
Trump transfere ganhos cripto para ativos tradicionais enquanto família lucra com contratos de defesa
Declarações financeiras revelam que Donald Trump quadruplicou carteira de ações e títulos com receitas de criptomoedas, enquanto filhos investem em empresas de defesa beneficiadas por contratos públicos.
A mais recente declaração financeira do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentada ao Gabinete de Ética Governamental, mostra que a sua carteira de ações e obrigações cresceu de um intervalo de 225 a 608 milhões de dólares no final de 2024 para entre 703 milhões e 2,6 mil milhões no final de 2025. O salto coincide com a entrada de mais de 1,4 mil milhões de dólares provenientes de projetos de criptomoedas da família, como a World Liberty Financial e a memecoin de Trump, num período em que o presidente e os filhos incentivavam pequenos investidores a aplicar poupanças nesses ativos digitais.
Enquanto o discurso oficial promovia as criptomoedas como vanguarda financeira, os gestores de Trump canalizavam uma parte significativa das receitas para instrumentos tradicionais. Timothy Massad, diretor do projeto de política de ativos digitais da Harvard Kennedy School, afirmou que os documentos sugerem uma estratégia pessoal de obter lucro rápido com a venda de tokens para depois reinvestir em ações e obrigações. Em paralelo, uma investigação do Washington Post revelou que Donald Trump Jr. e Eric Trump investiram em mais de uma dezena de startups de tecnologia de defesa durante o segundo mandato do pai. Essas empresas receberam subsequentemente contratos do Pentágono no valor mínimo de 3,2 mil milhões de dólares, com opções de mais 3,1 mil milhões. A SpaceX e a Anduril concentraram 97% dos contratos já atribuídos.
A relação entre proximidade política e retorno empresarial estende-se a aliados corporativos. Michael Dell, CEO da Dell Technologies, e a mulher, Susan, doaram 6,25 mil milhões de dólares ao programa Trump Accounts em dezembro. Desde então, Trump comprou mais de um milhão de dólares em ações da Dell, recomendou publicamente a compra de computadores da marca e a empresa obteve um contrato de defesa de 9,7 mil milhões. As ações da Dell subiram 240% este ano, impulsionadas também pela procura de servidores de inteligência artificial, mas o vínculo com a Casa Branca reduziu o risco reputacional da empresa.
Observadores em Brasília notam que o episódio ecoa debates locais sobre a promiscuidade entre poder político e negócios privados, enquanto analistas em Lisboa sublinham que a erosão de normas de conduta nos EUA enfraquece uma referência global de governação. Nos mercados africanos de língua lusófona, onde a adoção de criptomoedas é ainda incipiente, o caso reforça alertas de reguladores sobre a assimetria de informação e a volatilidade desses ativos para pequenos investidores.
O próximo marco factual será a divulgação da declaração financeira anual seguinte, que permitirá verificar se o padrão de desinvestimento em criptomoedas em favor de ativos tradicionais se mantém. Simultaneamente, a execução das opções de contratos de defesa já concedidas às empresas participadas pelos filhos de Trump constitui um indicador concreto da intersecção entre acesso político e oportunidades de negócio.
| Imprensa atlântica / anglosfera | +0.30 | aligned |
|---|---|---|
| Imprensa europeia continental | −0.70 | critical |
| Imprensa latino-americana | −0.80 | critical |
| Imprensa russa e CEI | −0.10 | neutral |
O mundo empresarial americano celebra a sabedoria financeira de Trump e incentiva a seguir seu exemplo.
Apresenta os sucessos de Trump como prova de sua competência, ignorando as perdas dos pequenos investidores.
As perdas sofridas pelos pequenos investidores e o fato de Trump ter investido de forma diferente do que pregava.
A Europa continental denuncia o nepotismo e a corrupção da família Trump, exigindo transparência.
Acumula detalhes sobre contratos e coincidências para construir um quadro de abuso de poder.
Omite a possibilidade de que os contratos foram concedidos por mérito, como alega a Casa Branca.
A América Latina progressista desmascara a hipocrisia de Trump, defendendo os pequenos investidores traídos.
Usa as declarações financeiras oficiais como prova irrefutável da duplicidade de Trump.
Omite qualquer análise dos benefícios econômicos dos projetos cripto de Trump para a economia americana.
A Rússia observa com ironia as contradições do capitalismo americano, sem tomar partido, mas destacando a hipocrisia.
Relata os fatos de forma aparentemente neutra, mas a escolha de destacar a contradição serve para deslegitimar o modelo americano.
Omite qualquer comparação com as práticas financeiras russas ou corrupção interna.
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