Entrar
Edição das 16:00 CETquinta-feira, 23 de julho de 2026
311 veículos · 17 idiomas743 briefing hoje
Geopolítica & Políticaquarta-feira, 22 de julho de 2026

Trump ameaça atacar 'Montanha Picareta', a última instalação nuclear iraniana ainda intacta

Presidente dos EUA promete atingir 'muito em breve' o complexo subterrâneo de Kuh-e Kolang Gaz La, cuja profundidade extrema desafia até as bombas perfurantes mais potentes do arsenal americano.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou na terça-feira a ameaça de bombardear a instalação nuclear iraniana conhecida como 'Pickaxe Mountain' (Montanha Picareta), o último grande complexo atómico do Irão que permanece intacto após a guerra de doze dias de 2025 e os ataques aéreos norte-americanos de junho do mesmo ano. 'Muito provavelmente atingiremos essa zona muito em breve, e com enorme contundência', declarou Trump na Sala Oval, acrescentando que Teerão 'não pode fazer nada para o impedir'. A ameaça surge num momento de escalada militar entre os dois países no Estreito de Ormuz e de impasse diplomático, com Washington a condicionar qualquer negociação a conversações 'significativas' por parte de um Irão que, segundo Trump, está a ser 'dizimado'.

Na perspetiva de Washington, o complexo em construção no maciço de Kuh-e Kolang Gaz La, a cerca de 225 quilómetros a sul de Teerão e adjacente à já bombardeada central de Natanz, pode albergar centrífugas avançadas transferidas para o subsolo após sabotagens anteriores atribuídas a Israel. Trump reconheceu a possibilidade de o Irão ter deslocado equipamento para o local, mas sublinhou que o essencial é 'o material' — uma referência às reservas de urânio enriquecido a 60%, próximo do grau militar, cujo paradeiro as agências de inteligência ocidentais continuam a monitorizar. A administração norte-americana considera que a instalação, protegida por baterias antiaéreas, vedação perimetral e pela Guarda Revolucionária, representa um ponto cego no esforço de desmantelamento do programa nuclear iraniano.

Teerão, por seu lado, nega que exista qualquer atividade nuclear na montanha e classifica a retórica de Trump como um 'pretexto fabricado para a agressão'. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano afirmou que o país sempre comunicou as suas atividades à Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), embora a própria AIEA confirme que os inspetores nunca tiveram acesso ao interior dos túneis. O diretor-geral da agência, Rafael Grossi, revelou que o Irão notificou em 2021 a intenção de realizar atividades nucleares no local, mas as questões subsequentes sobre o andamento das obras foram ignoradas pelas autoridades iranianas. O comando militar iraniano advertiu entretanto que um ataque a instalações nucleares alargará regionalmente o conflito.

Analistas de centros de estudos sobre não-proliferação nos EUA estimam que a instalação subterrânea, com quatro entradas de túnel visíveis em imagens de satélite, se situe a uma profundidade entre 80 e 100 metros — podendo ser ainda maior, uma vez que as escavações prosseguiram nos últimos anos. Esta profundidade extrema coloca o complexo para além do alcance confirmado da bomba perfurante GBU-57, capaz de penetrar 60 metros de solo antes de detonar. Responsáveis militares norte-americanos discutiram a utilização de duas bombas em sequência para abrir caminho através da rocha, mas permanece incerto se essa tática seria eficaz contra um alvo tão profundo. A própria sobrevivência da instalação aos bombardeamentos de 2025, que destruíram as centrais de Fordo e Natanz, ilustra as limitações do poder aéreo convencional.

O dossiê permanece num impasse perigoso. Enquanto as forças dos EUA realizam ataques consecutivos contra alvos iranianos há mais de dez dias, não há sinais de retoma do diálogo diplomático. A AIEA continua sem acesso ao local, e a comunidade internacional, incluindo observadores na Europa e na América Latina, acompanha com apreensão o risco de uma nova escalada que poderia envolver atores regionais. A próxima etapa conhecida é a eventual decisão militar americana sobre o bombardeamento, que Trump insiste ser iminente, mas cujas consequências técnicas e estratégicas permanecem por esclarecer.

Divergência — quem conta como
14%Baixa
3 blocos · posições de −0.30 a 0.00
CríticoFavorável
EURGLFLAT
Divergência entre blocos de imprensa
Imprensa europeia continental−0.30critical
Imprensa do Golfo árabe0.00neutral
Imprensa latino-americana0.00neutral
Os meios de comunicação dos EUA e do Irã não estão presentes neste cluster.
Imprensa europeia continental−0.30
Voz

O ataque é tecnicamente incerto: as bombas mais potentes podem falhar contra cem metros de rocha.

