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Geopolítica & Políticasegunda-feira, 29 de junho de 2026

El Niño de 2026-2027 deve ser um dos mais intensos desde 1950, com impactos globais na agricultura e energia

Fenómeno climático confirmado pela NOAA e Ideam mobiliza governos da Indonésia ao Brasil, com riscos de secas, inundações e quebras de safras em 2026/27.

A confirmação do fenómeno El Niño em junho de 2026, anunciada pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos e pelo Instituto de Hidrologia, Meteorologia e Estudos Ambientais (Ideam) da Colômbia, coloca o planeta perante um episódio com 63% de probabilidade de atingir a categoria “Muito Forte” entre novembro e janeiro. Projeções de agências meteorológicas indicam que o aquecimento das águas do Pacífico equatorial, iniciado em maio, deverá prolongar-se até ao primeiro trimestre de 2027, com potencial para se juntar aos ciclos extremos de 1982/83, 1997/98, 2015/16 e 2023/24. A escala do evento desencadeou uma vaga de preparação em vários continentes, da Ásia à América do Sul, à medida que governos locais ajustam planos de contingência para secas, inundações e pressões sobre a produção de alimentos e energia.

Na Indonésia, o ministro do Interior, Tito Karnavian, instruiu todos os governadores e autarcas a reforçarem a mitigação face à estação seca de julho a outubro, período em que os efeitos do El Niño mais se farão sentir no arquipélago. Segundo o ministro, as prioridades são a prevenção de incêndios florestais e a gestão da escassez de água, com o governo central a mobilizar os ministérios da Agricultura e das Obras Públicas para expandir a irrigação e a bombagem, enquanto a agência nacional de desastres prepara operações de modificação artificial do clima. Na América do Sul, o cenário é heterogéneo. Na Colômbia, o Ideam alerta para uma redução progressiva dos caudais e dos níveis das albufeiras, apesar de as reservas hídricas se encontrarem nos 74% em junho, beneficiando de chuvas atípicas no início do ano. O governo colombiano apela à poupança de água e energia e ao reforço dos planos de prevenção de incêndios florestais. No Brasil, analistas do setor elétrico sublinham que um El Niño forte amplia as incertezas hidrológicas: as chuvas acima da média no Sul e no sul do Sudeste podem favorecer a energia afluente, mas as temperaturas elevadas deverão pressionar a procura de eletricidade, num contexto de crescimento estrutural da carga de cerca de 5% em 2026. Já na Argentina, o ministro das Obras Públicas da província de Corrientes, Jorge Meza, advertiu que as projeções de precipitações abundantes a partir de agosto podem inundar até três milhões de hectares, levando o governo provincial a acelerar obras de drenagem e a preparar protocolos de remate de gado para evitar perdas no setor agropecuário.

Na África Ocidental, a Fitch Solutions projeta que o El Niño exercerá pressão descendente sobre a produção de cacau no Gana e na Costa do Marfim na campanha de 2026/27. A consultora estima uma quebra de 17,5% na produção marfinense, para 1,7 milhões de toneladas, enquanto a do Gana deverá estagnar nas 670 mil toneladas. A vulnerabilidade é ampliada pelo predomínio de pequenos agricultores com acesso limitado a irrigação e fertilizantes, e pelo envelhecimento das árvores, que reduz a resistência a pragas e doenças em condições de seca. A aplicação de fertilizantes para a colheita principal, prevista para setembro, poderá ser desincentivada pela menor eficácia em solos secos, agravando os riscos de oferta num mercado global já sob tensão.

A sucessão de episódios intensos de El Niño nas últimas décadas reforça, na perspetiva de instituições científicas internacionais, a tendência para eventos climáticos extremos mais frequentes, com impactos assimétricos. Enquanto o Sudeste Asiático e partes da América do Sul se preparam para a seca e os incêndios, o Cone Sul americano e a África Oriental enfrentam o risco de cheias. Os governos nacionais e subnacionais aceleram a coordenação intersetorial, com a Indonésia a envolver forças armadas e governos locais, e a Colômbia a rever planos de contingência hídrica. As próximas etapas conhecidas incluem a monitorização contínua pelas agências meteorológicas e a implementação das medidas de mitigação ao longo do segundo semestre de 2026, com os meses de julho a outubro a concentrarem as maiores preocupações no hemisfério sul.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Imprensa do Sudeste AsiáticoImprensa latino-americana
Imprensa do Sudeste Asiático
PragmatismoUrgência

O governo está instruindo os líderes regionais a reforçar as medidas de mitigação contra a chegada do El Niño. O foco está na prevenção de incêndios florestais, escassez de água e interrupções nos setores agrícola e energético. A abordagem é pragmática e orientada para a preparação, enfatizando a coordenação antes da estação seca.

Imprensa latino-americana/ Mercado
AlarmePragmatismo

Espera-se que o El Niño traga impactos contrastantes em toda a região, desde secas extremas em algumas áreas até inundações devastadoras em outras. Os mercados de energia, a agricultura e os reservatórios de água estão ameaçados, com alertas de graves complicações. A narrativa mistura preocupação econômica com apelos à adaptação urgente.

