
Onda de violência na Nigéria deixa dezenas de mortos, estudantes raptados e comunidades sob tensão
Confrontos comunais no estado do Níger, ataque a escola em Borno e ações de bandidos em Bauchi e Benue marcam dias de insegurança, com balanços ainda provisórios e operações de resgate em curso.
Pelo menos 18 pessoas morreram em confrontos ligados a uma disputa de terras na região de Rafi, estado do Níger, no centro-oeste da Nigéria, segundo a polícia local. Entre as vítimas, 15 foram queimadas vivas quando agressores incendiaram uma residência de dois quartos na comunidade de Angwan-Baago, na noite de 1 de julho. Um relatório de segurança elaborado para as Nações Unidas, no entanto, aponta para um balanço superior: 42 agricultores da etnia Kamuku mortos por milícias de pastores armados com catanas na localidade de Tegina, no mesmo distrito, e outros seis pastores mortos num ataque de retaliação, totalizando 48 vítimas mortais. As autoridades locais mantêm a investigação e destacaram forças conjuntas da polícia e do exército para a zona.
No nordeste do país, homens armados invadiram a Escola Secundária Governamental de Lassa, no estado de Borno, na manhã de 29 de junho, e raptaram vários estudantes que realizavam exames nacionais. O exército nigeriano informou ter resgatado dez alunos e professores após um confronto armado, no qual um soldado e um elemento de uma força paramilitar morreram. O porta-voz da polícia de Borno afirmou que outros estudantes continuam desaparecidos e que as equipas de segurança vasculham as florestas próximas. Uma delegação do governo estadual, chefiada pelo comissário da Educação, visitou as famílias das vítimas e o professor ferido a tiro na cabeça durante o ataque, que se encontra estável mas necessita de cuidados médicos avançados.
Outros episódios de violência foram registados em diferentes pontos do país. Em Bauchi, bandidos mataram duas crianças que dormiam à porta de casa de um professor corânico em Rafin Ciyawa e raptaram três residentes, tendo as famílias recebido um pedido de resgate de 100 milhões de nairas, depois reduzido para 10 milhões. No estado de Benue, um ataque à comunidade de Saai, em Katsina-Ala, provocou pelo menos dez mortos, enquanto em Guma um clérigo e dois fiéis foram levados de sua residência. Já no sudoeste, uma operação conjunta da polícia, do corpo de Amotekun e de caçadores locais resgatou duas vítimas de rapto em Oyo e neutralizou um suspeito.
Observadores em Lisboa e Brasília acompanham com preocupação a persistência de múltiplas crises de segurança na Nigéria, que vão da insurgência jihadista no nordeste aos conflitos entre pastores e agricultores no centro-norte, passando pela criminalidade armada em várias regiões. A violência afeta a produção agrícola, a frequência escolar e a coesão social, num contexto em que as forças de segurança enfrentam limitações de meios e de coordenação. As autoridades locais têm apostado em comités de reconciliação e no reforço do patrulhamento, mas os resultados são ainda incipientes.
Os números de vítimas permanecem provisórios e, em alguns casos, contraditórios entre fontes oficiais e relatórios independentes. As investigações prosseguem para identificar os responsáveis, enquanto as comunidades aguardam o regresso dos desaparecidos e o restabelecimento efetivo da ordem.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A land dispute in Nigeria has left between 18 and 48 dead. Local authorities face pressure to restore order, while the community demands justice. The conflict underscores the fragility of land management in rural areas.
A land clash in Nigeria leaves dozens dead. The region remains unstable, with implications for foreign investment. Mediation is hoped for to avoid escalation.
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