
Demissão do ministro da Defesa ucraniano provoca protestos e expõe fratura no comando militar
Afastamento de Mykhailo Fedorov, figura central da modernização das forças armadas, gerou manifestações em várias cidades e a demissão do vice-comandante da força aérea, enquanto o parlamento aprovou um novo primeiro-ministro.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afastou o ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, apenas seis meses após a sua nomeação, no quadro de uma remodelação governamental mais ampla que incluiu a substituição da primeira-ministra. A decisão, confirmada na quarta-feira, desencadeou protestos invulgares em tempo de guerra em Kiev, Lviv, Dnipro e outras cidades, onde milhares de manifestantes exigiram a reintegração do ministro. O vice-comandante da força aérea, Pavlo Yelizarov, demitiu-se em solidariedade, classificando o afastamento como “um grande mal para a capacidade de defesa do país”. O parlamento aprovou entretanto Serhii Koretskyi, até agora diretor da empresa estatal de energia Naftogaz, como novo primeiro-ministro, com 289 votos a favor.
Segundo fontes parlamentares e o próprio Fedorov, a saída resultou de um conflito estrutural com o comandante-em-chefe das Forças Armadas, general Oleksandr Syrskyi. Numa conferência de imprensa, o ex-ministro acusou Syrskyi de bloquear sistematicamente as iniciativas de reforma do ministério e de se recusar a discutir problemas diretamente, afirmando que o general “em vez de descobrir como derrotar a Rússia de forma assimétrica, descobriu como dividir o país”. Fedorov revelou ter proposto a Zelensky a substituição de Syrskyi, mas o presidente recusou. Zelensky, por seu lado, apelou à “unidade” e reconheceu que o conflito entre o ministério e o estado-maior se tornara sistémico, colocando-o perante uma escolha impossível em tempo de guerra. O general Syrskyi, em comunicado, limitou-se a defender o seu historial e a apelar ao foco no esforço de guerra.
Na perspetiva de analistas em Kiev, o afastamento de Fedorov representa um recuo na tentativa de transformar as forças armadas ucranianas, ainda marcadas por estruturas de tipo soviético, numa força mais ágil e tecnológica. Fedorov, antigo ministro da Transformação Digital, era amplamente reconhecido por ter impulsionado a utilização massiva de drones, a digitalização dos processos de aquisição e uma auditoria que, segundo o próprio, expôs milhares de milhões de dólares em contratos corruptos. A sua saída gerou apreensão entre militares no terreno, que temem a paralisação do fornecimento de equipamento e o regresso de práticas opacas. Em Bruxelas, o comissário europeu da Defesa, Andrius Kubilius, manifestou “grande surpresa” e pediu esclarecimentos a Kiev, sublinhando a importância de dar continuidade às reformas iniciadas. Já comentadores militares russos saudaram a decisão, considerando Fedorov um adversário “demasiado inteligente e eficaz” e prevendo que a sua saída facilitará as operações de Moscovo.
A remodelação ocorre num momento em que a Ucrânia alcançou alguns dos seus maiores sucessos militares desde o final de 2022, travando o avanço russo no leste e intensificando ataques com drones de longo alcance contra infraestruturas petrolíferas e logísticas na Rússia. O novo primeiro-ministro, Koretskyi, assume o cargo com a missão declarada de preparar o país para mais um inverno de guerra, capitalizando a sua experiência no setor energético. Zelensky nomeou entretanto o chefe dos serviços de segurança (SBU), Yevgeniy Khmara, como ministro da Defesa interino, mas a votação parlamentar para um substituto permanente ainda não foi agendada. A continuidade das reformas no setor da defesa permanece em aberto, enquanto os protestos e as demissões de solidariedade indicam uma clivagem profunda entre a sociedade civil, uma parte das forças armadas e a liderança política e militar do país.
| Imprensa europeia continental | −0.70 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.60 | critical |
| Imprensa latino-americana | −0.10 | neutral |
O jovem ministro reformista foi sacrificado para salvar os generais conservadores. A guerra se vence com inovação, não com burocracia.
Enfatiza o contraste geracional e a resistência à mudança, citando as declarações de Fedorov e os protestos de rua.
Não é dada voz ao comandante Syrskyi nem explicada sua posição.
Fedorov era o melhor ministro que a Ucrânia poderia ter. Sua demissão é um presente para Putin.
Utiliza o relato pessoal de Fedorov e os testemunhos de soldados para criar empatia e condenação.
As razões do comando militar para o conflito com Fedorov não são exploradas em profundidade.
A demissão do ministro desencadeou uma crise política. Zelensky busca unidade enquanto os protestos crescem.
Relata os fatos de forma equilibrada, citando tanto as críticas quanto a resposta de Zelensky, para manter a credibilidade.
Não se aprofunda nos sucessos específicos de Fedorov na guerra de drones e nas reformas.
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