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El Niño de 2026-2027 deve ser um dos mais intensos desde 1950, com impactos globais na agricultura e energia

Fenómeno climático confirmado pela NOAA e Ideam mobiliza governos da Indonésia ao Brasil, com riscos de secas, inundações e quebras de safras em 2026/27.

A confirmação do fenómeno El Niño em junho de 2026, anunciada pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos e pelo Instituto de Hidrologia, Meteorologia e Estudos Ambientais (Ideam) da Colômbia, coloca o planeta perante um episódio com 63% de probabilidade de atingir a categoria “Muito Forte” entre novembro e janeiro. Projeções de agências meteorológicas indicam que o aquecimento das águas do Pacífico equatorial, iniciado em maio, deverá prolongar-se até ao primeiro trimestre de 2027, com potencial para se juntar aos ciclos extremos de 1982/83, 1997/98, 2015/16 e 2023/24. A escala do evento desencadeou uma vaga de preparação em vários continentes, da Ásia à América do Sul, à medida que governos locais ajustam planos de contingência para secas, inundações e pressões sobre a produção de alimentos e energia.

Na Indonésia, o ministro do Interior, Tito Karnavian, instruiu todos os governadores e autarcas a reforçarem a mitigação face à estação seca de julho a outubro, período em que os efeitos do El Niño mais se farão sentir no arquipélago. Segundo o ministro, as prioridades são a prevenção de incêndios florestais e a gestão da escassez de água, com o governo central a mobilizar os ministérios da Agricultura e das Obras Públicas para expandir a irrigação e a bombagem, enquanto a agência nacional de desastres prepara operações de modificação artificial do clima. Na América do Sul, o cenário é heterogéneo. Na Colômbia, o Ideam alerta para uma redução progressiva dos caudais e dos níveis das albufeiras, apesar de as reservas hídricas se encontrarem nos 74% em junho, beneficiando de chuvas atípicas no início do ano. O governo colombiano apela à poupança de água e energia e ao reforço dos planos de prevenção de incêndios florestais. No Brasil, analistas do setor elétrico sublinham que um El Niño forte amplia as incertezas hidrológicas: as chuvas acima da média no Sul e no sul do Sudeste podem favorecer a energia afluente, mas as temperaturas elevadas deverão pressionar a procura de eletricidade, num contexto de crescimento estrutural da carga de cerca de 5% em 2026. Já na Argentina, o ministro das Obras Públicas da província de Corrientes, Jorge Meza, advertiu que as projeções de precipitações abundantes a partir de agosto podem inundar até três milhões de hectares, levando o governo provincial a acelerar obras de drenagem e a preparar protocolos de remate de gado para evitar perdas no setor agropecuário.

Na África Ocidental, a Fitch Solutions projeta que o El Niño exercerá pressão descendente sobre a produção de cacau no Gana e na Costa do Marfim na campanha de 2026/27. A consultora estima uma quebra de 17,5% na produção marfinense, para 1,7 milhões de toneladas, enquanto a do Gana deverá estagnar nas 670 mil toneladas. A vulnerabilidade é ampliada pelo predomínio de pequenos agricultores com acesso limitado a irrigação e fertilizantes, e pelo envelhecimento das árvores, que reduz a resistência a pragas e doenças em condições de seca. A aplicação de fertilizantes para a colheita principal, prevista para setembro, poderá ser desincentivada pela menor eficácia em solos secos, agravando os riscos de oferta num mercado global já sob tensão.

A sucessão de episódios intensos de El Niño nas últimas décadas reforça, na perspetiva de instituições científicas internacionais, a tendência para eventos climáticos extremos mais frequentes, com impactos assimétricos. Enquanto o Sudeste Asiático e partes da América do Sul se preparam para a seca e os incêndios, o Cone Sul americano e a África Oriental enfrentam o risco de cheias. Os governos nacionais e subnacionais aceleram a coordenação intersetorial, com a Indonésia a envolver forças armadas e governos locais, e a Colômbia a rever planos de contingência hídrica. As próximas etapas conhecidas incluem a monitorização contínua pelas agências meteorológicas e a implementação das medidas de mitigação ao longo do segundo semestre de 2026, com os meses de julho a outubro a concentrarem as maiores preocupações no hemisfério sul.

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O governo está instruindo os líderes regionais a reforçar as medidas de mitigação contra a chegada do El Niño. O foco está na prevenção de incêndios florestais, escassez de água e interrupções nos setores agrícola e energético. A abordagem é pragmática e orientada para a preparação, enfatizando a coordenação antes da estação seca.

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Espera-se que o El Niño traga impactos contrastantes em toda a região, desde secas extremas em algumas áreas até inundações devastadoras em outras. Os mercados de energia, a agricultura e os reservatórios de água estão ameaçados, com alertas de graves complicações. A narrativa mistura preocupação econômica com apelos à adaptação urgente.

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