
Acordo entre Israel e Líbano enfrenta rejeição do Hezbollah e novos bombardeamentos
Firmado em Washington, o pacto condiciona retirada israelita ao desarmamento da milícia xiita, mas ataques prosseguiram e líder do Hezbollah classificou-o como “nulo”.
Menos de 48 horas após a assinatura de um acordo-quadro entre Israel e o Líbano, mediado pelos Estados Unidos em Washington, Israel voltou a bombardear o sul libanês e o Hezbollah rejeitou o texto, classificando‑o como uma “rendição da soberania”. Os ataques aéreos israelitas atingiram as localidades de Deir Serian, Taybeh e Khiam, a última das quais com explosões que incendiaram habitações civis, enquanto o exército israelita confirmou a morte de um soldado em combate no terreno. O acordo, alcançado após cinco rondas de negociações, estabelece que a retirada faseada das tropas israelitas do sul do Líbano — começando por duas zonas‑piloto não identificadas — ficará condicionada ao desarmamento verificado do Hezbollah, grupo apoiado pelo Irão.
A posição do Governo libanês, transmitida pelo Presidente Joseph Aoun ao seu homólogo norte‑americano, Donald Trump, é a de que o Estado “assumirá as suas responsabilidades” na implementação do pacto. A embaixada do Líbano em Washington sublinhou que o processo se inicia com a saída israelita das duas zonas e a subsequente tomada de controlo pelo exército libanês. Em contraste, o líder do Hezbollah, Naim Qassem, declarou o acordo “nulo e sem efeito”, apelidando‑o de “humilhação” e alertando que a ligação entre retirada e desarmamento constitui uma “linha vermelha”. O deputado da milícia, Hassan Fadlallah, foi mais longe ao afirmar que o texto “nunca verá a luz do dia” e poderá arrastar o país para um “conflito interno”. Em Telavive, o primeiro‑ministro Benjamin Netanyahu qualificou o entendimento de “histórico”, mas o ministro da Defesa, Israel Katz, deu instruções para que as tropas se preparem para uma “estadia prolongada” na chamada zona de segurança.
Na perspetiva de Washington, o acordo visa pôr fim a um estado de guerra que perdura desde a criação de Israel, em 1948, mas analistas internacionais sublinham o ceticismo quanto à capacidade de Beirute impor o desarmamento de um ator armado profundamente enraizado no tecido social xiita. A França, que mantém responsabilidades históricas no país dos cedros, declarou‑se “pronta a contribuir” para a implementação. Teerão, por seu lado, insiste que as negociações do Irão com os EUA — que incluem um memorando de entendimento paralelo — devem abranger o Líbano, e o presidente do Parlamento iraniano afirmou que o objetivo é “pôr fim à guerra, devolver os refugiados e remover a ocupação”. Observadores em Lisboa notam que o incumprimento de anteriores cessar‑fogos, como o de novembro de 2024, alimenta a desconfiança recíproca.
O atual ciclo de violência foi desencadeado em março pelo Hezbollah, que disparou rockets contra Israel em solidariedade com o Irão após a morte do líder supremo iraniano em ataques israelo‑americanos, e já provocou mais de 4000 mortos no Líbano. O acordo‑quadro prevê que as duas zonas‑piloto sirvam de teste para uma retirada mais alargada, mas a continuação dos bombardeamentos e a recusa do Hezbollah em depor armas indiciam um caminho difícil. O Comando Central dos EUA (CENTCOM) deverá supervisionar no terreno a aplicação dos primeiros passos, enquanto o exército libanês se prepara para assumir funções nas áreas designadas, um processo que permanece sob o signo da incerteza.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O acordo é uma rendição perigosa que coloca a segurança de Israel acima da do Líbano, minando a soberania nacional e arriscando um conflito interno.
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