
Trump ameaça atacar 'Montanha Picareta', a última instalação nuclear iraniana ainda intacta
Presidente dos EUA promete atingir 'muito em breve' o complexo subterrâneo de Kuh-e Kolang Gaz La, cuja profundidade extrema desafia até as bombas perfurantes mais potentes do arsenal americano.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou na terça-feira a ameaça de bombardear a instalação nuclear iraniana conhecida como 'Pickaxe Mountain' (Montanha Picareta), o último grande complexo atómico do Irão que permanece intacto após a guerra de doze dias de 2025 e os ataques aéreos norte-americanos de junho do mesmo ano. 'Muito provavelmente atingiremos essa zona muito em breve, e com enorme contundência', declarou Trump na Sala Oval, acrescentando que Teerão 'não pode fazer nada para o impedir'. A ameaça surge num momento de escalada militar entre os dois países no Estreito de Ormuz e de impasse diplomático, com Washington a condicionar qualquer negociação a conversações 'significativas' por parte de um Irão que, segundo Trump, está a ser 'dizimado'.
Na perspetiva de Washington, o complexo em construção no maciço de Kuh-e Kolang Gaz La, a cerca de 225 quilómetros a sul de Teerão e adjacente à já bombardeada central de Natanz, pode albergar centrífugas avançadas transferidas para o subsolo após sabotagens anteriores atribuídas a Israel. Trump reconheceu a possibilidade de o Irão ter deslocado equipamento para o local, mas sublinhou que o essencial é 'o material' — uma referência às reservas de urânio enriquecido a 60%, próximo do grau militar, cujo paradeiro as agências de inteligência ocidentais continuam a monitorizar. A administração norte-americana considera que a instalação, protegida por baterias antiaéreas, vedação perimetral e pela Guarda Revolucionária, representa um ponto cego no esforço de desmantelamento do programa nuclear iraniano.
Teerão, por seu lado, nega que exista qualquer atividade nuclear na montanha e classifica a retórica de Trump como um 'pretexto fabricado para a agressão'. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano afirmou que o país sempre comunicou as suas atividades à Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), embora a própria AIEA confirme que os inspetores nunca tiveram acesso ao interior dos túneis. O diretor-geral da agência, Rafael Grossi, revelou que o Irão notificou em 2021 a intenção de realizar atividades nucleares no local, mas as questões subsequentes sobre o andamento das obras foram ignoradas pelas autoridades iranianas. O comando militar iraniano advertiu entretanto que um ataque a instalações nucleares alargará regionalmente o conflito.
Analistas de centros de estudos sobre não-proliferação nos EUA estimam que a instalação subterrânea, com quatro entradas de túnel visíveis em imagens de satélite, se situe a uma profundidade entre 80 e 100 metros — podendo ser ainda maior, uma vez que as escavações prosseguiram nos últimos anos. Esta profundidade extrema coloca o complexo para além do alcance confirmado da bomba perfurante GBU-57, capaz de penetrar 60 metros de solo antes de detonar. Responsáveis militares norte-americanos discutiram a utilização de duas bombas em sequência para abrir caminho através da rocha, mas permanece incerto se essa tática seria eficaz contra um alvo tão profundo. A própria sobrevivência da instalação aos bombardeamentos de 2025, que destruíram as centrais de Fordo e Natanz, ilustra as limitações do poder aéreo convencional.
O dossiê permanece num impasse perigoso. Enquanto as forças dos EUA realizam ataques consecutivos contra alvos iranianos há mais de dez dias, não há sinais de retoma do diálogo diplomático. A AIEA continua sem acesso ao local, e a comunidade internacional, incluindo observadores na Europa e na América Latina, acompanha com apreensão o risco de uma nova escalada que poderia envolver atores regionais. A próxima etapa conhecida é a eventual decisão militar americana sobre o bombardeamento, que Trump insiste ser iminente, mas cujas consequências técnicas e estratégicas permanecem por esclarecer.
| Imprensa europeia continental | −0.30 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa do Golfo árabe | 0.00 | neutral |
| Imprensa latino-americana | 0.00 | neutral |
O ataque é tecnicamente incerto: as bombas mais potentes podem falhar contra cem metros de rocha.
Tecnificação cética: as especificações técnicas das bombas e a geologia do local são analisadas para colocar em dúvida a viabilidade da operação.
Não menciona a possibilidade de o Irã já ter movido centrífugas para o local, o que poderia aumentar a urgência do ataque.
O Irã pode ter movido centrífugas para o local, tornando o ataque mais urgente.
Pragmatismo factual: as declarações de Trump são relatadas com um detalhe operacional adicional, sem julgamento.
Não analisa a possibilidade de as bombas dos EUA não conseguirem penetrar a montanha, ao contrário da imprensa europeia.
Trump disse que atacarão muito em breve, mas os especialistas dizem que as bombas não podem alcançar os túneis.
Reportagem direta com contraponto especializado: a declaração do presidente é justaposta a uma opinião técnica que reduz sua credibilidade.
Não menciona o contexto histórico das destruições anteriores de instalações nucleares iranianas, o que poderia explicar a determinação de Trump.
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