
Uma lâmina enterrada, uma bola sagrada: fragmentos que o tempo devolveu
Do choro de um detectorista polaco à exposição de uma pelota maia com 3.600 anos, descobertas em três continentes trazem novas camadas à compreensão de civilizações antigas.
Na manhã em que o seu detetor de metais já lhe dera tampas de garrafa e latas vazias, o polaco Marcin Wiśniewski pensou que o último sinal seria mais um refugo. Ao cravar a pá, encontrou uma espada de três mil anos, cravada verticalmente na floresta. “Lágrimas escorreram-me pela cara”, escreveu nas redes. O achado, da Idade do Bronze final (900-700 a.C.), confirmado pelo gabinete provincial de monumentos, junta-se a outras espadas antigas emergidas na Polónia nos últimos anos.
Enquanto isso, no Alto Egipto, escavações organizadas reescrevem a arquitetura funerária. Em Gebel al-Tair, Minya, duas tumbas do período Arcaico (c. 3100-2686 a.C.) exibem paredes de espessura decrescente, prenúncio da evolução que levaria às pirâmides. A semelhança com o túmulo do rei Den, em Abidos, sublinha a importância da necrópole. Junto, sepulturas pré-dinásticas com corpos encolhidos e cerâmica Naqada comprovam o uso contínuo. No oásis de Bahariya, os alicerces de um templo da 26.ª dinastia revelaram um salão hipostilo com 16 colunas de arenito e blocos com o nome de Psamético I; uma estela de Amen-hotep II prova que o local era centro administrativo e de culto desde o Império Novo.
A resistência das pirâmides também se confirma por um estudo do NRIAG, publicado na Scientific Reports: sismómetros na Grande Pirâmide mostraram que a sua geometria dissipa a energia sísmica, evitando o colapso. A estrutura sobreviveu a terramotos que arrasaram milhares de edifícios modernos. Já na periferia de Roma, uma escavação ilegal noturna deixou a descoberto uma villa imperial desconhecida. Alertados por vizinhos, os carabinieri encontraram mosaicos geométricos e florais a preto e branco, um impluvium e os restos de uma estátua do deus Silvano. O terreno público foi selado e aberto a visitas.
Do outro lado do Atlântico, o México exibe uma pelota de borracha com 3.600 anos, recuperada da lama de El Manatí, Veracruz, e agora em exposição em Teotihuacan. As 14 bolas achadas em oferendas sublinham o domínio mesoamericano do látex e a sua centralidade nos rituais e no comércio. Na mesma região, em Cuatepec, uma plataforma com elementos circulares e uma estela maia com duas figuras desafiam as tipologias arquitetónicas conhecidas.
Para o universo lusófono, estes achados dão nova vida a coleções egípcias e pré-colombianas no Brasil e em Portugal. Mas, sobretudo, restituem a matéria do passado: o choro de um homem ao segurar uma espada esquecida, a bola que um dia rolou num campo sagrado, os mosaicos que ladrões pisaram sem ver. Fragmentos que, devolvidos à luz, adensam o mapa do que fomos.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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In Poland, an amateur detectorist discovered a 3,000-year-old bronze sword among empty cans, leading to official confirmation. The find highlights how ordinary citizens can contribute to archaeology, with proper care taken to preserve the artifact.
Egyptian authorities announced the discovery of two tombs from the Archaic period in Minya, emphasizing the unique architectural design and connection to King Den's tomb. The find is presented as a new chapter in Egypt's archaeological record, reinforcing national pride and the continuous preservation of heritage.
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