
Divergências entre Vance e Rubio expõem duas vias inconciliáveis para o Irão e o Líbano
Memorandos contraditórios e a disputa entre os dois potenciais sucessores de Trump revelam abordagens opostas que complicam as negociações nucleares e o frágil cessar-fogo libanês.
A administração norte-americana está dividida entre dois memorandos de entendimento que traçam rumos opostos para o Médio Oriente. O chamado “memorando de Islamabad”, negociado pelo vice-presidente J.D. Vance com o Irão, exige na sua primeira cláusula a retirada total de Israel do Líbano. Em contraste, o memorando liderado pelo secretário de Estado Marco Rubio, alinhado com os interesses de segurança israelitas, não prevê qualquer retirada, apenas um “redesdobramento” das forças, e um anexo secreto, divulgado pelo Times of Israel, concede ao exército israelita liberdade de ação na zona de segurança e a monitorização do desarmamento do Hezbollah.
A reação em Beirute foi imediata. O presidente do Parlamento libanês, Nabih Berry, líder do partido xiita Amal e aliado do Hezbollah, classificou o memorando Rubio como “contraditório e impossível de aplicar”, alertando que o Líbano não pode assumir as consequências de “cálculos políticos de Israel ou dos EUA ditados por considerações eleitorais” e que a pressão externa pode conduzir a “tentativas de balcanizar o Líbano”. Em Teerão, a Assembleia dos Peritos, órgão teológico que hierarquicamente se sobrepõe à presidência e ao parlamento, advertiu os três negociadores iranianos para se aterem estritamente aos pontos definidos pelo Líder Supremo, Mojtaba Jamenei, num sinal de que o regime teme que o memorando de Vance seja uma armadilha para ganhar tempo e reorganizar o campo de batalha, como sustenta o analista belga Elijah Magnier.
Na perspetiva de Washington, a Casa Branca nega qualquer fratura, mas fontes da administração confirmam que Rubio se mostrou tão cético quanto a um acordo aceitável com o Irão que se recusou a chefiar a delegação às negociações de Islamabad, abrindo caminho para que Vance assumisse o protagonismo. O campo de Vance, que inclui os enviados Steve Witkoff e Jared Kushner, conseguiu um acordo parcial com o Irão e o cessar-fogo em Gaza, enquanto o campo de Rubio, em coordenação estreita com o político israelita Ron Dermer, impulsionou o acordo com o Líbano, alinhado com as exigências de segurança de Israel. Observadores em Lisboa, atentos à dinâmica interna da NATO, notam que a rivalidade entre os dois potenciais candidatos presidenciais em 2028 introduz uma volatilidade adicional num dossier já de si frágil.
O estado do dossiê permanece incerto. A trégua acordada com o Irão é testada por repetidas trocas de fogo, enquanto o acordo sobre o Líbano enfrenta a rejeição do Hezbollah e a desconfiança de que o governo libanês cedeu à pressão norte-americana, esvaziando a cláusula de retirada total. Em Brasília, onde reside a maior comunidade libanesa da diáspora, o desenrolar dos acontecimentos é acompanhado com particular atenção, dado o potencial impacto humanitário e o interesse do Brasil, atualmente membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU, na estabilidade da região. Os próximos passos dependem da capacidade de Washington conciliar as duas vias ou de uma clarificação do Presidente Trump sobre qual memorando prevalece.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A fratura entre Vance e Rubio expõe uma luta pelo poder dentro do governo Trump, cada um apoiado por lobbies externos influentes. O memorando de Vance com o Irã e o acordo pró-Israel de Rubio revelam estratégias inconciliáveis que estão redesenhando o Oriente Médio. A ironia é que enquanto Musk apoia Vance, a 'madrinha' de Rubio, Adelson, ataca Trump.
Dois campos rivais dentro do governo americano competem pela gestão dos dossiês do Líbano e do Irã. O campo de Vance, com Witkoff e Kushner, conseguiu um acordo parcial com o Irã e o cessar-fogo em Gaza, enquanto o de Rubio, em coordenação com Israel, impulsionou um acordo sobre o Líbano. Essa competência interna está redesenhando a política do Oriente Médio.
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