
Acordo Israel-Líbano mediado por Washington expõe contradições e enfrenta rejeição interna
O pacto condiciona a retirada israelita ao desarmamento do Hezbollah, mas o grupo xiita e o presidente do Parlamento libanês consideram-no nulo e alertam para o risco de conflito civil.
Na sexta-feira, 26 de junho, Israel e o Líbano assinaram um acordo-quadro mediado pelos Estados Unidos que vincula a retirada das tropas israelitas do sul do Líbano ao desarmamento do Hezbollah. O entendimento, alcançado após quatro dias de negociações tensas em Washington, prevê uma retirada inicial de duas “zonas-piloto” e a subsequente implantação do exército libanês, mas não estabelece um calendário fixo. A assinatura ocorreu dias depois de Washington e Teerão terem firmado um memorando de entendimento que exigia o fim imediato dos combates em todas as frentes, incluindo o Líbano, e o respeito pela integridade territorial — um compromisso que, segundo fontes em Beirute, contradiz a manutenção da chamada “zona de segurança” israelita.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, descreveu o acordo como uma “conquista histórica” e um “golpe para o Irão”, sublinhando que Israel manterá a presença militar até que o Hezbollah seja desarmado. Do lado libanês, o presidente Joseph Aoun saudou o texto como um “primeiro passo” para restaurar a soberania, mas o presidente do Parlamento, Nabih Berri, classificou-o como um “acordo de imposições” pior do que o tratado de 17 de maio de 1983 e avisou que não passará pelas instituições constitucionais. O Hezbollah, através do vice-presidente do seu conselho político, Mahmoud Qmati, declarou o acordo “nado morto” e prometeu “confrontá-lo com todos os meios possíveis”, embora tenha afastado, para já, a demissão dos seus ministros do governo ou a mobilização de rua.
Na perspetiva de analistas em Beirute e Washington, o acordo cria uma estrutura que permite a Israel manter uma presença militar indefinida no sul do Líbano, uma vez que o desarmamento do Hezbollah é considerado inexequível. O exército libanês, sublinham fontes militares, não dispõe de capacidade nem de mandato político para desarmar a milícia xiita, a mais poderosa do país, num sistema sectário assente na partilha de poder. A contradição com o memorando EUA-Irão é evidente: enquanto este último reconhecia a Teerão um papel na estabilização do Líbano, o acordo Israel-Líbano exclui o Irão e o Hezbollah, gerando o que responsáveis israelitas e libaneses descreveram como um “choque” quando foi anunciada a criação de uma célula de desconflito com participação iraniana.
A negociação foi impulsionada, segundo fontes citadas pela imprensa norte-americana, por um interesse partilhado em “enfraquecer a influência do Hezbollah e do Irão no Líbano”. O secretário de Estado Marco Rubio e o vice-presidente J.D. Vance pressionaram diretamente os líderes, e o embaixador israelita Yechiel Leiter terá descrito os entendimentos EUA-Irão como um “desastre”. Em Beirute, Berri acusou os redatores do acordo de quererem “acender a discórdia” e alertou para o perigo de qualquer tentativa de enfraquecer o exército ou o seu comandante. O Hezbollah, por seu lado, aposta na via de Islamabade e nas reuniões na Suíça — os canais de diálogo com o Irão — para forçar a retirada israelita, enquanto os combates prosseguem no terreno, com novos ataques e baixas.
O acordo-quadro não foi ainda submetido ao parlamento libanês, e Berri, que controla um amplo bloco parlamentar, prometeu barrá-lo. A administração Trump, segundo observadores em Lisboa e Brasília, procura manter separadas as duas vias negociais, mas a sobreposição de compromissos contraditórios alimenta a incerteza. A próxima etapa conhecida é a eventual implementação das zonas-piloto, mas sem um calendário vinculativo e com a oposição interna libanesa, o risco de paralisia ou de agravamento do conflito civil é apontado como elevado por analistas regionais.
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | −0.80 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa iraniana e afins | −0.90 | critical |
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.20 | neutral |
The Israeli government systematically violates the framework agreement, continuing to strike southern Lebanon and establish checkpoints, showing that the pact is merely a cover for occupation.
Instead of presenting the agreement as a step toward peace, it highlights Israeli violations to delegitimize the initiative and question Israel's good faith.
The attack on the Dena is a war crime that will be recorded in history, and Iran will pursue those responsible without hesitation.
Iran is portrayed as an innocent victim and the enemy's action is labeled a war crime, delegitimizing any pretext for the attack.
The Gulf states view the new regional order with anxiety, aware that the war has permanently changed power dynamics.
It emphasizes instability and the transitory nature of the current peace, questioning the long-term stability of the agreement.
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