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Um carneiro, um dragão e o silêncio do mar: a longa espera por Westeros termina em chamas

A terceira temporada de A Casa do Dragão estreia com uma batalha naval que reescreve o livro de George R.R. Martin, sacrifica herdeiros e revela uma nova cavaleira, enquanto o público lusófono se divide entre a catarse e a melancolia.

Um carneiro pasta sozinho numa colina verdejante. A imagem, que abre a terceira temporada de A Casa do Dragão, carrega uma ironia cruel para os iniciados no universo de George R.R. Martin: em Westeros, ovelhas e dragões nunca ocupam o mesmo espaço por muito tempo. Segundos depois, a fera selvagem Robaovejas desce dos céus para reclamar a sua presa, e o espetáculo bélico que os fãs aguardavam há dois anos incendeia o ecrã. A longa espera terminou na noite de domingo, 21 de junho, com a Batalha do Gaznate — um confronto naval entre a frota dos Negros e a Triarquia que, nas palavras do lorde Corlys Velaryon, deixa um rasto de ruínas onde “se isto é vitória, espero nunca ver outra”.

O episódio, de 72 minutos, não poupa os seus protagonistas. O príncipe Jacaerys Velaryon, montado em Vermax, é atingido por um projétil disparado de um navio inimigo. O dragão cai ao mar, despedaçado, e o herdeiro de Rhaenyra Targaryen, indefeso na água, é trespassado por setas dos besteiros da Triarquia. A cena final — o corpo do jovem a flutuar inerte entre os destroços — ecoa como um ponto de não retorno na Dança dos Dragões. Na perspetiva de observadores europeus, a sequência sublinha a ambivalência moral que distingue a série da sua antecessora: não há glória no combate, apenas perda. A morte de Jacaerys transforma Rhaenyra, até aqui uma estratega contida, numa líder “desapiedada”, segundo a imprensa latino-americana, que prepara um contra-ataque com um único objetivo: tomar Porto Real e aniquilar os Verdes.

A estreia introduz também uma alteração significativa em relação ao livro Fogo & Sangue. A personagem Nettles, uma adolescente bastarda que na obra original conquista o dragão selvagem Robaovejas oferecendo-lhe ovelhas frescas todos os dias, foi eliminada da adaptação. No seu lugar, a série coloca Rhaena Targaryen, filha de Daemon, que até aqui vivia o luto de não possuir um dragão. A decisão, analisada por críticos nos Estados Unidos, gerou debate entre os leitores mais fiéis, mas oferece a Phoebe Campbell um arco de empoderamento: pela primeira vez, Rhaena monta uma fera e entra em combate, ainda que a sua inexperiência provoque o caos entre aliados e inimigos. A mudança não é cosmética; ela apaga uma das poucas personagens negras canonicamente relevantes da saga e reconfigura a complexa relação que Daemon estabelece com Nettles nas páginas do livro.

Para o público lusófono, a temporada chega através da Max em Portugal e no Brasil, com episódios semanais até 9 de agosto. A plataforma aposta na continuidade de um fenómeno que, desde 2022, mantém a franquia de A Guerra dos Tronos como um dos títulos mais vistos da HBO. A audiência brasileira, em particular, tem demonstrado um apetite voraz por conteúdos de fantasia épica, e a série ocupa um lugar central nas conversas digitais. Contudo, a crítica internacional — da Índia à Alemanha — nota que a produção ainda luta para escapar à sombra da obra original. A nova temporada, com oito episódios, promete acelerar o conflito, mas a introdução de figuras como Ormund Hightower (James Norton), descrito pelo showrunner Ryan Condal como “o Tywin Lannister deste mundo”, sugere que a intriga palaciana continuará a disputar espaço com as batalhas aéreas.

No final do episódio, o que resta é o silêncio do mar depois da tormenta. O corpo de Jacaerys boia à deriva, enquanto Rhaenyra, trancada no seu quarto em Pedra do Dragão, ainda não sabe que perdeu o primogénito. A imagem encerra a estreia com uma pergunta que ecoa muito para além de Westeros: o que sobra de uma guerra quando até os dragões se afogam?

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Imprensa latino-americanaImprensa europeia continental
Imprensa latino-americana
DistanciamentoPragmatismo

A terceira temporada começa com a espetacular Batalha do Goela, um confronto naval que inflige uma perda dolorosa à facção de Rhaenyra. O episódio também apresenta Cregan Stark, solidificando a aliança com o Norte. Guias de episódios e calendários de lançamento acompanham o retorno triunfante da série.

Imprensa europeia continental/ DACH+
IroniaCeticismo

Primeiro dragões, depois democracia: a série retorna com uma imponente batalha naval, mas o olhar permanece irônico e distanciado. Ovelhas têm um fim ruim, como sempre, e algo finalmente acontece em Westeros. O espetáculo é apreciado com certo ceticismo, entre intrigas políticas e longas esperas.

