
Editoras dos EUA processam Google por treinar IA Gemini com livros sem autorização
Hachette, Elsevier e autores acusam a tecnológica de copiar milhões de obras para alimentar o modelo generativo, num caso que ecoa disputas semelhantes e é acompanhado com atenção no espaço lusófono.
Um grupo de grandes editoras e autores norte-americanos apresentou esta terça-feira uma ação coletiva em Nova Iorque contra a Google, acusando a empresa de utilizar milhões de obras protegidas por direitos de autor para treinar o seu modelo de inteligência artificial Gemini sem obter licenças nem pagar compensações. A queixa, subscrita pela Hachette Book Group, Cengage Learning, Elsevier, pelo escritor Scott Turow e pela sua editora S.C.R.I.B.E., alega que a Google copiou secretamente conteúdos inicialmente fornecidos à biblioteca digital Google Books e a outros serviços para fins limitados, reproduzindo-os depois em larga escala no treino do sistema generativo.
Na perspetiva dos queixosos, a dimensão e a rapidez com que o Gemini passou a produzir livros capazes de concorrer diretamente com autores humanos não têm precedentes. A ação sustenta ainda que o modelo adapta as suas respostas para imitar elementos estilísticos e escolhas criativas de escritores específicos, o que, segundo as editoras, agrava o prejuízo comercial e a desproteção dos titulares de direitos. Os autores pedem ao tribunal que ordene a cessação imediata destas práticas e fixe indemnizações por danos, cujo montante não foi quantificado na petição inicial.
O processo insere-se numa vaga de litígios sobre direitos de autor movidos contra empresas de IA nos Estados Unidos. Em maio, várias das mesmas entidades já tinham processado a Meta com argumentos semelhantes. No caso da Anthropic, um juiz aprovou em setembro um acordo de 1,5 mil milhões de dólares com autores que a acusavam de copiar ilegalmente milhões de livros para treinar o modelo Claude, mas considerou que a utilização de obras para treino podia configurar “uso justo” ao abrigo da lei norte-americana, ao passo que outros usos de materiais pirateados não estavam protegidos. A Meta obteve igualmente uma vitória parcial quando um tribunal da Califórnia considerou que o recurso a materiais protegidos para treino era transformativo e, portanto, abrangido pela doutrina do fair use.
Observadores em Brasília e em Lisboa notam que o desfecho destes casos nos EUA tenderá a influenciar os debates regulatórios no espaço lusófono. No Brasil, o projeto de lei sobre inteligência artificial em discussão no Senado prevê a obrigação de respeito pelos direitos autorais no treino de modelos, mas a definição do que constitui uso legítimo permanece em aberto. Em Portugal, a transposição da diretiva europeia sobre direitos de autor no mercado único digital já impõe deveres de transparência, embora a articulação com o recém-aprovado Regulamento Europeu de IA ainda esteja por testar. A Google não se pronunciou publicamente sobre a ação, e o processo encontra-se na fase inicial de citações e respostas, sem data prevista para uma primeira audiência.
| Imprensa europeia continental | −0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa chinesa | −0.50 | critical |
European and American publishers take Google to court for copyright infringement, seeking justice for the unauthorized use of their works.
The narrative relies on direct quotes from the lawsuit and legal terminology to present the case as a matter of law, without taking an explicit stance.
It does not mention Google's internal risk assessment nor the previous California rulings that recognized fair use for AI training.
Google knowingly violated copyright, as evidenced by its own internal documents estimating billions in fines.
Credibility is built by citing Google's internal documents and previous court rulings, creating a picture of premeditated guilt.
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