
BCE prevê inflação da zona euro acima da meta até 2027, mesmo com trégua no Médio Oriente
Economista-chefe Philip Lane alerta que pressões energéticas e efeitos indiretos podem manter preços elevados, apesar da recente queda do petróleo.
A inflação na zona euro subiu para 3,2% em maio, face a 3,0% em abril, impulsionada por uma inflação energética superior a 10% pelo segundo mês consecutivo. A componente subjacente, que exclui energia e alimentos, avançou para 2,6%, sinalizando que os efeitos indiretos do choque energético começam a alastrar-se. A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, saudou o acordo de paz no Médio Oriente, mas advertiu que a situação permanece frágil, com riscos de retrocesso ou de nova escalada.
O economista-chefe do BCE, Philip Lane, detalhou em audição no Parlamento Europeu que o atual choque energético difere do observado em 2021-2022: concentra-se nos combustíveis para transporte, e não na eletricidade ou no gás de consumo doméstico. A inflação dos alimentos, que recuara de 2,4% para 1,9%, deverá voltar a subir devido aos custos logísticos. Lane projetou que a inflação geral poderá permanecer acima da meta de 2% até o primeiro semestre de 2027.
O BCE subiu as três taxas de juro de referência em 25 pontos base na reunião de junho, fixando a taxa de depósito em 2,25%, e reviu em alta a previsão de inflação para 3% este ano. Contudo, a queda recente das cotações do petróleo situa agora o cenário energético entre as projeções de referência e as mais moderadas do banco, o que reduz a urgência de uma nova subida já em julho. Os mercados financeiros atribuem apenas uma probabilidade de 20% a um aumento no próximo mês, com o movimento seguinte totalmente precificado para dezembro. Lane defendeu uma resposta “calibrada” e “moderada”, sublinhando que o impacto no crescimento será atenuado por um mercado de trabalho sólido, pelo investimento em inteligência artificial e pela despesa pública em defesa e infraestruturas.
Outros membros do conselho do BCE reforçaram a mensagem de prudência. O presidente do banco central da Eslováquia, Peter Kazimir, afirmou que a direção da política monetária é clara e que o trabalho “ainda não está concluído”, admitindo novos apertos se os dados o exigirem. O homólogo espanhol, José Luis Escrivá, salientou que os efeitos indiretos dos preços energéticos se tornam evidentes, com aumentos nos custos de transporte e de alimentos ao longo da cadeia produtiva.
O BCE manterá uma abordagem dependente da evolução dos dados, monitorizando os preços da energia, os efeitos de segunda ordem e a trajetória dos salários — cujo crescimento negociado desacelerou de 2,9% para 2,5% no primeiro trimestre. A próxima decisão de política monetária, em julho, será observada como teste à pausa nas subidas, num contexto em que a probabilidade de novo aumento é reduzida.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O BCE alerta que a inflação alimentar na zona euro está prestes a subir novamente, impulsionada pelos aumentos dos preços da energia provocados pela guerra no Irão, que chegou apenas a uma trégua frágil. Apesar da queda recente, os preços dos alimentos vão aumentar, mantendo a inflação global elevada. A situação continua precária.
O BCE reconhece que a inflação pode permanecer acima da meta por algum tempo, mas uma perspetiva mais moderada reduz a urgência do aumento de juros planeado para o próximo mês. Os mercados veem menos necessidade de um aperto imediato, uma vez que os preços da energia caíram. O foco está nas implicações políticas e na pressão reduzida sobre o banco central.
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