
Trump insiste em inspeções nucleares 'infinitas' no Irão, Teerão nega qualquer acordo
A divergência sobre o acesso de inspetores da AIEA expõe a fragilidade do entendimento preliminar mediado pelo Catar e pelo Paquistão, enquanto o Estreito de Ormuz regista tráfego recorde.
O Presidente dos Estados Unidos afirmou na terça-feira que o Irão aceitou "plena e completamente" inspeções nucleares do mais alto nível por um período indefinido, condição que, segundo Washington, viabiliza a continuação das negociações. Horas antes, o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmail Baghaei, declarara que não há planos para que a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) inspecione as instalações danificadas pelos bombardeamentos de 2025, e que o programa nuclear não foi discutido na ronda técnica suíça. A troca de declarações contraditórias revela a distância que persiste entre as narrativas das duas capitais sobre o conteúdo do memorando de entendimento assinado na semana anterior.
Na sua publicação na rede Truth Social, Donald Trump sustentou que, sem o compromisso iraniano com a "honestidade nuclear", não haveria novas conversações. Acrescentou que, em contrapartida, concordou em manter o Estreito de Ormuz aberto e suspender o bloqueio naval, embora os navios de guerra norte-americanos permaneçam posicionados para um eventual restabelecimento da medida. Trump detalhou ainda que os fundos iranianos descongelados pelo Tesouro dos EUA serão depositados numa conta sob controlo norte-americano e utilizados exclusivamente para a compra de alimentos e material médico a produtores dos Estados Unidos, como milho, trigo e soja. De Teerão, o embaixador Ali Bahreini rejeitou essa condição, assegurando que o Irão decidirá soberanamente sobre a utilização dos seus ativos.
O impasse sobre as inspeções ocorre num momento em que o processo diplomático mais amplo regista progressos tangíveis. O Catar e o Paquistão, mediadores das conversações, confirmaram a criação de grupos de trabalho técnicos para as áreas de sanções, programa nuclear e segurança regional, no quadro de um roteiro de 60 dias. Em paralelo, a Organização Marítima Internacional coordena com Teerão, Omã e Washington uma operação de evacuação de cerca de 11 mil tripulantes retidos em navios no Golfo, enquanto o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz atingiu 19 milhões de barris num só dia, um volume recorde que contribuiu para a descida das cotações internacionais. Para economias lusófonas importadoras de energia, como Portugal e o Brasil, a normalização da via marítima representa um alívio nas pressões inflacionistas.
A próxima etapa do processo inclui a deslocação do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, aos Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein, onde a segurança da navegação no Golfo estará no centro das discussões. Ao mesmo tempo, o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, visitou o Paquistão para consolidar o canal de mediação. Apesar dos sinais de distensão, a ausência de uma versão comum sobre o acesso da AIEA mantém em aberto a questão que, na perspetiva de analistas europeus, constitui o teste central à viabilidade de um acordo definitivo.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
2 grupos editoriais · 7 idiomas
Trump insiste repetidamente que o Irã concordou com inspeções nucleares abrangentes, mas Teerã nega firmemente qualquer mudança. A imprensa latino-americana destaca essa contradição gritante, lançando dúvidas sobre as alegações de Washington e enfatizando a ausência de confirmação independente.
A imprensa russa retransmite a afirmação de Trump de que o Irã concordou com inspeções nucleares de alto nível, apresentando-a como condição-chave para a continuidade das negociações e o levantamento do bloqueio. A cobertura concentra-se nos detalhes práticos das sanções e do transporte marítimo, com pouca atenção à negação de Teerã.
Artigos relacionados
Ronaldo responde a Messi com recorde de seis Mundiais a marcar e Portugal goleia Uzbequistão
14 idiomas · 101 veículos
Geopolítica & PolíticaSenado dos EUA aprova resolução que exige fim da guerra com o Irão, em revés simbólico para Trump
11 idiomas · 36 veículos
EsporteLuto afasta Deschamps do comando da França em jogo decisivo do Grupo I no Mundial de 2026
11 idiomas · 20 veículos