
EUA celebram 250 anos entre grandiosidade, controvérsia e revisão histórica
Comemorações do semiquincentenário expõem tensões sobre o legado dos fundadores, o projeto imperial e o uso político da data pelo presidente Trump.
Os Estados Unidos assinalam este sábado o 250.º aniversário da Declaração de Independência com um programa oficial que inclui um comício do presidente Donald Trump, uma feira de estados e o maior espetáculo de fogo de artifício alguma vez organizado em Washington. A dimensão das celebrações contrasta com as dificuldades logísticas e políticas que marcaram as semanas preparatórias: a feira Great American State Fair registou falhas de energia, fraca afluência e a desistência de vários artistas, enquanto cerca de um quinto dos estados optou por não enviar delegações oficiais, segundo relatos da imprensa norte-americana. Uma imagem gerada por inteligência artificial de uma águia dourada na fachada da Casa Branca, partilhada por Trump como “presente”, foi recebida com críticas e troça nas redes sociais.
Na perspetiva de historiadores e analistas latino-americanos, a independência de 1776 representou menos uma rutura com a lógica imperial do que o nascimento de uma república de colonos com ambição territorial e uma ideia restrita de liberdade. A historiadora Lorena López, citada pelo diário mexicano El Universal, sublinha que a Declaração reivindicava o direito de “fazer a guerra” e “estabelecer comércio”, enquanto o Tratado de Paris de 1783 reconhecia uma fronteira até ao Mississippi e permitia que pessoas escravizadas fossem juridicamente equiparadas a bens. Observadores na Europa, por seu turno, recordam o papel decisivo da França na vitória de Yorktown, um auxílio financeiro e militar que contrasta com a atual política externa da administração Trump, designadamente a redução do apoio à Ucrânia.
A efeméride reacendeu o debate sobre as contradições fundadoras da nação. Em Monticello, a propriedade de Thomas Jefferson, uma exposição recorda que o autor da frase “todos os homens são criados iguais” manteve centenas de escravos até à morte e teve, segundo a Fundação Thomas Jefferson, pelo menos seis filhos com Sally Hemings, uma mulher escravizada. O Museu da Revolução Americana, em Filadélfia, inaugurou a mostra “The Declaration’s Journey”, que reúne mais de 120 artefatos para ilustrar o impacto do documento dentro e fora dos EUA. Investigações arqueológicas recentes, divulgadas por académicos norte-americanos, trouxeram novas provas sobre a brutalidade da guerra, incluindo massacres de populações indígenas, o uso provável de guerra biológica e o tratamento desumano de prisioneiros em navios britânicos.
A celebração dos 250 anos decorre sob medidas de segurança excecionais, com milhares de agentes federais e 5000 soldados da Guarda Nacional mobilizados, num contexto de violência política acrescida. O fogo de artifício, adiado para as 23 horas devido ao comício de Trump, será lançado a partir de oito barcaças no rio Potomac e deverá durar cerca de 40 minutos. A exposição “The Declaration’s Journey” permanecerá patente até janeiro de 2027, enquanto o debate público sobre o significado da data continua a mobilizar instituições culturais, académicos e responsáveis políticos.
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.60 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa europeia continental | +0.10 | neutral |
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | −0.40 | critical |
Domestic critics question what there is to celebrate as the country unravels politically and socially.
The bloc frames national identity as contested, using the anniversary as a backdrop to highlight perceived decline and partisan exploitation.
Positive historical narratives of American achievements and any bipartisan celebration of the anniversary are omitted.
European legal observers note the Supreme Court's reaffirmation of constitutional principles as a counterweight to presidential overreach.
The bloc universalizes the US constitutional process as a model of institutional resilience, focusing on legal rulings rather than political spectacle.
The deep political polarization and public discontent surrounding the anniversary are ignored.
Regional analysts highlight the US's role in escalating conflicts, framing the anniversary as a moment of heightened risk and instability.
The bloc uses coverage of cyberattacks and oil prices to construct a narrative of US-induced chaos, implicitly questioning the legitimacy of the celebration.
Domestic US perspectives and efforts at international cooperation are overlooked.
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