
Morre em Paris Daniel Siad, olheiro de modelos ligado a Jeffrey Epstein
Ex-recrutador era investigado por violação e tráfico de pessoas; causa da morte ainda é desconhecida e autópsia será realizada.
O cidadão franco-sueco Daniel Siad, de 69 anos, foi encontrado morto na noite de segunda-feira, 20 de julho, na sua residência em Colombes, nos arredores de Paris. A procuradoria de Nanterre confirmou a abertura de uma investigação para apurar as causas do óbito e anunciou a realização de uma autópsia. Siad era apontado como recrutador de modelos para a rede do financista norte-americano Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais e encontrado sem vida na prisão em 2019.
O antigo olheiro estava a ser investigado pela justiça francesa por suspeitas de violação, agressão sexual e tráfico de seres humanos, no âmbito de um inquérito conduzido pelo gabinete especializado de luta contra o tráfico de pessoas. Pelo menos cinco mulheres apresentaram queixas contra Siad, incluindo a ex-modelo sueca Ebba P. Karlsson, que o acusou de a ter violado quando tinha 20 anos e de a ter apresentado a Gérald Marie, antigo diretor da agência Elite, também denunciado por abusos. Siad negou todas as acusações e, segundo a sua advogada, Menya Arab-Tigrine, aguardava ser ouvido pelos investigadores para apresentar a sua versão dos factos.
A morte ocorre num momento de pressão crescente sobre a rede de Epstein. O nome de Siad aparece mais de duas mil vezes nos ficheiros desclassificados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, e as autoridades francesas tinham reaberto as investigações após a divulgação desses documentos. Para as denunciantes, a perda do arguido representa um novo obstáculo ao esclarecimento dos factos. "É devastador que as sobreviventes do caso Brunel tenham sido primeiro privadas de justiça, e agora as do caso Siad", declarou a jornalista britânica Lisa Brinkworth, cofundadora do coletivo Victorious Angels, em declarações à agência AFP. A advogada do visado sustenta que a morte terá sido causada por um ataque cardíaco, atribuindo o desfecho à "espera insuportável" e à "pressão e angústia" vividas pelo seu cliente.
O desfecho ecoa outros episódios ligados ao caso Epstein. Em 2022, o agente de modelos francês Jean-Luc Brunel, próximo do financista, foi encontrado enforcado na cela onde aguardava julgamento por violação de menores. No Brasil, onde a rede de Epstein também fez vítimas — há relatos de jovens brasileiras aliciadas por Brunel —, o caso é acompanhado com atenção por organizações de defesa dos direitos das mulheres. A procuradoria de Nanterre mantém a investigação em curso, enquanto se aguardam os resultados da autópsia para esclarecer as circunstâncias exatas da morte.
| Imprensa europeia continental | −0.70 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa russa e CEI | 0.00 | neutral |
| Imprensa do Golfo árabe | 0.00 | neutral |
As vítimas e a sociedade civil exigem justiça; a morte de Siad é mais uma prova de um sistema de impunidade.
Usa o testemunho direto de uma vítima para criar forte impacto emocional e moralizar a narrativa, apresentando a morte como suspeita.
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