
Ébola no Congo supera mil casos e revela limites da resposta sanitária
A variante Bundibugyo, sem vacina ou tratamento específico, já provocou 254 mortes; o rastreio de contactos não chega a 60% e o pico da epidemia ainda está por vir.
O número de casos confirmados de Ébola na República Democrática do Congo (RDC) atingiu 1.003, com 254 mortes, segundo as autoridades de saúde congolesas a 21 de junho. A taxa de letalidade situa-se em 25,3%, e a província de Ituri, no leste do país, concentra mais de 90% das infeções. O surto, declarado a 15 de maio, já se propagou às províncias vizinhas de Kivu Norte e Kivu Sul e ao Uganda, onde foram registados 19 casos e dois óbitos.
A epidemia é causada pela estirpe Bundibugyo, uma variante rara do vírus para a qual não existem vacinas aprovadas nem terapêuticas específicas. Os sintomas iniciais — febre, cefaleias — assemelham-se aos da malária, o que tem levado a infeções de profissionais de saúde em clínicas comuns antes de o diagnóstico ser estabelecido. Pelo menos 78 enfermeiros, médicos e outros trabalhadores sanitários contraíram a doença e 18 morreram. O rastreio de contactos, essencial para conter a transmissão, caiu para 58%, muito abaixo dos 90% recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). As autoridades ainda não identificaram o paciente zero e estimam que mais de 35 mil pessoas tenham estado expostas ao vírus.
A resposta internacional mobilizou múltiplos atores. O Japão concedeu uma subvenção de emergência de 3,5 milhões de dólares, o centro logístico Dubai Humanitarian enviou uma terceira ponte aérea com 76,2 toneladas de material e a China destacou equipas médicas e anunciou ajuda adicional. A OMS declarou uma emergência de saúde pública de interesse internacional a 17 de maio, e doadores comprometeram cerca de 910 milhões de dólares. No terreno, a insegurança alimentar e os conflitos armados dificultam a ação: mais de 150 doentes fugiram de centros de isolamento por falta de comida, e o campo de deslocados de Kigonze, com 20 mil pessoas, registou mortes suspeitas que ainda não foram esclarecidas. Observadores em Brasília e Lisboa notam que o surto sublinha a necessidade de reforçar a vigilância epidemiológica em países tropicais, incluindo os da África lusófona, onde ecossistemas propícios a zoonoses exigem preparação permanente.
As autoridades congolesas tornaram os cuidados de saúde gratuitos em Ituri e expandiram a capacidade laboratorial. Ao mesmo tempo, terapêuticas experimentais baseadas em anticorpos de sobreviventes mostraram resultados preliminares encorajadores, como no caso de um médico norte-americano tratado em Berlim. O próximo marco factual será a reavaliação da OMS sobre a eficácia das medidas de contenção, enquanto as equipas no terreno procuram elevar a taxa de rastreio de contactos e identificar a origem da cadeia de transmissão.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O surto no leste do Congo ultrapassou 1.000 casos confirmados e 254 mortes. É causado pelo raro vírus Bundibugyo, para o qual não há vacinas nem tratamentos, tornando a contenção particularmente difícil. As autoridades estão a lutar para controlar um agente patogénico sem contramedidas médicas.
Os casos confirmados de Ébola no Congo ultrapassaram os 1.000, com 254 mortes, mas a resposta está a ser minada por ataques repetidos aos centros de tratamento. Um novo assalto a uma unidade em Beni aumentou os receios de que a violência esteja a dificultar a contenção. Os profissionais de saúde enfrentam o perigo não só do vírus, mas também da agressão armada.
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