
Aoun vincula desarmamento do Hezbollah à lealdade libanesa e mantém negociações com Israel
Presidente libanês rejeita críticas ao acordo-quadro, acusa opositores de quererem devolver o país ao controlo iraniano e prepara visita a Washington para discutir a aplicação do entendimento e o futuro do arsenal do partido xiita.
O Presidente libanês, Joseph Aoun, afirmou esta sexta-feira que não recuará na decisão de negociar diretamente com Israel, apesar da rejeição do Hezbollah ao acordo-quadro alcançado com mediação norte-americana. Em encontros com jornalistas e com a bancada do partido Forças Libanesas, Aoun sustentou que a via diplomática é a única capaz de devolver ao Líbano os direitos perdidos, desde que Israel cumpra os seus termos. "Fiz uma escolha difícil e o caminho não é fácil, devido ao equilíbrio de forças, aos cálculos israelitas, à situação entre o Irão e os EUA e a outras complexidades", declarou, segundo fontes em Beirute. O presidente acrescentou que o acordo não é ideal, mas representa "o melhor possível" face à realidade da ocupação, e estimou em 50% as hipóteses de sucesso, sublinhando o papel dos Estados Unidos como garante.
A posição de Aoun colide frontalmente com a do Hezbollah. O secretário-geral do partido, Naim Qassem, classificou o entendimento como "nulo e sem validade" e reiterou a aposta na "resistência armada". O presidente do Parlamento, Nabih Berri, aliado do Hezbollah, advertiu que o acordo pode gerar divisões internas e não será executado. Em contraste, o líder das Forças Libanesas, Samir Geagea, apoiou o presidente, afirmando que "não há alternativa às negociações" e que "não cabe ao Hezbollah decidir o que o Estado deve fazer". Na leitura de Aoun, as críticas ao processo negocial "decorrem do desejo de devolver o dossier libanês ao controlo do Irão". O presidente foi mais longe: "Enquanto a opção do partido for iraniana, não haverá progresso. As questões resolver-se-ão quando a lealdade do partido for libanesa, e não iraniana."
O futuro do arsenal do Hezbollah dominou as declarações. Aoun revelou que, na visita prevista a Washington, dirá ao presidente Donald Trump que a questão das armas deve ser tratada "no interior do Líbano, e não a partir do exterior, no quadro de uma estratégia abrangente de natureza social, económica e de segurança". Sublinhou que o essencial é "tratar a causa raiz da presença das armas" nas mãos do partido, e não falar simplesmente em "desarmamento", até porque o material não está aquartelado, mas "escondido por toda a parte". O presidente enviou ainda uma figura cristã a Teerão para apresentar condolências pela morte do guia supremo e transmitir um recado: "Que estejam atentos ao conceito de relação entre Estados". Acusou ainda declarações da Guarda Revolucionária iraniana de terem inviabilizado o plano das "zonas experimentais" no sul.
O contexto é o de um país devastado por uma guerra que, segundo números oficiais libaneses, matou mais de 4.300 pessoas, incluindo mais de 250 crianças, e que Israel afirma ter eliminado mais de 2.500 combatentes do Hezbollah. Aoun manifestou um otimismo cauteloso quanto a "passos positivos no terreno na próxima semana", mas receia o contágio de tensões regionais. O exército libanês prepara-se para se desdobrar nas zonas a sul, em simultâneo com uma retirada israelita, no quadro do acordo. As conversações sobre fronteiras com Israel ficarão limitadas a 13 pontos litigiosos, e foi enviado um dossiê a Damasco sobre a delimitação comum, ainda sem resposta. Aoun vê no convite de Trump uma "oportunidade de ouro" para testar a credibilidade americana na aplicação do acordo, enquanto o chamado "processo de Islamabad", entre Washington e Teerão, é encarado por Geagea como alheio aos interesses libaneses e uma tentativa do Irão de preservar a sua influência.
| Imprensa iraniana e afins | −0.80 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | +0.70 | aligned |
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | 0.00 | neutral |
O Hezbollah e seus aliados denunciam o presidente Aoun por ceder às pressões americanas e israelenses, colocando em perigo a resistência libanesa.
Eles apresentam a ação de Aoun como uma traição ao legado da resistência e como inconstitucional, deslegitimando assim o processo de negociação.
O bloco omite o apoio doméstico à posição de negociação de Aoun e as críticas aos laços do Hezbollah com o Irã.
O presidente Aoun e seus aliados afirmam o direito do Estado de negociar e criticam a lealdade estrangeira do Hezbollah.
Eles apresentam Aoun como a personificação da soberania libanesa, contrastando-o com o Hezbollah como um agente estrangeiro, tornando a negociação uma questão de identidade nacional.
O bloco omite as objeções constitucionais do Hezbollah e o apoio popular à resistência.
Atores libaneses tanto pró-Aoun quanto pró-Hezbollah expressam suas posições contrastantes, refletindo o debate interno.
Ao apresentar ambos os lados sem tomar uma posição clara, o bloco retrata a questão como um desacordo político legítimo dentro do Líbano.
O bloco omite o contexto geopolítico regional e os detalhes específicos do acordo-quadro.
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