
Cimeira da NATO em Ancara expõe tensões sobre partilha de encargos e papel da Turquia
Encontro de 7 e 8 de julho é precedido por contactos entre Berlim e Washington e por apelos de Ancara à inclusão nos planos de defesa europeus.
A cimeira da NATO marcada para 7 e 8 de julho em Ancara é antecedida por movimentações diplomáticas que expõem as linhas de fricção no interior da aliança. O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, reúne-se esta semana em Washington com o homólogo norte-americano, Marco Rubio, para negociar um novo modelo de partilha de encargos e garantir um apoio estável e de longo prazo à Ucrânia, segundo comunicado oficial citado pela imprensa argelina. Em paralelo, o ex-secretário-geral da NATO Jens Stoltenberg, atual ministro das Finanças norueguês, advertiu em entrevista ao diário Die Welt que a defesa dos Estados Unidos “começa na fronteira europeia com a Rússia”, sublinhando a dependência estratégica de Washington em relação aos aliados europeus.
Na perspetiva de Washington, a exigência de uma redistribuição dos custos da aliança é considerada legítima, mas a relação transatlântica enfrenta atritos adicionais. A administração Trump criticou a recusa de parceiros europeus em autorizar o uso de bases durante a campanha militar contra o Irão, conforme relatado pela agência Reuters a partir de Ancara. Stoltenberg, citado pela imprensa russa, recordou que o arsenal nuclear na península de Kola, do outro lado da fronteira norueguesa, tem como alvos Washington e Nova Iorque, e não Oslo, e que a Noruega, a Finlândia e outros países fornecem vigilância de submarinos, alerta precoce de mísseis e monitorização de voos militares — capacidades que descreveu como “decisivas para a segurança estratégica dos EUA”.
Do lado europeu, a resposta tem passado pelo aumento do investimento em defesa. A Alemanha está a caminho de se tornar o maior investidor europeu no setor, um movimento que, segundo Stoltenberg, é “o mais importante que a Europa pode fazer para preservar a NATO”. Contudo, Ancara introduz uma variável adicional: o Presidente Recep Tayyip Erdogan exigiu que a Turquia seja incluída nas iniciativas de defesa e segurança da União Europeia, nomeadamente no programa SAFE, dotado de 150 mil milhões de euros. Erdogan afirmou perante parlamentares dos 32 Estados-membros que as contribuições turcas são “indispensáveis” e pediu o levantamento de todas as restrições ao comércio de equipamento de defesa entre aliados. A elegibilidade técnica da Turquia depende, porém, da aprovação unânime dos 27 Estados-membros da UE, e Atenas já ameaçou bloquear o processo, segundo a imprensa malaia.
A cimeira de Ancara terá ainda de lidar com os conflitos na Ucrânia, em Gaza e no Irão, bem como com a exigência turca de maior apoio dos aliados no combate ao PKK. Stoltenberg defendeu que a NATO deve mobilizar “apoio máximo” a Kiev para alterar o cálculo de Moscovo antes de quaisquer negociações, embora tenha declarado não acreditar ser possível “fazer Putin mudar de ideias”. O encontro entre Wadephul e Rubio é visto como um passo preparatório para a cimeira, da qual se esperam decisões sobre a nova arquitetura de partilha de encargos e sobre o grau de integração da Turquia nos mecanismos europeus de defesa.
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.30 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa russa e CEI | −0.50 | critical |
| Imprensa iraniana e afins | −0.20 | neutral |
The West must strengthen deterrence against Iran and not compromise with Turkey.
A hierarchy of threats is constructed, placing Iran at the top to justify a hardline stance.
Russia will not stop until it creates a secure buffer zone, and NATO must stop expanding.
Symmetric escalation is used: every NATO move is described as a provocation requiring a proportional military response.
Iran does not trust the US and looks east for alliances, while the NATO summit is irrelevant to its interests.
Strategic victimhood is adopted, recalling broken promises to delegitimize any deal with the West.
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