
Espanha acumula atrasos em vistos russos e corre contra o tempo para regularizar migrantes
Prazos para vistos Schengen de cidadãos russos duplicam enquanto termina o prazo de um processo extraordinário de regularização que já atraiu 1,27 milhões de pedidos.
Os centros de solicitação de vistos espanhóis em Moscovo alargaram para 45 dias o prazo de processamento de documentos, uma duplicação face ao período habitual de três a quatro semanas, segundo comunicado da empresa operadora BLS International. A decisão, justificada pelo aumento do número de candidaturas, surge num contexto de pressão generalizada sobre os serviços consulares de Estados-membros do espaço Schengen na Rússia. A 25 de junho, o centro de vistos italiano em Moscovo já tinha dilatado o seu prazo para mais de 60 dias, recomendando que os pedidos fossem submetidos com três meses de antecedência. A Associação de Operadores Turísticos da Rússia (ATOR) reporta que as vagas para agendamento em Moscovo se esgotam rapidamente, com a próxima janela de marcações prevista para meados de julho.
Paralelamente, Espanha enfrenta um pico administrativo interno com o encerramento, a 30 de junho, de um processo extraordinário de regularização de imigrantes em situação irregular. De acordo com o sindicato dos funcionários de imigração espanhóis, o número de pedidos atingiu 1,27 milhões, quase o dobro dos 500 mil inicialmente projetados pelo governo. Organizações não-governamentais como a CEAR e a Cepaim intensificaram nas últimas horas os apelos para que os migrantes submetessem as candidaturas mesmo com documentação incompleta, argumentando que o sistema concede um prazo adicional para a entrega de documentos em falta. Apesar dos pedidos de extensão do prazo por parte destas entidades, o Ministério das Migrações espanhol indicou que não planeia adiar o fim do processo.
Na perspetiva de analistas em Lisboa e em Brasília, a coincidência temporal destes dois fenómenos — o estrangulamento na emissão de vistos de curta duração para cidadãos russos e a corrida à regularização de imigrantes, muitos oriundos de países lusófonos como Angola, Cabo Verde ou Guiné-Bissau — ilustra a sobrecarga dos sistemas consulares e administrativos espanhóis. A BLS International, que também geria os centros de vistos do Chipre até ao encerramento destes a 15 de junho, viu o seu contrato terminar, concentrando agora a tramitação de vistos cipriotas exclusivamente nos consulados. Este movimento, associado ao fim do regime simplificado de vistos entre a União Europeia e a Rússia no final de 2022, que elevou a taxa de 35 para 80 euros e alongou os prazos de análise, contribui para um cenário de maior escrutínio e demora.
Apesar das dificuldades, a procura por vistos Schengen entre cidadãos russos cresceu entre 10% e 20% na primavera de 2025 face ao ano anterior, com Itália, Espanha e França a concentrarem a maioria dos pedidos, segundo dados da ATOR. Do lado do processo de regularização, as ONG estimam que pelo menos 20% dos cerca de um milhão de pedidos possam ser rejeitados, sobretudo por falta de documentos ou pela rigidez administrativa. O prazo terminou sem que o governo espanhol anunciasse uma prorrogação, deixando em aberto a situação de milhares de migrantes que não conseguiram completar o processo a tempo.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O centro de vistos espanhol em Moscou ampliou os prazos de processamento para 45 dias devido ao aumento de pedidos. Os requerentes russos são aconselhados a apresentar a documentação com antecedência. O atraso é apresentado como uma questão técnica, não política.
As ONGs espanholas estão fazendo um último esforço para ajudar os migrantes indocumentados a solicitar a regularização antes do prazo iminente. Cerca de um milhão de pessoas já se registraram para obter uma autorização de residência de um ano. O processo é apresentado como uma oportunidade humanitária crucial.
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