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Geopolítica & Políticadomingo, 28 de junho de 2026

Escalada no Golfo Pérsico: Irã acusa EUA de violar memorando de paz e retalia com ataques a bases no Kuwait e Bahrein

Bombardeios americanos contra a costa sul iraniana provocam condenação de Teerã e retaliação militar, enquanto a continuidade do memorando de paz assinado em junho é posta em xeque.

Os Estados Unidos realizaram na madrugada de domingo uma série de bombardeios contra alvos militares ao longo da costa sul do Irã, atingindo infraestruturas de vigilância, comunicações, defesa antiaérea e depósitos de drones. Em comunicado, o Comando Central dos EUA (CENTCOM) afirmou que a operação foi uma resposta ao ataque iraniano ao petroleiro M/T Kiku no Estreito de Ormuz no dia anterior. Em reação, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) lançou mísseis balísticos e drones contra oito instalações militares americanas no Kuwait e no Bahrein, incluindo a base aérea de Ali Al Salem e a Quinta Frota Naval no porto de Salman, alegando ter destruído esses alvos. Um funcionário americano, citado pela Reuters, descartou baixas ou danos significativos.

O Ministério das Relações Exteriores iraniano qualificou os ataques como “bárbaros” e uma “violação flagrante” do memorando de entendimento assinado em 17 de junho de 2026 para pôr fim à guerra iniciada em fevereiro. Segundo Teerã, os bombardeios infringem o Artigo 2(4) da Carta da ONU, que proíbe o uso da força, e configuram uma quebra do compromisso de cessar-fogo. A diplomacia iraniana acusou Washington de não atribuir “o menor valor” aos seus acordos e de ter a “quebra de promessas como parte de sua natureza”. O Irã invocou o direito de autodefesa previsto no Artigo 51 da Carta e exortou o Conselho de Segurança e o secretário-geral da ONU a cumprirem suas responsabilidades. A IRGC advertiu que qualquer novo ataque americano receberá uma “resposta esmagadora” e que a continuidade das hostilidades “resultará na completa paralisação de todos os processos diplomáticos”.

O memorando, também conhecido como Acordo de Islamabad, foi firmado à distância após meses de conflito, que incluiu bombardeios a instalações nucleares iranianas por Israel, com alegado aval americano. O texto previa um cessar-fogo imediato e abria um período de 60 dias de negociações sobre o programa nuclear de Teerã e o levantamento de sanções. Contudo, o acordo já nasceu sob tensão: em 28 de maio, antes mesmo da assinatura, os EUA abateram drones iranianos e atingiram uma estação de controle em Bandar Abbas, num episódio que classificaram como “defensivo”. Em junho, ataques americanos a instalações nucleares em Natanz, Fordo e Isfahan foram condenados por países como Omã e levaram o Irã a pedir reunião de urgência do Conselho de Segurança. Esses antecedentes ilustram um ciclo de acusações mútuas que mina a credibilidade do processo.

Para países lusófonos, a escalada tem repercussões diretas. O Brasil, que ocupa uma cadeira rotativa no Conselho de Segurança da ONU no biênio 2025-2026, é chamado a posicionar-se sobre a crise – Brasília historicamente defende soluções diplomáticas e mantém laços comerciais com o Irã, sobretudo no setor agrícola. Em Lisboa, a diplomacia portuguesa, alinhada à UE e à NATO, tende a acompanhar os apelos por contenção, enquanto monitora os efeitos da instabilidade no fornecimento energético. Já em Luanda e Maputo, a preocupação recai sobre o impacto da tensão no Estreito de Ormuz nos preços do petróleo, cruciais para exportadores como Angola e para importadores como Moçambique. Até o momento, não houve manifestações oficiais desses governos, mas a situação é acompanhada com atenção.

As próximas etapas permanecem incertas. Com a IRGC a ameaçar transformar as bases americanas num “inferno” e Teerã a condicionar a diplomacia ao fim dos bombardeios, o período de negociação de 60 dias corre o risco de colapso. O Conselho de Segurança da ONU deverá reunir-se a pedido do Irã, como já ocorreu após os ataques de junho. Washington ainda não respondeu oficialmente às acusações iranianas. Analistas em capitais ocidentais alertam que a reiterada violação dos acordos pode inviabilizar uma saída negociada para o conflito, enquanto a comunidade lusófona, com interesses econômicos e diplomáticos na estabilidade do Golfo, observa com apreensão.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Iran's Foreign Ministry condemned the US airstrikes as a blatant violation of the UN Charter and the ceasefire memorandum. It accused Washington of habitual oath-breaking and called on the UN Security Council to uphold international peace. The statement portrayed Iran as a victim of US aggression, emphasizing the regime's untrustworthiness.

Imprensa russa e CEI
IndignaçãoCeticismo

Russian outlets reported Iran's condemnation of US strikes as a breach of the ceasefire memorandum. They highlighted Iranian accusations that the US shows no regard for its commitments and that promise-breaking is inherent to its nature. The coverage framed the US as an unreliable actor, supporting Iran's position without explicit endorsement.

