
Trump bloqueia lei de habitação e exige aprovação de reforma eleitoral
Presidente dos EUA cancela cerimónia de assinatura de projeto bipartidário e condiciona promulgação à aprovação do SAVE America Act, paralisando a agenda legislativa.
O Presidente Donald Trump cancelou na quarta-feira a cerimónia de assinatura da mais abrangente lei de habitação aprovada pelo Congresso dos EUA em décadas e condicionou a sua promulgação à aprovação do SAVE America Act, um pacote de restrições eleitorais que não reúne os votos necessários no Senado. A decisão, comunicada na rede Truth Social duas horas antes do evento, travou uma rara vitória bipartidária e desencadeou uma paralisação dos trabalhos na Câmara dos Representantes, onde um grupo de conservadores aliados do presidente bloqueou votações até que a reforma eleitoral avance.
Na perspetiva da Casa Branca, o SAVE America Act é uma prioridade legislativa que responde a uma “emergência nacional”. O texto exige comprovativo de cidadania para o recenseamento eleitoral, identificação com fotografia para votar, restrições ao voto por correspondência e a proibição da participação de atletas transgénero em competições femininas. Líderes republicanos no Senado, contudo, têm reiterado que a proposta não alcança os 60 votos necessários para superar as regras de obstrução da câmara alta. O líder da maioria, John Thune, afirmou que “não temos os votos” e a senadora Lisa Murkowski classificou a insistência presidencial como “não útil” para a própria agenda do governo.
A manobra presidencial gerou reações divergentes entre as principais forças políticas. A ala conservadora da Câmara, liderada pela deputada Anna Paulina Luna, prometeu manter o bloqueio das votações “o tempo que for preciso”, enquanto a liderança republicana da Câmara cancelou votações e o presidente Mike Johnson se reuniu com Trump para tentar destravar o impasse. Do lado democrata, a senadora Elizabeth Warren acusou o presidente de não se importar com o custo de vida das famílias e de usar uma lei popular como moeda de troca para impor uma agenda impopular. Analistas em Washington notam que a estratégia de vincular a lei de habitação ao SAVE Act reabre divisões internas no Partido Republicano e desvia a atenção de uma das poucas conquistas legislativas bipartidárias do atual Congresso.
A lei de habitação bloqueada, designada 21st Century ROAD to Housing Act, foi negociada durante meses e aprovada por 85 votos a 5 no Senado e 358 a 32 na Câmara. O diploma visa aumentar a oferta de habitação, flexibilizar regras de construção, restringir a aquisição de imóveis por grandes fundos de investimento e expandir o acesso à casa própria num contexto de subida acentuada dos preços. A paralisação ocorre num momento de tensão acrescida entre a Casa Branca e senadores republicanos, depois de um almoço privado em que Trump confrontou os senadores Bill Cassidy, Lisa Murkowski, Susan Collins e Rand Paul por terem apoiado uma resolução que limita os poderes presidenciais de guerra contra o Irão.
Do ponto de vista constitucional, o projeto de habitação pode converter-se em lei sem a assinatura presidencial se o Congresso permanecer em sessão durante dez dias após a aprovação. Contudo, a incerteza política persiste: o Senado entrou em recesso de duas semanas e a Câmara enfrenta um bloqueio interno que ameaça adiar a apreciação de projetos de financiamento do governo e de defesa. A próxima etapa conhecida é a reunião entre Johnson e Trump, da qual se espera uma tentativa de desbloquear a agenda legislativa antes do recesso de agosto, enquanto o impasse em torno do SAVE America Act permanece sem solução à vista.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Trump mantém como refém um projeto de lei bipartidário de habitação para impor suas controversas restrições eleitorais, mergulhando a agenda legislativa no caos e pegando seus próprios aliados de surpresa. A Casa Branca afunda na disfunção enquanto o presidente prioriza sua obsessão pela supressão de votos em detrimento das necessidades das famílias trabalhadoras. Esta crise autoinfligida revela um Partido Republicano refém dos caprichos presidenciais.
Trump desencadeia uma luta pelo poder ao chantagear o próprio partido: recusa-se a assinar uma lei de habitação amplamente apoiada para extorquir apoio à sua reforma eleitoral. O confronto com senadores republicanos expõe tensões profundas e a disposição do presidente em sabotar conquistas bipartidárias por ganho político pessoal. O episódio sinaliza uma escalada na estratégia presidencial de usar todas as alavancas legislativas para impor sua agenda.
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