
Odisseia gelada, calor humano: ‘The Odyssey’ de Christopher Nolan
Da Islândia congelante aos cafés de Mumbai, a adaptação de Homero por Nolan reúne estrelas de Hollywood e mitologia grega numa produção que explora a ambição técnica e a fragilidade dos seus intérpretes.
O primeiro dia de rodagem de “The Odyssey” na Islândia deixou Zendaya literalmente sem palavras. Escalada por Christopher Nolan para interpretar Atena, a deusa grega da sabedoria, a atriz deparou-se com temperaturas tão extremas que a boca lhe congelou antes de conseguir articular uma única fala. “Só saía ‘blah blah blah’”, contou, entre o riso e o embaraço, num podcast. Para Nolan, porém, a hesitação gelada não foi mais do que um deslize humano: “Ela esteve sempre perfeita. Absolutamente perfeita”, assegurou o realizador, revelando uma confiança que o próprio admite vacilar a cada nova estreia.
A produção, que adapta a epopeia homérica com uma das mais ambiciosas montagens técnicas da carreira do cineasta, chega aos cinemas mundiais a 17 de julho após uma gestação alimentada por referências tão diversas como “Ran”, de Kurosawa, e “A Última Tentação de Cristo”, de Scorsese. “Não pode parecer um épico histórico dos anos 60”, advertiu Nolan, explicando que a incursão na Antiguidade lhe desperta um fascínio próximo da ficção científica. O filme, com quase três horas, recorre pela primeira vez a câmaras IMAX em toda a narrativa — uma decisão que, como descobriu Tom Holland, impunha ritmos inesperados: convencido de que Nolan o detestava por interromper constantemente as tomadas, o jovem ator só percebeu que os “magazines” de película duravam escassos três minutos. O mal-entendido dissipou-se com a ajuda do coordenador de duplos, e Holland, tal como Zendaya, aprendeu a dançar o bailado técnico da superprodução.
Enquanto o gelo islandês testava o elenco, o calor de Mumbai oferecia um contraponto afetuoso. Antes da antestreia indiana, Nolan, Matt Damon e Holland fizeram uma pausa num café local para beber chá e “bun maska”, momento partilhado nas redes sociais pela Universal Pictures e devorado por fãs. A imagem do trio sorridente, alheio ao frenesim mediático, contrasta com o escrutínio a que a passadeira vermelha submete os corpos das estrelas: na antestreia parisiense, a silhueta de Charlize Theron gerou um debate intenso sobre saúde e pressão estética, com a atriz a defender hábitos antigos de alimentação e pilates, enquanto parte do público especulava, sem provas, sobre o uso de medicamentos.
Na Suécia, onde a imprensa sublinha o contributo dos fiéis colaboradores Hoyte van Hoytema (fotografia) e Ludwig Göransson (banda sonora), a aposta de Nolan é lida como uma síntese do seu percurso: a escala wagneriana de “Oppenheimer” ao serviço de uma mitologia fundadora. Observadores europeus notam que o realizador procura, na demanda de Ulisses, algo que o cinema ainda não deu — uma história universal que resista ao tempo sem se tornar mumificada. A presença de um elenco tão diverso quanto estelar (Anne Hathaway, Robert Pattinson, Lupita Nyong’o, Charlize Theron) acentua a vocação global do projeto, que em Portugal, no Brasil e nos países africanos de língua portuguesa será recebido com a curiosidade habitual em torno do realizador que une invenção formal e êxito comercial.
No fim, talvez o que fique seja a imagem de uma deusa com os lábios gelados, lutando contra a natureza para dar voz a uma sabedoria antiga, e de um herói que, na versão de Damon, precisará de mais dez anos para reencontrar Ítaca. Entre o gelo e o vapor do chá, “The Odyssey” promete ser menos uma lição de história do que um espelho das nossas ambições e fragilidades — um mito que, como Ulisses, insiste em regressar.
| Imprensa europeia continental | 0.00 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa do Sudeste Asiático | 0.00 | neutral |
| Imprensa latino-americana | −0.30 | critical |
| Imprensa indiana e sul-asiática | +0.50 | aligned |
The director speaks of his anxiety, and the article amplifies the tension as part of the creative process.
Uses direct quotes from Nolan to create an aura of authenticity and immediacy.
Omit the local Mumbai aspect and personal stories of the actors, focusing solely on the director's tension.
Zendaya recounts her extreme cold experience, and the article presents her as a heroine of dedication.
Tells a detailed personal anecdote to humanize the actress and make the narrative engaging.
Does not mention the film's plot or other stars, isolating Zendaya's anecdote.
Social media commentators speak about Theron's appearance, and the article reports the speculation without verification, giving voice to gossip.
Selects and amplifies unverified comments from X (Twitter), leveraging interest in celebrities' physical changes.
Ignores the film's content and the director's statements, reducing the event to gossip about Theron's body.
The Hollywood stars are shown enjoying a local experience, and the article celebrates their humility and respect for Indian culture.
Shows photos and description of the chai moment, associating the stars with an image of approachability and cultural respect.
Does not address the creative challenges of the film or critical opinions, focusing solely on the local anecdote.
Amplie o olhar
Morte do senador republicano Lindsey Graham aos 71 anos fragiliza maioria no Senado dos EUA
8 idiomas · 42 veículos
De Economy & MarketsMercado habitacional global reage a novas regras de crédito e pressões demográficas
4 idiomas · 6 veículos
De TechnologyOpenAI lança agente de trabalho autónomo e anuncia o fim do navegador Atlas
7 idiomas · 7 veículos