Mecanismotecnicizzazione scettica

Tecnificação cética: as especificações técnicas das bombas e a geologia do local são analisadas para colocar em dúvida a viabilidade da operação.

Omissão

Não menciona a possibilidade de o Irã já ter movido centrífugas para o local, o que poderia aumentar a urgência do ataque.

CeticismoDistanciamentoPragmatismo
Imprensa do Golfo árabe0.00
Voz

O Irã pode ter movido centrífugas para o local, tornando o ataque mais urgente.

Mecanismopragmatismo fattuale

Pragmatismo factual: as declarações de Trump são relatadas com um detalhe operacional adicional, sem julgamento.

Omissão

Não analisa a possibilidade de as bombas dos EUA não conseguirem penetrar a montanha, ao contrário da imprensa europeia.

PragmatismoDistanciamentoCeticismo
Imprensa latino-americana0.00
Voz

Trump disse que atacarão muito em breve, mas os especialistas dizem que as bombas não podem alcançar os túneis.

Mecanismoriporto diretto con contrappunto esperto

Reportagem direta com contraponto especializado: a declaração do presidente é justaposta a uma opinião técnica que reduz sua credibilidade.

Omissão

Não menciona o contexto histórico das destruições anteriores de instalações nucleares iranianas, o que poderia explicar a determinação de Trump.

PragmatismoDistanciamentoCeticismo

Amplie o olhar

Ler mais
Últimas notícias
Incêndio em trem paralisa três linhas e provoca caos no transporte em São Paulo·BCE mantém juros em 2,25% e adia decisão para setembro com petróleo a pressionar·Jogos da Commonwealth arrancam com vitória australiana no bowls antes da cerimónia de abertura·IA chinesa atinge pontuação perfeita na Olimpíada Internacional de Matemática pela primeira vez·Dormir mal duplica risco de diabetes e compromete crescimento, mostram evidências·Incêndios florestais forçam evacuação de milhares no sul da Europa·Caça furtivo Su-57 cai em treinamento nos arredores de Moscovo·Famílias de atores falecidos contestam viúvas em disputas por heranças milionárias·Incêndio em trem paralisa três linhas e provoca caos no transporte em São Paulo·BCE mantém juros em 2,25% e adia decisão para setembro com petróleo a pressionar·Jogos da Commonwealth arrancam com vitória australiana no bowls antes da cerimónia de abertura·IA chinesa atinge pontuação perfeita na Olimpíada Internacional de Matemática pela primeira vez·Dormir mal duplica risco de diabetes e compromete crescimento, mostram evidências·Incêndios florestais forçam evacuação de milhares no sul da Europa·Caça furtivo Su-57 cai em treinamento nos arredores de Moscovo·Famílias de atores falecidos contestam viúvas em disputas por heranças milionárias·
Atualizado 15:234 idiomas · 8 veículos
AnteriorGeopolítica & PolíticaPróximo
8 veículos|4 idiomas|3 min de leitura
quarta-feira, 22 de julho de 2026

Trump ameaça atacar 'Montanha Picareta', a última instalação nuclear iraniana ainda intacta

Presidente dos EUA promete atingir 'muito em breve' o complexo subterrâneo de Kuh-e Kolang Gaz La, cuja profundidade extrema desafia até as bombas perfurantes mais potentes do arsenal americano.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou na terça-feira a ameaça de bombardear a instalação nuclear iraniana conhecida como 'Pickaxe Mountain' (Montanha Picareta), o último grande complexo atómico do Irão que permanece intacto após a guerra de doze dias de 2025 e os ataques aéreos norte-americanos de junho do mesmo ano. 'Muito provavelmente atingiremos essa zona muito em breve, e com enorme contundência', declarou Trump na Sala Oval, acrescentando que Teerão 'não pode fazer nada para o impedir'. A ameaça surge num momento de escalada militar entre os dois países no Estreito de Ormuz e de impasse diplomático, com Washington a condicionar qualquer negociação a conversações 'significativas' por parte de um Irão que, segundo Trump, está a ser 'dizimado'.

Na perspetiva de Washington, o complexo em construção no maciço de Kuh-e Kolang Gaz La, a cerca de 225 quilómetros a sul de Teerão e adjacente à já bombardeada central de Natanz, pode albergar centrífugas avançadas transferidas para o subsolo após sabotagens anteriores atribuídas a Israel. Trump reconheceu a possibilidade de o Irão ter deslocado equipamento para o local, mas sublinhou que o essencial é 'o material' — uma referência às reservas de urânio enriquecido a 60%, próximo do grau militar, cujo paradeiro as agências de inteligência ocidentais continuam a monitorizar. A administração norte-americana considera que a instalação, protegida por baterias antiaéreas, vedação perimetral e pela Guarda Revolucionária, representa um ponto cego no esforço de desmantelamento do programa nuclear iraniano.