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domingo, 28 de junho de 2026

Escalada no Golfo Pérsico: Irã acusa EUA de violar memorando de paz e retalia com ataques a bases no Kuwait e Bahrein

Bombardeios americanos contra a costa sul iraniana provocam condenação de Teerã e retaliação militar, enquanto a continuidade do memorando de paz assinado em junho é posta em xeque.

Os Estados Unidos realizaram na madrugada de domingo uma série de bombardeios contra alvos militares ao longo da costa sul do Irã, atingindo infraestruturas de vigilância, comunicações, defesa antiaérea e depósitos de drones. Em comunicado, o Comando Central dos EUA (CENTCOM) afirmou que a operação foi uma resposta ao ataque iraniano ao petroleiro M/T Kiku no Estreito de Ormuz no dia anterior. Em reação, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) lançou mísseis balísticos e drones contra oito instalações militares americanas no Kuwait e no Bahrein, incluindo a base aérea de Ali Al Salem e a Quinta Frota Naval no porto de Salman, alegando ter destruído esses alvos. Um funcionário americano, citado pela Reuters, descartou baixas ou danos significativos.

O Ministério das Relações Exteriores iraniano qualificou os ataques como “bárbaros” e uma “violação flagrante” do memorando de entendimento assinado em 17 de junho de 2026 para pôr fim à guerra iniciada em fevereiro. Segundo Teerã, os bombardeios infringem o Artigo 2(4) da Carta da ONU, que proíbe o uso da força, e configuram uma quebra do compromisso de cessar-fogo. A diplomacia iraniana acusou Washington de não atribuir “o menor valor” aos seus acordos e de ter a “quebra de promessas como parte de sua natureza”. O Irã invocou o direito de autodefesa previsto no Artigo 51 da Carta e exortou o Conselho de Segurança e o secretário-geral da ONU a cumprirem suas responsabilidades. A IRGC advertiu que qualquer novo ataque americano receberá uma “resposta esmagadora” e que a continuidade das hostilidades “resultará na completa paralisação de todos os processos diplomáticos”.

O memorando, também conhecido como Acordo de Islamabad, foi firmado à distância após meses de conflito, que incluiu bombardeios a instalações nucleares iranianas por Israel, com alegado aval americano. O texto previa um cessar-fogo imediato e abria um período de 60 dias de negociações sobre o programa nuclear de Teerã e o levantamento de sanções. Contudo, o acordo já nasceu sob tensão: em 28 de maio, antes mesmo da assinatura, os EUA abateram drones iranianos e atingiram uma estação de controle em Bandar Abbas, num episódio que classificaram como “defensivo”. Em junho, ataques americanos a instalações nucleares em Natanz, Fordo e Isfahan foram condenados por países como Omã e levaram o Irã a pedir reunião de urgência do Conselho de Segurança. Esses antecedentes ilustram um ciclo de acusações mútuas que mina a credibilidade do processo.

Para países lusófonos, a escalada tem repercussões diretas. O Brasil, que ocupa uma cadeira rotativa no Conselho de Segurança da ONU no biênio 2025-2026, é chamado a posicionar-se sobre a crise – Brasília historicamente defende soluções diplomáticas e mantém laços comerciais com o Irã, sobretudo no setor agrícola. Em Lisboa, a diplomacia portuguesa, alinhada à UE e à NATO, tende a acompanhar os apelos por contenção, enquanto monitora os efeitos da instabilidade no fornecimento energético. Já em Luanda e Maputo, a preocupação recai sobre o impacto da tensão no Estreito de Ormuz nos preços do petróleo, cruciais para exportadores como Angola e para importadores como Moçambique. Até o momento, não houve manifestações oficiais desses governos, mas a situação é acompanhada com atenção.

As próximas etapas permanecem incertas. Com a IRGC a ameaçar transformar as bases americanas num “inferno” e Teerã a condicionar a diplomacia ao fim dos bombardeios, o período de negociação de 60 dias corre o risco de colapso. O Conselho de Segurança da ONU deverá reunir-se a pedido do Irã, como já ocorreu após os ataques de junho. Washington ainda não respondeu oficialmente às acusações iranianas. Analistas em capitais ocidentais alertam que a reiterada violação dos acordos pode inviabilizar uma saída negociada para o conflito, enquanto a comunidade lusófona, com interesses econômicos e diplomáticos na estabilidade do Golfo, observa com apreensão.

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AlarmeIndignaçãoVitimismo

Iran's Foreign Ministry condemned the US airstrikes as a blatant violation of the UN Charter and the ceasefire memorandum. It accused Washington of habitual oath-breaking and called on the UN Security Council to uphold international peace. The statement portrayed Iran as a victim of US aggression, emphasizing the regime's untrustworthiness.

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Russian outlets reported Iran's condemnation of US strikes as a breach of the ceasefire memorandum. They highlighted Iranian accusations that the US shows no regard for its commitments and that promise-breaking is inherent to its nature. The coverage framed the US as an unreliable actor, supporting Iran's position without explicit endorsement.

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