic, citada por vários meios de comunicação, indica que 53,5% dos inquiridos se opõem ao uso de calções no trabalho. Nas redes sociais, popularizou-se o termo sunehara — “assédio por pelos nas pernas” — para descrever o desconforto manifestado sobretudo por mulheres perante a exposição das pernas não depiladas dos colegas. Observadores em Lisboa e em Brasília notam que o episódio ilustra tensões entre a modernização dos costumes laborais e as expectativas de género ainda enraizadas na sociedade japonesa.
O calor extremo tem também impacto nos preços da eletricidade, que atingiram o valor mais alto em mais de três anos, impulsionados pela subida da procura, pela desvalorização do iene e pelo encarecimento do gás natural liquefeito, segundo a bolsa de eletricidade japonesa. A agência meteorológica recorda que a temperatura média de verão no Japão subiu 1,3°C no último século e que 2023 e 2024 foram os anos mais quentes desde o início dos registos, em 1898. O recorde absoluto de 41,8°C foi estabelecido em agosto de 2025, em Isesaki. As previsões apontam para a continuação do calor intenso nos próximos dias, mantendo-se os alertas e as recomendações de precaução.
| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa europeia continental | −0.20 | neutral |
| Imprensa russa e CEI | 0.00 | neutral |
Japan records its first 'cruelly hot day' with temperatures above 40°C, causing deaths and alerts.
The use of a new official term ('kokushobi') to describe extreme heat lends authority and urgency to the story, presenting it as a historic and scientific event.
The Atlantic bloc omits the social controversy about shorts and leg hair harassment, focusing solely on the heatwave and its dangers.
Continental Europe highlights the social contradictions of Tokyo's Cool Biz campaign, where women denounce 'leg hair harassment' as a side effect of the new dress code.
The narrative focuses on a seemingly minor detail (leg hair) to humanize and make controversial an otherwise rational policy, creating a contrast between pragmatism and cultural sensitivity.
The continental European bloc omits the deaths and severity of the heatwave, focusing instead on the social reaction to the dress code.
Russia reports the three fatalities from extreme heat in Japan, emphasizing the danger of the new term 'kokushobi' and the frequency of such events.
The use of concrete data (temperatures, death toll) and citation of the Japanese meteorological agency lend credibility and urgency, presenting the story as a factual warning.
The Russian bloc omits the social controversy about shorts and the Cool Biz campaign, focusing solely on the heatwave fatalities.
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