Teerão, por seu lado, nega que exista qualquer atividade nuclear na montanha e classifica a retórica de Trump como um 'pretexto fabricado para a agressão'. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano afirmou que o país sempre comunicou as suas atividades à Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), embora a própria AIEA confirme que os inspetores nunca tiveram acesso ao interior dos túneis. O diretor-geral da agência, Rafael Grossi, revelou que o Irão notificou em 2021 a intenção de realizar atividades nucleares no local, mas as questões subsequentes sobre o andamento das obras foram ignoradas pelas autoridades iranianas. O comando militar iraniano advertiu entretanto que um ataque a instalações nucleares alargará regionalmente o conflito.

Analistas de centros de estudos sobre não-proliferação nos EUA estimam que a instalação subterrânea, com quatro entradas de túnel visíveis em imagens de satélite, se situe a uma profundidade entre 80 e 100 metros — podendo ser ainda maior, uma vez que as escavações prosseguiram nos últimos anos. Esta profundidade extrema coloca o complexo para além do alcance confirmado da bomba perfurante GBU-57, capaz de penetrar 60 metros de solo antes de detonar. Responsáveis militares norte-americanos discutiram a utilização de duas bombas em sequência para abrir caminho através da rocha, mas permanece incerto se essa tática seria eficaz contra um alvo tão profundo. A própria sobrevivência da instalação aos bombardeamentos de 2025, que destruíram as centrais de Fordo e Natanz, ilustra as limitações do poder aéreo convencional.

O dossiê permanece num impasse perigoso. Enquanto as forças dos EUA realizam ataques consecutivos contra alvos iranianos há mais de dez dias, não há sinais de retoma do diálogo diplomático. A AIEA continua sem acesso ao local, e a comunidade internacional, incluindo observadores na Europa e na América Latina, acompanha com apreensão o risco de uma nova escalada que poderia envolver atores regionais. A próxima etapa conhecida é a eventual decisão militar americana sobre o bombardeamento, que Trump insiste ser iminente, mas cujas consequências técnicas e estratégicas permanecem por esclarecer.

Divergência — quem conta como
14%Baixa
3 blocos · posições de −0.30 a 0.00
CríticoFavorável
EURGLFLAT
Divergência entre blocos de imprensa
Imprensa europeia continental−0.30critical
Imprensa do Golfo árabe0.00neutral
Imprensa latino-americana0.00neutral
Os meios de comunicação dos EUA e do Irã não estão presentes neste cluster.
Imprensa europeia continental−0.30
Voz

O ataque é tecnicamente incerto: as bombas mais potentes podem falhar contra cem metros de rocha.

Mecanismotecnicizzazione scettica

Tecnificação cética: as especificações técnicas das bombas e a geologia do local são analisadas para colocar em dúvida a viabilidade da operação.

Omissão

Não menciona a possibilidade de o Irã já ter movido centrífugas para o local, o que poderia aumentar a urgência do ataque.

CeticismoDistanciamentoPragmatismo
Imprensa do Golfo árabe0.00
Voz

O Irã pode ter movido centrífugas para o local, tornando o ataque mais urgente.

Mecanismopragmatismo fattuale

Pragmatismo factual: as declarações de Trump são relatadas com um detalhe operacional adicional, sem julgamento.

Omissão

Não analisa a possibilidade de as bombas dos EUA não conseguirem penetrar a montanha, ao contrário da imprensa europeia.

PragmatismoDistanciamentoCeticismo
Imprensa latino-americana0.00
Voz

Trump disse que atacarão muito em breve, mas os especialistas dizem que as bombas não podem alcançar os túneis.

Mecanismoriporto diretto con contrappunto esperto

Reportagem direta com contraponto especializado: a declaração do presidente é justaposta a uma opinião técnica que reduz sua credibilidade.

Omissão

Não menciona o contexto histórico das destruições anteriores de instalações nucleares iranianas, o que poderia explicar a determinação de Trump.

PragmatismoDistanciamentoCeticismo

Esta notícia apareceu em

8 veículos · 4 idiomas

Amplie o olhar

De Economy & Markets

Alphabet regista primeiro fluxo de caixa negativo da história e ações caem apesar de receita recorde

8 idiomas · 17 veículos

De Technology

Samsung lança dobrável em formato de passaporte e sobe preços antes da estreia da Apple

6 idiomas · 13 veículos

De Science & Health

Dormir mal duplica risco de diabetes e compromete crescimento, mostram evidências

4 idiomas · 7 veículos

Ler mais