
Israel insiste em manter zona de segurança no sul do Líbano antes de negociações em Washington
Apesar de notícias sobre retiradas simbólicas, Telavive reafirma liberdade de ação militar, enquanto EUA e Irão tentam consolidar cessar-fogo e criar mecanismo de desescalada.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, o ministro da Defesa, Israel Katz, e o chefe do Estado-Maior, Eyal Zamir, divulgaram uma declaração conjunta na segunda-feira reiterando que as forças armadas permanecerão naquilo que designam como “zona de segurança” no sul do Líbano, com “total liberdade de ação” para neutralizar ameaças contra soldados e residentes do norte de Israel. A tomada de posição ocorre na véspera do reinício das conversações entre Israel e o Líbano em Washington, sob os auspícios da administração Trump, e contrasta com relatos da imprensa norte-americana de que Telavive estaria a ponderar retiradas “simbólicas” de algumas áreas além da chamada Linha Amarela — a fronteira de facto estabelecida após o cessar-fogo de abril. Fontes israelitas citadas pela CNN indicaram que a ideia de uma retirada limitada foi discutida como um “gesto” para com o governo libanês, mas o ministro Katz negou qualquer abandono do Castelo de Beaufort, capturado a 31 de maio, e Netanyahu sublinhou que as instruções às Forças de Defesa de Israel “não mudaram”.
Na perspetiva de Washington, o Presidente Donald Trump exigiu publicamente que o Irão “trave imediatamente” os seus representantes no Líbano, enquanto o vice-presidente J.D. Vance afirmou que os EUA trabalham num mecanismo para desarmar o Hezbollah e proteger simultaneamente a segurança de Israel e a soberania libanesa. A administração norte-americana procura articular o dossiê libanês com o memorando de entendimento assinado com o Irão a 18 de junho, que prevê um período de transição de 60 dias para negociações técnicas sobre o programa nuclear e o alívio de sanções. O Irão, por seu lado, condicionou o fim das hostilidades no Líbano a garantias de cessação dos combates por parte de Israel, e exigiu que o acordo global inclua o território libanês. Mediadores do Catar e do Paquistão anunciaram entretanto a criação de um “núcleo de desescalada” com a participação dos EUA, do Irão e do Líbano, destinado a monitorizar o cumprimento da suspensão das operações militares, mas que não integra formalmente Israel nem o Hezbollah.
A sobreposição de iniciativas diplomáticas não eliminou a fragilidade no terreno. O cessar-fogo já foi declarado e violado várias vezes nas últimas semanas, e as novas regras de empenhamento divulgadas por responsáveis israelitas — que limitam as tropas a ações defensivas, proíbem tiros de advertência contra civis que tentem regressar ao sul e exigem autorização superior para demolir infraestruturas — coexistem com a retórica de “liberdade total” de Netanyahu. Em Israel, setores próximos da linha editorial do Jerusalem Post alertaram que o memorando EUA-Irão não contém um mecanismo específico para o desarmamento do Hezbollah nem garantias de que os ataques ao norte de Israel não serão retomados, sublinhando um desfasamento entre as prioridades diplomáticas da Casa Branca e as necessidades de segurança israelitas. O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, foi mais longe ao afirmar que Israel não deve aceitar qualquer acordo que restrinja a atividade militar no Líbano e que, se a segurança israelita não for garantida, “Beirute deve parecer-se com Beit Hanoun”, a localidade de Gaza devastada pelos combates.
O quadro negocial imediato inclui uma reunião do gabinete de segurança israelita na quinta-feira para analisar os dossiês do Irão e do Líbano, enquanto as conversações trilaterais em Washington decorrem em paralelo com o diálogo EUA-Irão na Suíça. A hipótese de transferir para o exército libanês o controlo do complexo de túneis do Hezbollah em Kfar Tebnit, noticiada pela televisão israelita, é apresentada como um possível teste à capacidade de Beirute agir contra a milícia. Contudo, a insistência de Telavive em manter uma zona de segurança unilateral até cerca de 9,6 quilómetros a norte da fronteira, e a ausência de um calendário vinculativo para a retirada, mantêm abertas as divergências de fundo entre as partes. O dossiê prossegue sem que nenhum dos atores tenha alterado publicamente as suas posições de partida.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Israel insiste em manter suas tropas no sul do Líbano, chamando-o de zona de segurança, e concede ao exército total liberdade de ação sem restrições. Anunciada às vésperas de negociações, essa posição é vista como uma rejeição aos gestos diplomáticos e uma perpetuação da ocupação.
Israel enfrenta ameaças contínuas do Hezbollah, evidenciadas por um ataque mortal contra seus soldados. A zona tampão no sul do Líbano e a liberdade de ação militar irrestrita são essenciais para a segurança. Embora retiradas simbólicas estejam sendo consideradas para as conversações em Washington, a prioridade máxima continua sendo a proteção das vidas israelenses, sem prazo para retirada.
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