
Estádios e bancos: os movimentos que redesenham o futebol global
Do novo Old Trafford à sucessão de Guardiola, passando por renovações no ténis e acordos em Teerão, as instituições desportivas aceleram decisões estruturais.
O Manchester United assegurou a compra do terreno de 25 acres que permitirá erguer um estádio de 100 mil lugares a noroeste do atual Old Trafford, concretizando um passo tido como crítico para o projeto de £2 mil milhões. A aquisição, feita junto da Indurent, empresa do portefólio da Blackstone, foi anunciada no mesmo dia em que Andy Burnham, um dos arquitetos da corporação de desenvolvimento que tutela a regeneração da zona, deixou o cargo de mayor da Grande Manchester. A diretora-executiva do novo estádio, Collette Roche, sublinhou que a proximidade ao recinto histórico permitirá preservar “herança, tradições e rituais”, enquanto o clube prepara a apresentação do plano diretor a 9 de julho. Em Lisboa, a notícia reaviva a atenção sobre um emblema com profundas ligações a Portugal, num momento em que o United tenta reencontrar o rumo competitivo após um terceiro lugar na Premier League sob Michael Carrick.
A modernização de infraestruturas não se limita ao futebol inglês. O Tennis Canada revelou planos para um novo estádio central com teto retrátil no Jarry Park, em Montreal, elevando a capacidade para cerca de 15 mil lugares. A diretora do National Bank Open, Valérie Tétreault, admitiu que a organização se sente “a ficar para trás” face às exigências da ATP e da WTA, e que a diferença de custos entre renovar o atual IGA Stadium ou construir de raiz é “negligenciável”. O projeto, ainda sem cronograma ou financiamento fechado, depende de negociações com os três níveis de governo canadiano, mas Tétreault garantiu que todos reconhecem o impacto económico e social do torneio. A pressão é acentuada pelo exemplo do Cincinnati Open, que concluiu uma renovação de 260 milhões de dólares antes da edição de 2025.
No Irão, o Persepolis e o treinador croata Dragan Skocic ultrapassaram o impasse contratual que ameaçava a continuidade do projeto. Depois de o clube recusar um vínculo de dois anos, as partes acordaram uma fórmula intermédia: um ano garantido e um segundo condicionado à conquista do título e de uma vaga asiática. O entendimento, noticiado pela imprensa de Teerão, estabiliza o comando técnico dos campeões iranianos numa altura em que a pré-época se aproxima.
Em Inglaterra, a dança de treinadores prossegue. O Fulham procura substituto para Marco Silva, que assinou pelo Benfica por duas temporadas, e o médio nigeriano Alex Iwobi mostrou-se disponível para se adaptar a qualquer sistema, recordando a experiência com vários técnicos no Everton e na seleção. O nome de Frank Lampard, que orientou Iwobi nos toffees, surge entre os cogitados, mas o clube do oeste londrino ainda não fechou qualquer acordo. Já o Manchester City está próximo de anunciar Enzo Maresca como sucessor de Pep Guardiola, com um pacote de compensação ao Chelsea superior a £10 milhões. Maresca era o único candidato e a sua chegada é aguardada para dar início às conversas com jogadores que não estão no Mundial, enquanto o clube já teve duas propostas recusadas por Elliot Anderson, do Nottingham Forest.
A convergência destes movimentos revela um período de planeamento acelerado em várias geografias. Em Manchester, a compra do terreno ancora um projeto geracional que mexe com a identidade do clube e com a regeneração urbana de Trafford. Em Montreal, o ténis profissional pressiona por instalações à altura dos torneios de topo. Em Teerão, a fórmula contratual encontrada ilustra o equilíbrio precário entre ambição desportiva e prudência financeira. E em Londres e Manchester, a sucessão de treinadores lembra que a estabilidade técnica é um ativo cada vez mais raro, com Iwobi a resumir o estado de espírito de muitos plantéis: “Estaremos prontos para jogar para quem for o treinador.”
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O Tennis Canada está a avançar com uma grande modernização da sua instalação em Montreal, incluindo um novo estádio com teto retrátil para aumentar a capacidade para 15.000 lugares. O projeto é apresentado como essencial para acompanhar os padrões crescentes dos circuitos profissionais, após um estudo de viabilidade de um ano. O anúncio insere-se numa semana de desenvolvimentos de infraestruturas desportivas, mas o foco aqui está firmemente no ténis norte-americano, e não no futebol global.
A disputa entre o Persepolis e Dragan Skocic sobre a duração do contrato foi resolvida através de um compromisso: um ano firme mais um segundo ano condicionado. Anteriormente, o treinador queria dois anos, enquanto o clube insistia num, citando as circunstâncias especiais do país. O acordo é visto como uma solução pragmática que satisfaz ambas as partes e abre caminho para a nova época.
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