
França vota proibição de redes sociais para menores de 15 anos após acordo parlamentar
Deputados e senadores fecharam texto que veda acesso a plataformas a partir de setembro, com exceções para enciclopédias online e projetos educativos.
A comissão mista paritária do Parlamento francês alcançou um acordo na segunda-feira sobre o projeto de lei que proíbe o acesso de menores de 15 anos às redes sociais, abrindo caminho para a votação definitiva nas duas câmaras nesta terça-feira. O texto, que também bane o uso de smartphones nos liceus, prevê a entrada em vigor da restrição já no início do ano letivo de setembro, conforme calendário defendido pelo presidente Emmanuel Macron. A França torna-se, assim, o primeiro país da União Europeia a instituir uma “maioridade digital”, segundo a ministra delegada do Setor Digital, Anne Le Hénanff, ecoando uma tendência que já levou a Austrália a adotar medida semelhante para menores de 16 anos no final do ano passado.
O principal impasse técnico entre as duas casas legislativas dizia respeito ao mecanismo de aplicação da proibição. A Assembleia Nacional defendia uma interdição geral a todos os serviços de redes sociais, enquanto o Senado preferia uma lista negra de plataformas específicas. Prevaleceu a formulação mais abrangente da câmara baixa, que deixa a cargo do ministro do Digital a definição das plataformas visadas, após parecer da autoridade reguladora do audiovisual e do digital. A senadora centrista Catherine Morin-Desailly reconheceu que a opção da lista negra exigiria mais tempo de implementação. Ficam excluídas da proibição as enciclopédias online, os diretórios educativos ou científicos e as plataformas de desenvolvimento e partilha de software de código aberto.
Na perspetiva de Bruxelas, a compatibilidade do texto com o quadro regulatório europeu foi uma condição central. A Comissão Europeia considerou que versões anteriores do projeto se sobrepunham à Lei dos Serviços Digitais e solicitou alterações. O acordo final optou por uma proibição geral, transferindo para as autoridades da UE a responsabilidade de garantir que as plataformas cumpram a restrição etária. A Comissão anunciou recentemente a intenção de legislar sobre um acesso “progressivo e gradual” de crianças e adolescentes às plataformas digitais, e apresentou em abril um aplicativo europeu de verificação de idade que poderá ser utilizado pelos Estados-membros. Observadores em Lisboa notam que a medida francesa pode acelerar o debate em Portugal, onde o governo já manifestou preocupação com o impacto das redes na saúde mental juvenil, mas ainda não avançou com legislação equivalente.
A implementação prática da proibição será faseada: a partir de 1 de setembro de 2026, menores de 15 anos não poderão criar novas contas; as contas já existentes deverão ser encerradas até 1 de janeiro de 2027. As plataformas terão de integrar sistemas de verificação de idade aprovados pela autoridade francesa de proteção de dados, um desafio técnico que admite soluções como a utilização de sistemas públicos de identidade digital já em uso nos correios ou nas universidades. O Reino Unido aprovou legislação análoga para menores de 16 anos, mas a entrada em vigor está prevista apenas para o início de 2027. No Brasil, o debate sobre a regulação das plataformas permanece centrado na responsabilização pelo conteúdo, sem proposta concreta de restrição etária nos moldes francês ou australiano.
O texto segue agora para votação na Assembleia Nacional e no Senado, onde a aprovação é dada como certa pelas bancadas governistas. Uma vez promulgada, a lei fará da França o primeiro país europeu a impor uma barreira etária legal ao acesso às redes sociais, num contexto em que a Comissão Europeia prepara iniciativas próprias e a pressão de setores da sociedade civil por maior proteção da infância digital se intensifica em todo o continente.
| Imprensa latino-americana | +0.10 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa africana subsaariana | 0.00 | neutral |
| Imprensa europeia continental | +0.20 | neutral |
A França age com determinação para proibir as redes sociais para menores de 15 anos, uma prioridade de Macron que entrará em vigor em setembro.
O bloco torna sua posição plausível ao enfatizar o consenso político e a urgência de proteger as crianças, apresentando a proibição como um passo natural e necessário seguindo as tendências globais.
A comissão do parlamento francês aprovou uma proibição de redes sociais para menores de 15 anos, com Macron pressionando para um início em setembro, seguindo o exemplo da Austrália.
O bloco mantém a plausibilidade ao ater-se aos fatos nus e citar um precedente (Austrália), evitando qualquer avaliação ou comentário.
Deputados e senadores chegaram a um acordo sobre a proibição de redes sociais para menores de 15 anos, um passo significativo para proteger os menores.
O bloco usa a metáfora 'fumée blanche' para sinalizar sucesso e enfatiza o acordo bipartidário, fazendo a lei parecer inevitável e bem apoiada.
Amplie o olhar
Irã promete resposta a ataque ucraniano no Mar Cáspio e acusa Israel
5 idiomas · 12 veículos
De Economy & MarketsCXMT dispara 466% na estreia e torna-se a empresa mais valiosa da China
11 idiomas · 27 veículos
De TechnologyApple estuda óculos sem gravação de vídeo para proteger privacidade, enquanto Siri ganha IA conversacional
6 idiomas · 6 veículos