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Um carneiro, um dragão e o silêncio do mar: a longa espera por Westeros termina em chamas

A terceira temporada de A Casa do Dragão estreia com uma batalha naval que reescreve o livro de George R.R. Martin, sacrifica herdeiros e revela uma nova cavaleira, enquanto o público lusófono se divide entre a catarse e a melancolia.

Um carneiro pasta sozinho numa colina verdejante. A imagem, que abre a terceira temporada de A Casa do Dragão, carrega uma ironia cruel para os iniciados no universo de George R.R. Martin: em Westeros, ovelhas e dragões nunca ocupam o mesmo espaço por muito tempo. Segundos depois, a fera selvagem Robaovejas desce dos céus para reclamar a sua presa, e o espetáculo bélico que os fãs aguardavam há dois anos incendeia o ecrã. A longa espera terminou na noite de domingo, 21 de junho, com a Batalha do Gaznate — um confronto naval entre a frota dos Negros e a Triarquia que, nas palavras do lorde Corlys Velaryon, deixa um rasto de ruínas onde “se isto é vitória, espero nunca ver outra”.

O episódio, de 72 minutos, não poupa os seus protagonistas. O príncipe Jacaerys Velaryon, montado em Vermax, é atingido por um projétil disparado de um navio inimigo. O dragão cai ao mar, despedaçado, e o herdeiro de Rhaenyra Targaryen, indefeso na água, é trespassado por setas dos besteiros da Triarquia. A cena final — o corpo do jovem a flutuar inerte entre os destroços — ecoa como um ponto de não retorno na Dança dos Dragões. Na perspetiva de observadores europeus, a sequência sublinha a ambivalência moral que distingue a série da sua antecessora: não há glória no combate, apenas perda. A morte de Jacaerys transforma Rhaenyra, até aqui uma estratega contida, numa líder “desapiedada”, segundo a imprensa latino-americana, que prepara um contra-ataque com um único objetivo: tomar Porto Real e aniquilar os Verdes.

A estreia introduz também uma alteração significativa em relação ao livro Fogo & Sangue. A personagem Nettles, uma adolescente bastarda que na obra original conquista o dragão selvagem Robaovejas oferecendo-lhe ovelhas frescas todos os dias, foi eliminada da adaptação. No seu lugar, a série coloca Rhaena Targaryen, filha de Daemon, que até aqui vivia o luto de não possuir um dragão. A decisão, analisada por críticos nos Estados Unidos, gerou debate entre os leitores mais fiéis, mas oferece a Phoebe Campbell um arco de empoderamento: pela primeira vez, Rhaena monta uma fera e entra em combate, ainda que a sua inexperiência provoque o caos entre aliados e inimigos. A mudança não é cosmética; ela apaga uma das poucas personagens negras canonicamente relevantes da saga e reconfigura a complexa relação que Daemon estabelece com Nettles nas páginas do livro.

Para o público lusófono, a temporada chega através da Max em Portugal e no Brasil, com episódios semanais até 9 de agosto. A plataforma aposta na continuidade de um fenómeno que, desde 2022, mantém a franquia de A Guerra dos Tronos como um dos títulos mais vistos da HBO. A audiência brasileira, em particular, tem demonstrado um apetite voraz por conteúdos de fantasia épica, e a série ocupa um lugar central nas conversas digitais. Contudo, a crítica internacional — da Índia à Alemanha — nota que a produção ainda luta para escapar à sombra da obra original. A nova temporada, com oito episódios, promete acelerar o conflito, mas a introdução de figuras como Ormund Hightower (James Norton), descrito pelo showrunner Ryan Condal como “o Tywin Lannister deste mundo”, sugere que a intriga palaciana continuará a disputar espaço com as batalhas aéreas.

No final do episódio, o que resta é o silêncio do mar depois da tormenta. O corpo de Jacaerys boia à deriva, enquanto Rhaenyra, trancada no seu quarto em Pedra do Dragão, ainda não sabe que perdeu o primogénito. A imagem encerra a estreia com uma pergunta que ecoa muito para além de Westeros: o que sobra de uma guerra quando até os dragões se afogam?

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A terceira temporada começa com a espetacular Batalha do Goela, um confronto naval que inflige uma perda dolorosa à facção de Rhaenyra. O episódio também apresenta Cregan Stark, solidificando a aliança com o Norte. Guias de episódios e calendários de lançamento acompanham o retorno triunfante da série.

Imprensa europeia continental/ DACH+
IroniaCeticismo

Primeiro dragões, depois democracia: a série retorna com uma imponente batalha naval, mas o olhar permanece irônico e distanciado. Ovelhas têm um fim ruim, como sempre, e algo finalmente acontece em Westeros. O espetáculo é apreciado com certo ceticismo, entre intrigas políticas e longas esperas.

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