
Filipina Eala elimina campeã Swiatek e alcança feito inédito em Wimbledon
Alexandra Eala, de 21 anos, derruba Iga Swiatek e torna-se a primeira tenista das Filipinas a chegar às oitavas de final de um Grand Slam.
Com autoridade e nervos de aço no tie-break, a filipina Alexandra Eala protagonizou uma das maiores surpresas de Wimbledon ao eliminar a defensora do título, Iga Swiatek, por 7-6 (11-9) e 6-2, na terceira ronda. O confronto, disputado no Centre Court, começou morno para Eala, que sofreu quebra logo no início, mas a esquerdina de 21 anos reagiu, salvou dois set points e fechou o primeiro parcial após 84 minutos de alta tensão. No segundo set, acelerou para um 4-0, aproveitando os 44 erros não-forçados da polaca, que até então detinha seis títulos de Grand Slam e não caía tão cedo num major desde 2024.
A vitória tem contornos históricos para um país de 112 milhões de habitantes sem tradição no ténis. Eala já havia assinado a primeira presença filipina na terceira ronda de um slam e agora prolonga esse feito até às oitavas, algo inédito desde os tempos de Felicisimo Ampon, em 1953. Em lágrimas, ainda no relvado, dedicou o triunfo “às meninas com meias rendadas e bochechas gordinhas”, revivendo os treinos diários com o avô e o irmão nas Filipinas. “Para alguém como a Iga, que ganhou tantos slams, isto pode parecer pequeno, mas para mim é tudo”, disse, antes de avisar: “Não estou satisfeita. Próxima ronda, vamos.”
Na perspetiva da imprensa asiática, o feito de Eala é retratado como um momento de inspiração nacional, amplificado pelas imagens de centenas de adeptos filipinos que transformaram o All England Club numa festa. A Antara e o Media Indonesia, da Indonésia, realçam a comoção e a oferta do triunfo ao povo filipino, enquanto a cobertura europeia, do Sydsvenskan ao L’Équipe, sublinha o fracasso de Swiatek, que amargou a terceira eliminação precoce em Wimbledon e viu escapar a possibilidade de ser a primeira a defender o título desde Serena Williams (2016). O jornal sueco Sydsvenskan notou ainda que, minutos antes, Elena Rybakina, campeã de 2022, também caíra diante da belga Elise Mertens, engrossando a lista de favoritas apeadas.
Para os observadores lusófonos, a surpresa mereceu destaque no CNN Brasil e ecoou em Lisboa, onde se recorda que Eala é produto da Rafa Nadal Academy – a mesma que acolhe Swiatek em períodos de preparação. Apesar da formação de elite em Maiorca, a filipina nunca escondeu as raízes: “É uma honra abrir caminho para as jovens, mas quero que elas sejam a primeira versão delas mesmas, não a próxima Alex Eala”, afirmou. Com o triunfo, a número 32 do ranking saltará para a sua melhor classificação de sempre e enfrenta na segunda-feira a italiana Jasmine Paolini, vice-campeã em 2024, numa tentativa de chegar aos quartos de final – outro território jamais pisado por uma filipina.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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