
Fifa comercializa pedaços do relvado da final do Mundial por até 3.000 dólares
Entidade oferece quatro categorias de relíquias do estádio MetLife, com envio restrito aos EUA e Europa, enquanto enfrenta críticas por preços elevados dos ingressos e qualidade do campo.
A FIFA colocou à venda fragmentos do relvado que será utilizado na final do Campeonato do Mundo de 2026, marcada para 19 de julho no MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jérsia. A iniciativa, revelada por vários órgãos de comunicação social internacionais, prevê quatro categorias de recordações, com preços que variam entre 450 e 3.000 dólares (cerca de 2.500 a 17.000 reais). Cada peça, preservada em resina acrílica com um certificado digital de autenticidade, integra uma edição limitada a 2.026 exemplares por categoria, o que poderá gerar receitas superiores a 11 milhões de dólares (mais de 60 milhões de reais) para o organismo que tutela o futebol mundial.
A versão mais cara, apelidada de “Hero Edition”, inclui um bilhete comemorativo gravado a ouro, uma réplica da bola oficial e um troféu de cristal. As restantes edições, mais acessíveis, oferecem o fragmento de relva com dimensões entre 6,35 e 7,62 centímetros de lado. A comercialização, contudo, está limitada a compradores com morada nos Estados Unidos, Reino Unido e Europa, excluindo adeptos de mercados emergentes como o Brasil, onde a seleção foi eliminada nos oitavos de final e 41% dos torcedores já não acreditam na conquista do hexacampeonato, segundo sondagens recentes.
A venda do relvado insere-se numa estratégia mais ampla de monetização agressiva do torneio, que já tinha suscitado forte contestação. Os bilhetes para a final atingem 32.970 dólares nos lugares regulares e 34.500 dólares nos pacotes de hospitalidade, enquanto no mercado de revenda oficial os preços chegaram a ser listados por 11,49 milhões de dólares. Grupos de adeptos internacionais apresentaram ações judiciais contra a FIFA por exploração de preços, e os procuradores-gerais de Nova Iorque e Nova Jérsia emitiram intimações para investigar eventuais manipulações na indicação dos valores e na transparência da localização dos assentos.
Na perspetiva europeia, a polémica é ampliada pela qualidade do próprio relvado. O tapete natural, cultivado numa exploração agrícola na Carolina do Norte e instalado em maio, foi duramente criticado por jogadores e treinadores de seleções como Brasil e França, que o consideraram seco e irregular. A FIFA, através do seu presidente Gianni Infantino, defendeu a política de preços, argumentando que a organização atua dentro do quadro legal norte-americano, que permite a revenda de bilhetes acima do valor nominal. Apesar das críticas, as encomendas das relíquias só serão expedidas após o apito final, transformando um pedaço de campo contestado num objeto de desejo para colecionadores.
O desfecho da competição, que pela primeira vez junta 48 seleções em 104 jogos por três países anfitriões, terá assim um epílogo comercial invulgar. Enquanto os finalistas lutam pelo troféu, a FIFA já capitaliza o simbolismo do palco, ainda que a memória física do relvado possa carregar as marcas das críticas que acompanharam o torneio.
| Imprensa latino-americana | −0.30 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa indiana e sul-asiática | −0.80 | critical |
| Imprensa europeia continental | +0.20 | neutral |
A FIFA transforma o gramado em um produto de luxo, excluindo os torcedores sul-americanos.
Ao enfatizar a exclusividade geográfica e o alto preço, constrói-se uma narrativa de ganância e injustiça.
Omite as críticas globais à FIFA e a perspectiva dos torcedores que poderiam ver o souvenir como uma lembrança querida.
A FIFA pisoteia os torcedores com preços absurdos, transformando o campo em um objeto de luxo para ricos.
Ao vincular a venda do gramado à controvérsia dos preços dos ingressos, constrói-se uma cadeia de ganância que torna cada movimento da FIFA moralmente condenável.
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A FIFA oferece um souvenir único, um pedaço da história do futebol, disponível para quem pode pagar.
Ao apresentar a iniciativa como um simples produto comercial sem julgamento moral, a mercantilização do campo é normalizada.
Omite as críticas e reações presentes em outros blocos, bem como os altos números de receita e a questão da exclusividade.
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