
Andy Burnham, o 'Rei do Norte', emerge como favorito à liderança trabalhista após renúncia de Starmer
Ex-autarca de Manchester e antigo ministro, Burnham confirma candidatura para suceder Keir Starmer, prometendo replicar o modelo de desenvolvimento regional à escala nacional.
A renúncia do primeiro-ministro britânico Keir Starmer abriu uma disputa pela liderança do Partido Trabalhista, e Andy Burnham, presidente da Câmara da Grande Manchester, confirmou que disputará a sucessão. Burnham, de 56 anos, regressou ao Parlamento em 2026 após vencer uma eleição intercalar em Makerfield, depois de quase uma década como autarca regional. A sua trajetória inclui passagens pelo gabinete de Tony Blair e Gordon Brown, bem como duas derrotas anteriores em corridas internas pela liderança, em 2010 e 2015.
Conhecido como “Rei do Norte” — epíteto ganho durante os confrontos com o governo de Boris Johnson sobre o financiamento da pandemia —, Burnham construiu uma plataforma política centrada no que designa por “Manchesterismo”: uma aposta no crescimento regional, no controlo local e nos serviços públicos. Na perspetiva de analistas em Londres, esta abordagem representa um afastamento do centrismo de Starmer, situando-o na chamada “esquerda suave” do partido. A sua popularidade no norte de Inglaterra e a capacidade de comunicação são apontadas como trunfos, embora críticos questionem a transposição do modelo municipal para a governação nacional.
Em matéria europeia, Burnham fez campanha pela permanência no referendo do Brexit em 2016, mas declarou posteriormente respeitar o resultado, uma posição que observadores em Lisboa consideram relevante para as futuras relações entre Londres e Bruxelas. O autarca promete ainda energia mais barata, redução dos preços dos transportes ferroviários e novos investimentos industriais no norte, num discurso que ecoa reivindicações de regiões periféricas noutros países europeus. De acordo com fontes do Partido Trabalhista, a sua eleição para a Câmara dos Comuns reforçou o apoio interno, tornando-o um dos nomes mais cotados para liderar a legenda.
A saída de Starmer ocorre num momento de pressão interna, após um ciclo de lideranças trabalhistas marcado por Ed Miliband, Jeremy Corbyn e o próprio Starmer. O processo de seleção do novo líder ainda não tem calendário definido, mas espera-se que o partido anuncie nas próximas semanas as regras da disputa. A eventual vitória de Burnham colocaria pela primeira vez um político oriundo do poder regional à frente do governo britânico, com potenciais implicações para a descentralização administrativa e para o relacionamento do Reino Unido com a União Europeia.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Após duas tentativas fracassadas, Andy Burnham, apelidado de 'Rei do Norte' por defender os interesses regionais, tem agora um caminho livre para se tornar líder trabalhista e primeiro-ministro. Seu mandato como prefeito de Manchester construiu uma reputação de franqueza e sucesso, posicionando-o como favorito.
Andy Burnham, por muito tempo visto como um eterno postulante em vez de vencedor, acredita que seu momento finalmente chegou após a renúncia de Starmer. O prefeito da Grande Manchester, derrotado duas vezes em disputas anteriores pela liderança, agora enxerga um caminho viável para Downing Street.
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